33º Encontro A Igreja  hoje

A Igreja somos nós e temos um grande compromisso para com nossos irmãos, vivendo a Boa Nova de  Jesus Cristo. Portanto,"a igreja é povo, é comunidade, é viver em comunhão."

Para que isto aconteça, é necessário que vivamos o amor de Jesus Cristo e que coloquemos em comum tudo aquilo que temos, como nos falam em At. dos Apóstolos: (At.2,42-47): somos o corpo de cristo e cada um de nós é uma parte deste corpo.

Como cristãos, membros do corpo de Cristo, precisamos estar sempre atentos em:

- Ver as coisas boas e más da comunidade e descobrir o que podemos fazer diante disso;

- Realizar o Reino de Deus em nosso bairro, em nossa cidade;

- Conhecer e participar do plano de trabalho da Igreja;

- Participar da comunidade não somente em alguma temporada da vida, como no tempo do catecismo, 1 Eucaristia, casamento, etc., mas como compromisso que prende toda a vida da gente.
Para que isso aconteça em nossa Igreja que é povo, comunidade viva, é necessário que os cristãos vivam intensamente essa experiência nas pequenas comunidades para que todos possam se conhecer e haver uma partilha da vida e da fé, como as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) que existem nas várias paróquias e pelo Brasil.

Nos últimos anos, as cebs tem aparecido em muitos lugares, mas especialmente, no campo e nas periferias das cidades. Chamam-se comunidades porque são formadas por famílias: adultos,  jovens e crianças que se conhecem bem, são amigos.

São comunidades eclesiais porque as pessoas se encontram para rezar, para rever a própria vida, refletir e estudar sobre a realidade à luz do Evangelho, alimentam-se com a Eucaristia. Por isso  se comprometem a amar a família, as pessoas no trabalho e no bairro. Unidos pelo amor, vivenciam o compromisso de defender a justiça, ser solidário com os outros, a fim de criar uma nova sociedade. 
Comunidade eclesial de base é um grupo de pessoas que se reuniam para refletir sobre o Evangelho e, iluminados por ele, procuravam viver sua fé, sua esperança e seu amor, tentando descobrir respostas aos seus problemas e angústias, tendo como ideal a Jesus Cristo.

Com sua vida, as cebs questionam a sociedade egoísta, individualista e consumista do nosso tempo, apresentando concretamente, o modelo de uma caminhada para o amor, vivido do dia-a dia da própria existência. As pequenas comunidades constituem uma esperança para Igreja do Brasil e sua multiplicação deve ser incentivada por nós cristãos.

A Igreja Missionária

Jesus Cristo instituiu a Igreja para ser missionária; salda terra e luz do mundo. Ela é chamada a renovar e salvar a toda criatura, restaurando tudo em Cristo. A missão da Igreja é constituir todos os povos numa só família, num só povo de Deus. Há vários níveis para a missão. Há um bem próximo de nós: o nível da comunidade. Todos que se reúnem em Cristo Jesus necessitam interessar-se por todos que estão à sua volta: locais de evangelização, catequese, criança, pobres e doentes à espera de uma visita e acolhimento; famintos de Deus à espera de quem lhes ensine sua palavra, ajude a viver a fé: famintos de pão que esperam por irmãos que possam partilhar com eles o seu alimento e o seu amor fraterno. A Igreja missionária é universal, onde há um só Deus e um só povo no amor.

 

34º  Encontro As orações cristãs

Quem não alimenta bem se enfraquece e pode ficar doente. Quem não estuda fica ignorante, não progride na vida. Quem não se comunica com as pessoas fica isolado e sente-se muito infeliz...

O mesmo pode acontecer com nossa vida de cristãos se não tomarmos cuidado e esquecermos de Jesus e de tudo o que Ele nos ensinou. É importante, então, conhecermos quais os meios que devemos usar, os caminhos por onde andar para crescermos na amizade de Jesus e progredirmos na vida nova que Ele deseja para cada um de nós.

O primeiro grande meio é a oração. Ela é o jeito da gente ter Deus presente junto de nós.  Assim Ele está em nosso coração e fica ao nosso lado continuamente. É a atenção carinhosa e alegre que damos à presença dele em nossa vida. É a conversa curtinha ou longa que mantemos com Ele, em qualquer momento e em qualquer lugar, em voz alta ou no silêncio do coração.

Podemos e devemos ter momentos especiais, que marcamos para uma conversa mais direta com Deus. Podem ser estes: ao levantarmos, deitarmos, antes das refeições, na capela, na Igreja, durante a missa, etc... Mas é muito bom, muitas vezes, durante o dia, elevar o nosso pensamento e o coração a Deus, nosso Pai. É uma demonstração de amizade e carinho.

Podemos decorar frases e orações para dizer para Deus. Mas, é importante falar com Deus com nossas próprias palavras, do nosso jeito, sobre tudo o que a gente quiser.

Além de falar, precisamos ouvir. O silêncio nos ajuda a perceber o que Deus quer nos dizer, principalmente quando fazemos uma leitura bíblica. Ela nos ajuda a ouvir e falar com Deus.

Orar é conversar com Deus, mas é também ouvir a Deus. Orar é tentar ter o coração sempre ligado na presença de Deus como Pai, Amigo e Companheiro. Orar é agradecer continuamente por tudo. Mas, é também, saber oferecer o que somos e o que fazemos.  Orar é ainda, louvar ou elogiar a bondade e o amor de Deus. Orar é também pedir... pedir coisas materiais e bênçãos espirituais.

Oramos sozinhos, numa conversa íntima, coração a coração com Deus.  Podemos estar no meio de uma multidão e conseguir orar sozinho; e podemos nos retirar e ficar a sós e no silêncio orar.

Esta chama-se oração pessoal. Existe também a oração comunitária, em grupinhos ou no grupão, todos juntos. Juntos cantamos, louvamos, agradecemos, oferecemos, pedimos, escutamos uma leitura, uma palavra e refletimos sobre ela.
O importante é que procuremos, o mais possível, viver na oração, esse contato profundo e amoroso com Deus.
Entre estas orações, existem as orações prescritas pela Igreja. As mais conhecidas são: a oração que Jesus ensinou
: Pai - Nosso... Ave - Maria cheia de graça... Santa Maria, mãe de Deus...
Glória ao Pai, ao Filho ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Salve - Rainha: mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

Rogai por nós Santa mãe de Deus. R: para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém!
Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor: o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria...

 

35º  Encontro

As Igrejas cristãs e outras seitas

Após sua ressurreição, Jesus ficou ainda um tempo com os seus discípulos e, em seguida se despediu deixando-lhes uma ordem: "Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda criatura". A Igreja católica procurou realizar este mandamento e, pouco a pouco, foi-se espalhando e organizando no mundo todo.

Ao mesmo tempo, foram surgindo "outras igrejas", quebrando, desta maneira, a unidade entre os cristãos. Em geral, estas "outras igrejas", nasceram dentro da Igreja católica e se separaram por motivos de desentendimento humano e por discordar da doutrina da Igreja católica. Lembremos aqui, por exemplo, as igrejas ortodoxas, que acreditam em Jesus, mas não este unidas à Igreja católica. Mesmo assim, são chamadas de "igrejas cristãs", porque reconhecem em Jesus o filho de Deus. Vamos conhecer um pouco as igrejas cristãs" mais comuns em nosso meio.

Os evangelicos surgiram no ano de 1517 quando Lutero "protestou contra a Igreja católica daquela época e se rebelou ao Papa.

Ele afirmava que cada pessoa tinha o direito de interpretar como bem quiser a Bíblia,sem precisar seguir a orientação da Igreja. Além disso Lutero não admitia a presença real de Jesus no sacramento da eucaristia.

Os "protestantes" se espalharam pelo mundo, dividindo-se em muitas outras igrejas ou seitas.

Os batistas fundados por J. Smyth na Holanda não admitem o uso de imagens e nem o sacerdócio. Cada igreja elege seu pastor e cada um é independente do outro. Administram o batismo somente aos adultos e não celebram nenhum culto a Maria, mãe de Jesus.

Os presbiterianos não têm bispos e as comunidades são dirigidas por presbíteros (e é os mais velhos). A religião deles baseava-se unicamente na Bíblia. Eles negam que Jesus tenha fundado uma Igreja, negando assim o valor histórico da Igreja católica. Aceitam como sacramento somente o batismo e a ceia.

Os metodistas procura orientar sua vida conforme os ensinamentos da Bíblia. Admitem o sacerdócio de mulheres e proíbem o fumo e toda bebida alcoólica. Ensinam que a salvação é para todos os homens, contrariando a doutrina dos fundadores do protestantismo.

Os anglicanos cio os protestantes que mais se aproximam da Igreja católica. Eles têm bispos, padres e diáconos, mas o chefe desta igreja é o rei da Inglaterra. Além do batismo e da ceia, possuem os sacramentos da confirmação e da unção dos enfermos.

Os adventistas acreditam na vinda iminente de Jesus. De vez em quando marcam o dia de sua vinda, mas com muito insucesso. Observam o sábado como dia sagrado.  Acreditam que Jesus é Deus e homem e acreditam em Deus uno e trino.

Os pentecostais aceitam quase todos os princípios das igrejas acima mencionadas. Fazem parte dos pentecostais a Assembléia de Deus, a igreja Deus é amor, congregação cristã do Brasil, etc. Eles são proibidos de freqüentar bailes, cinema, tomar bebidas alcoólicas e fumar. A bíblia é a regra absoluta para orientar suas vidas.  Muitas vezes, porém, fazem uma leitura distorcida da palavra de Deus. Admitem duas espécies de batismos: a) de água, administrado só aos adultos e por imersão; b) do espírito santo, acompanhado sempre pelo dom de línguas.

As testemunhas de Jesus é uma seita nem católica, nem protestante. Eles afirmam que Jesus não é Deus e negam a Santíssima Trindade. Negam a espiritualidade da alma e pregam que todas as religiões são obra de Satanás. É una seita animada por muito fanatismo.

Jesus Cristo fundou uma só igreja. O surgimento de muitas outras igrejas não é obra de Deus, mas dos homens.  Esta divisão entre os cristãos organizou um escândalo para o mundo. Os culpados desta divisão somos todos nós. Ao pecado do nosso orgulho, da falta de amor e de fé, que impedem de nos perdoar e nos reconciliar. Vamos trabalhar e rezar para que todos os homens, que confiam em Deus, construam aqui na terra um mundo mais fraterno e saibam se respeitar, apesar das diversas crenças que ainda nos separam.

 

36º  Encontro

Vocação religiosa

A vocação é o chamado de Deus ao homem e a resposta do homem a Deus realizando a missão que lhe foi confiado. Por isso somos chamados a viver como pessoas humanas, filhas de Deus e colaboradores na construção e realização de seu Reino. A primeira e fundamental vocação do homem é o chamado à vida em plenitude.

Abrindo bem os olhos diante de tudo que acontece, vemos que a vida é uma coisa maravilhosa: poder cantar, amar, trabalhar e fazer tantas coisas  bonitas ... Mas vemos também que a vida é cheia de tristezas: morte, injustiça, doenças, fome ...

Será que isso é vontade de Deus? Claro que não! Na Bíblia vemos que Deus é o Deus da vida e não da morte. A glória de Deus é o homem vivo, livre, vivendo com Deus, como filho e, com os outros, como irmão, tendo o necessário para sua vida.

Lutar para melhorar as condições de vida é um dever sagrado porque esta é a vontade de Deus.

Além do chamado para viver, Deus sempre chamou homens e mulheres para realizarem com Ele o seu plano de salvação, pois Deus quer que todos se salvem. Ele atua na vida do povo através das pessoas que aceitam viver a fé, o amor e a justiça.

Vamos ver na Bíblia como Deus chama as pessoas para colaborarem no seu plano da salvação.

Abraão (Gn. 12,1-9): Deus falou a Abraão: "sai da tua terra e da casa do teu pai e vem para terra que Eu te mostrar." E Abraão partiu, como o Senhor lhe ordenara!

Moisés (Ex. 3,1-22): Deus vê o seu povo oprimido no Egito e quer libertá-lo. Chama então Moisés para reunir o povo e falar com o rei do Egito. Deus constitui Moisés guia do povo em busca da terra prometida.

João Batista (Mc. 1,1-13): anuncia a vinda do Messias e prepara o povo para receber Jesus. Por isso prega a penitência e batiza no  rio Jordão.

Maria (Lc.1, 26 - 38): é chamada a ser mãe do Salvador. 

Jesus(Lc. 4,16-19; Jo 10,10): a vocação de Jesus é fazer a vontade do Pai realizando o Reino, anunciando a palavra de Deus, curando e libertando as pessoas de todas as escravidões que as oprimiam e martirizavam.

Deus nunca cansou de chamar pessoas para trabalhar pelo seu Reino. Ele continua nos chamando para servi-lo. Uns são chamados para o sacerdócio, outros para a vida religiosa ou para a vida familiar.

Sacerdote: a missão do sacerdote é anunciar a palavra de Deus a todas as pessoas e em todas as situações da vida de hoje. É denunciando aquilo que é contrário ao plano de Deus, para que tudo seja transformado pela força do Evangelho.

Vida religiosa: na Igreja algumas pessoas, homens e mulheres ouvem o apelo de Deus e consagram toda sua vida a serviço da comunidade e dos irmãos.

Vida matrimonial: Deus chama homens e mulheres para construírem famílias cristãs. A Igreja nos diz que a família "é uma íntima comunidade de vida e amor, cujo o modelo é o amor de Jesus Cristo por sua Igreja" (Puebla 582).

Pelo batismo e crisma, nós fazemos parte da Igreja e, portanto, somos chamados a participar de tudo de sua vida e missão. Cada cristão recebeu um "dom" que deve colocar a serviço de todos (Cor.12, 7), vivendo em tudo a justiça, a verdade, a solidariedade: na profissão, na vida familiar, na comunidade.

Todo batizado é um "trabalhador" na construção do Reino de Deus. Deus conta com todos nós e com cada um em particular. Unidos no trabalho, na oração e na mesma fé, daremos conta de realizar o plano de amor do Pai.

 

37º Encontro

Os sacramentos

Jesus é o filho de Deus que veio a este mundo para pregar a Palavra. Durante sua permanência entre nós, Jesus procurou ser fiel ao projeto do Pai: perdoou aos pecadores, foi solidário com os pobres, curou os doentes, acolheu os rejeitados e convidou a todos a "mudar de vida" para se salvar.

Ele mesmo diz de si: "Quem me viu, viu o Pai" (João 14, 9). Portanto Jesus é a presença viva de Deus Pai entro os homens. Em outras palavras podemos dizer que Jesus Cristo, é o sacramento do Pai.

Sacramento significa "sinal  visível que, mostra uma realidade que não se vê."

Ninguém viu a Deus, porém se amamos e conhecemos a Jesus, podemos dizer de amar e conhecer a Deus Pai.

Vamos fazer um exemplo bem simples que todos nós conhecemos. Quando um carro chega a uma encruzilhada, antes de passar deve respeitar o sinaleiro. Se o sinaleiro for verde, o trânsito é livre. Se, pelo contrário, for vermelho, deve-se aguardar.

A cor vermelha do sinaleiro indica "perigo". Mas o perigo ninguém enxerga. O perigo torna-se realidade se desrespeitar o sinaleiro.

Um pouco artes de subir ao céu, Jesus confiou a Pedro a tarefa de coordenar e animar a Igreja. Jesus falou assim: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha igreja (Mateus16,18).
A igreja católica continua a obra de Jesus. Todos os batizados, reunidos na comunidade- igreja, são a presença de Jesus neste mundo. Jesus se torna presente entre os homens, pela ação e o trabalho da Igreja.

Por isso podemos dizer que a Igreja é o sacramento de Jesus, porque é o sinal dele aqui na terra!

                     Jesus é sinal - sacramento do Pai  - A  igreja é sinal de Jesus

Jesus continua a nos amar, através da Igreja, por meio dos Sacramentos. Os sacramentos acompanham a vida do cristão, desde o nascimento até a morte:

1. Após o nascimento, a criança é acolhida na Igreja pelo batismo.

2. Jesus nos alimenta e nos fortalece, todos os dias de nossa vida, pela eucaristia;

3. Quando pecamos e nos afastamos de Deus e dos irmãos, somos perdoados pela penitência;

4. A gente se torna "adulto na fé" e decide ser cristão de verdade pelo Crisma;

5. Jesus nos conforta e nos cura quando adoecemos com a unção dos enfermos;

6. Deus abençoa o nosso amor, quando decidimos formar uma família, com o matrimônio;

7. O Pai nos chama para servir sua Igreja e os irmãos pela ordem.

Todos os sete sacramentos vem de Jesus e conduzem a Ele. A pessoa que recebe os sacramentos, porém, deve ter fé. Só assim é possível compreender o significado destes sinais e possuir a força (= graça) de Deus.
Quando o cristão recebe um dos sacramentos, recebe o próprio Deus. Deus age em cada um de nós pelos sacramentos!
Receber os sacramentos é participar da vida da comunidade; é trabalhar em prol dos irmãos mais pobres; é ser um cidadão honesto; é pôr em prática, no dia a dia, o mandamento de Jesus: "amai-vos aos outros como eu vos amei" (João 15,12).

Os sete sacramentos são gestos de amor de Deus para o homem e, ao mesmo tempo, a força de Deus para sermos bons cristãos e viver como Filhos queridos do Pai!

 

38º Encontro

Sacramento do batismo

Naquele tempo Jesus foi da Galiléia ao rio Jordão para ser batizado por João Batista.  Mas João tentou convencê-lo a mudar de idéia, dizendo: "Eu é que preciso ser batizado por você, e você é que vem a mim?". Mas Jesus respondeu: "Por enquanto deixe como está, porque assim faremos tudo o que Deus quer". E João concordou.
Logo que foi batizado, Jesus saiu da água. Ao mesmo tempo veio uma voz do céu, dizendo: "Este é o meu filho querido que me dá muita alegria!"(Mateus 3, 13 - 17).
Jesus não precisava ser batizado, porque não tinha nenhum pecado. O batismo, para Jesus, marca o começo da sua missão. A partir deste momento, Ele inicia a pregação do Evangelho e anuncia que o Reino de Deus já está próximo. Ao despedir-se dos seus Amigos, Jesus entrega-lhe a mesma missão: evangelizar e batizar (Mc.16, 15 - 16).  Nascia, desta maneira, a igreja católica, a igreja de Jesus Cristo.  

Ser batizado então significa ser marcado para seguir a  Jesus Cristo e viver como Ele viveu e agiu. Em outras palavras, pedir o batismo na Igreja católica é a mesma coisa que pedir a fé. E a fé é viver de acordo com a vida e os ensinamentos de Jesus.
O batismo é sinal de fé, de compromisso de viver a união com Deus e com os irmãos. É a força de vida nova: é a vida do próprio Cristo vivo.
Resumindo, podemos dizer que através do batismo: 1) nos tornamos membros da Igreja católica; 2) assumimos nossa condição de filhos de Deus; 3) recebemos a graça do espírito santo para vencer o pecado e praticar o bem e a justiça;
4) assumimos o compromisso de participar da grande missão da Igreja.
O sacramento do batismo é, portanto, um compromisso muito sério. Batiza quem  viver  sua fé de cristão, dentro da igreja.
Mas entre nós ainda continuam muitas idéias erradas a respeito do batismo. Uns batizam para curar doenças, ter sorte, livrar do mau-olhado... Isso não é certo.  Isso é superstição!  Batismo não é "remédio  barato" para curar doenças que qualquer bom médico poderia tratar. Batismo é um "dom de Deus" e por isso não podemos menosprezá-lo!
Na Igreja católica  costuma-se batizar crianças para garantir-lhes um crescimento de
fé, deste o início da vida. No dia do batismo, os pais e os padrinhos se comprometem em educar esta criança na fé cristã, sendo para ela exemplo de amor e caridade.
Esta mesma criança, uns anos mais tarde, irá assumir esta mesma tarefa no dia de sua crisma. A criança se tornou adolescente: pode e deve continuar a caminhada com as próprias pernas!
Durante a cerimônia do batismo são utilizados certos gestos/símbolos. Vamos conhecê-los melhor:
a) a água representa uma vida nova, purificada, cheia da graça de Deus. A água é derramada na cabeça da criança e são pronunciadas as palavras: "F..... eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."
b) a criança é marcada pelo sinal da cruz na testa. Isso quer dizer que a vida, os pensamentos e as ações desta criança estão ligados ao amor de Jesus.
c) passa-se um pouco de óleo no peito e na cabeça da criança, como sinal da força da graça de Deus.
d) a veste branca da criança lembra que no batismo somos "revestidos de Jesus Cristo" para que Ele viva em nós. 
é) a luz/vela que os pais seguram nas mãos é o símbolo da luz da fé que deve ser transmitida ao próprio filho. É receber e viver o mesmo Jesus Cristo que é "luz e verdade."

 

39º Encontro

Sacramento da crisma

Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no e no lugar. De repente, veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval, e encheu toda a casa onde se achavam. E apareceram umas como línguas de fogo, que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram cheios de espírito santo (Atos dos Apóstolos 2,1-4).

O dia de Pentecostes marca o início da comunidade - Igreja. Os Apóstolos tinham recebido de Jesus a tarefa de pregar o Evangelho, mas ainda estavam muito medrosos e sem saber como fazer. Neste dia eles receberam o espírito de Jesus ressuscitado, isto é, foram fortalecidos e confirmados em sua missão pelo espírito de Deus.

Eles deixavam de lado o medo e se espalhavam pelo mundo afora para continuar a mesma missão de Jesus. E Deus se servia deles para construir sua Igreja.

O sacramento da crisma nos torna cristãos maduros e cheios do espírito santo, "mais perfeitamente unidos à Igreja a mais estreitamente obrigados a espalhar a defender a fé por palavras a atos, como verdadeiras testemunhas de Cristo" (Concílio Vaticano II).

No sacramento da crisma o jovem recebe um dom divino,o espírito de Jesus, que o Pai envia a todos aqueles que acreditem no seu filho: "Eu pedirei ao Pai e ele vos dará outro consolador, para que fique sempre convosco" (Evangelho de João 14, 16).

Vamos agora explicar uns gestos o alguns símbolo do sacramento da Crisma.

a) Imposição das mãos

Este gesto é muito antigo. Jesus impõe as mãos para curar e abençoar (cf.  Mt. 9,18). Com este gesto se transmite o espírito santo (Atos dos apóstolos 9,17). Quem aceita a imposição das mãos, aceita que o espírito de Deus anime um vida.

b) Unção com o cria o crisma

O crisma é o óleo que o bispo consagra na manhã da quinta-feira santa. No Antigo Testamento quem era ungido com óleo, era escolhido para assumir uma importante missão no meio do povo de Deus (Sm. 16,1-14; Isaias 61,1). A palavra cristo é a tradução de messias. Todas duas significam o ungido. Jesus portanto, o escolhido do Pai para vir ao mundo a pregar o Evangelho. Veja o que Ele diz de si mesmo: "O espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu" (Lc. 4,18). Todo jovem que recebe a crisma é "ungido-escolhido" por Deus. Ele se torna um "soldado de Cristo": uma pessoa que procura viver sua fé com alegria e firmeza!

c) A unção em forma de cruz

A cruz é o sinal do cristão, da sua salvação. Fazer o sinal da cruz sobre algo ou sobre alguém, significa que Cristo tem direito sobre aquilo ou sobre aquela pessoa. O sinal da cruz, na crisma, significa que somos do grupo de Cristo. Daí em diante, aquele jovem passará a ser um "homem da cruz", consagrado a Cristo.

Normalmente quem administra o sacramento da crisma é o bispo ou um padre por ele delegado. A idade mínima para receber este sacramento é 14 anos.

A escolha do padrinho deve ser muito cuidadosa. O padrinho não precisa ser do mesmo sexo do crismado. Porém deve ser uma pessoa de boa vivência cristã e capaz de ajudar o jovem na sua caminhada de fé.

A Igreja católica precisa de todos nós. Vamos viver e trabalhar unidos, cheios do Espírito Santo e construtores do Reino de justiça e fraternidade.

 

40º Encontro

Matrimônio, ordem e unção dos enfermos

Jesus um dia foi convidado para participar de uma festa de casamento na pequena cidade de Caná, na região da Galiléia. No decorrer da festa, aconteceu que veio faltar o vinho. Para não estragar aquela alegria e os noivos não passarem vergonha, Jesus realizou seu primeiro milagre. Vamos ler juntos o ocorrido: (João 2,2-11).

O homem e a mulher foram criados por Deus para formar juntos uma família. Diz o livro do Gênesis: "O homem deixa pai e mãe e se une a sua mulher e formam uma só carne" (2, 24). Esta é a missão que cada criatura recebe e que a Igreja abençoa através do matrimônio religioso.

Por meio do matrimônio, o homem e a mulher se comprometem a ser fiéis um ao outro até à morte; a se respeitar e ajudar em todas as ocasiões da vida; a criar e educar os filhos e encaminhá-los para a comunidade cristã.

E ainda, receber o sacramento do matrimônio é procurar colocar Deus no próprio coração e na própria família e ser no mundo exemplo de amor verdadeiro, de perdão e diálogo. A família cristã deve ser o instrumento que Deus se serve para continuar a criar e transformar esta nossa realidade humana.

Por isso que a Igreja nos alerta contra os perigos que ameaçam a unidade da família e o amor dos seus componentes. Em primeiro lugar, nós cristãos, devemos rejeitar o divórcio e o aborto, duas formas de egoísmo que destroem o casamento.
Ser cristão é lutar, com todas as suas forças, para manter unida a família e vê-la crescer com harmonia e amor. Quando o homem e a mulher procuram viver unidos a Deus e a Igreja, esta tarefa se torna muito mais fácil e o sucesso da missão mais certeiro!

Todos os homens são chamados à salvação. Para cada pessoa, Deus faz um chamado diferente. A maioria dos homens é chamada à vida matrimonial e outros ao serviço total da Igreja. Estes últimos são chamados de padres.

Deus chama, no meio do povo, uns jovens para serem "ministros" da Igreja e continuadores  da obra de Jesus. Através do sacramento da ordem o jovem se consagra totalmente a Deus e procura servir sua comunidade, pregando a palavra, celebrando a eucaristia, administrando o sacramento, socorrendo os pobres, denunciando as injustiças e construindo a comunidade fraterna.

Para poder servir totalmente a Igreja, o padre renuncia no matrimônio e procura doar toda sua vida e suas energias para o bem dos irmãos e a pregação do Evangelho. A "família" do padre é a comunidade cristã: no meio dela o padre deve ser a presença de Jesus vivo!

Jesus, quando esteve entro nós, procurou acolher e curar todos os doentes que encontrava no seu caminho. Também a Igreja católica deve saber ser solidária com todos os irmãos enfermos ou necessitados. Ela cumpre sua missão, administrando o sacramento da Unção dos enfermos.

Diz são Tiago: "Alguém de vós está doente? Mande chamar o padre da Igreja para que ore sobre ele, ungindo-o com o óleo, em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé" (Tg. 5,14 ss).

A unção dos enfermos é, portanto, a benção da saúde para todos aqueles que estão sofrendo. Não devemos chamar o padre somente quando a doente está no fim de vida.  Devemos procurá-lo quando aparece a doença, para que Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, possa realizar a cura e confortar a pessoa necessitada. Receber a unção dos enfermos é renovar toda nossa confiança no poder de Deus Pai a saber sofrer com coragem e fé.

 

40º Encontro

Sacramento da reconciliação

Jesus contou uma vez esta parábola. Um homem tinha dois filhos. O mais novo, um belo dia, pediu sua parte de herança e se mandou pelo mundo sozinho, deixando para trás sua família.
Longe de casa o moço começou a esbanjar todo o dinheiro e em pouco tempo acabou na miséria.
 Para sobreviver devia roubar a comida aos poucos. Mas a saudade bateu forte e, a uma certa altura, decidiu voltar para sua casa.
O moço estava ainda longe de casa, quando o pai o viu e correu ao seu encontro e o abraçou com muito amor.
 E o pai, cheio de alegria, mandou fazer uma grande festa, porque o filho que tinha perdido, estava novamente junto com ele (Lucas 15, 11 - 24).
O "pai" da historinha é Deus.
 O "filho moço" é cada um de nós,quando não procuramos viver a lei do amor e caminhamos longe de Deus.
Jesus contou esta parábola para nos recordar quanto é grande o amor de Deus Pai.
  A felicidade de Deus é que nós sempre vivamos junto com Ele.
Jesus nos ensina, também, que quando erramos, podemos ser perdoados através do sacramento da reconciliação (ou confissão).
Deus nos criou por amor.
 Ele quer partilhar sua felicidade conosco. Mas, desde o começo, o homem se tornou independente, querendo construir sua felicidade sozinho.
O homem quis ser dono de tudo, esquecendo-se de que ele depende de Deus, o seu Criador.
Pecar é querer viver independente, isolado, longe de Deus e da Igreja.
 Pecar é não ser fiel ao projeto de amor e fraternidade que Jesus iniciou!
Nós sabemos que Deus sempre nos perdoa, quando nós procuramos voltar atrás dos nossos erros.
 Mas um verdadeiro perdão exige uma sincera conversão. "Converter-se" significa "mudar de vida", deixar de pecar, para viver com mais amor e justiça.

Vamos ler juntos o que Jesus, um dia, falou a uma mulher que tinha pecado muito:

João 8, 2 - 11. Jesus perdoou à  mulher, mas pediu-lhe que nunca mais pecasse. Deus, o nosso Pai, sempre nos acolhe de volta, mas exige de cada um de nós, fidelidade e coerência.

Jesus deixou aos seus apóstolos o poder de perdoar os pecados (Mt.16, 18 - 19). Hoje, o padre continua, em nome de Jesus, esta missão na Igreja católica.

Existe um mandamento da Igreja que diz: "Confessar-se ao menos uma vez por ano".  Isso, porém, é somente uma orientação e não podemos levar no pé da letra este mandamento. A gente deve procurar receber o sacramento da reconciliação, toda e qualquer vez que temos certeza de ter cometido uma falha grave com Deus ou com alguém dos nossos irmãos. Neste caso, o perdão recebido nos devolve a graça (= vida, força) de Deus e nos liberta de nossas misérias humanas.
Para fazer
boa confissão é necessário:

a) um bom exame de consciência, isto é: devemos examinar bem a nossa vida para não esquecer nenhum pecado. Antes de procurar o perdão de Deus, devemos saber o que vamos confessar.
b) um sincero arrependimento: não é suficiente pedir perdão.
 Precisa prometer, no fundo do próprio oração que nunca mais se cometerá aquele pecado.

c) uma clara acusação dos pecados: chegando diante do padre, que é o representante de Deus, devemos expor nossos pecados, sobretudo os pecados mortais. Chamam-se ''pecado mortais" aqueles que nos levam longe de Deus e matam a amizade entre nós e o criador ou entre um irmão com seu irmão.
d) a absolvição: após ter ouvido nossos pecados e ter-nos orientado para nunca mais pecar, o padre nos dá o perdão de Deus.
 Assim perdoados, podemos recomeçar uma nova vida.

 

42º Encontro

Eucaristia

Jesus é o filho de Deus que veio entre nós para ensinar-nos a viver como irmãos e filhos queridos do Pai. Aqui na terra Ele amou e serviu aos mais pobres, para mostrar-nos o modo certo de sermos cristãos.

Chegando, pois, a hora de ser preso e morto, Jesus quis reunir, pela última vez, os seus apóstolos para realizar uma ceia. Não era, porém, uma ceia como muitas outras. Era uma ceia de despedida, mas, também, um gesto que os apóstolos deviam aprender para, mais tarde, celebrar e tornar presente Jesus no meio deles.

Vamos ler juntos este trecho do Evangelho que nos lembra a instituição do sacramento da eucaristia: Marcos 14,12-24 (ou Lucas 22,1-20; Mateus 26,17-29).

Durante a "última ceia", Jesus mostrou aos seus amigos que ele devia morrer, mas que sempre ficaria com eles, no "pão e vinho consagrados". A eucaristia (ou Santa Missa) é a comunhão de todos aqueles que acreditam em Jesus e desejam recebe-lo em sua vida, para continuar a missão dele! A palavra eucaristia significa ação de graças; é dizer muito obrigado. É o agradecimento que a Igreja dirige a Deus, pois Jesus se tornou para nós alimento de vida eterna. A eucaristia é também sacrifício. É Jesus que se entrega como vítima ao Pai para a nossa salvação.

Quem comunga com o "corpo e sangue" de Jesus, deve saber,viver unido a Deus e doando-se continuamente aos irmãos. É saber servir e amar sempre. Toda eucaristia deve ser celebrada em comunidade. Esta comunidade nós chamamos de Igreja.

A Igreja é uma assembléia, isto é, uma reunião de pessoas convocada por alguém. Este alguém que convoca a Igreja católica é sempre Jesus. A eucaristia, portanto, é o laço que une entre si as pessoas que tem a mesma fé no salvador. Através deste sacramento, o Pai continua construindo a sua Igreja e continua presente no meio do seu povo, por meio do seu filho Jesus.

Durante a eucaristia nós recebemos o "pão e o vinho" consagrados. Na Bíblia o pão é sinal da fartura e da benção de Deus. O povo oferecia a Deus pão em sinal de agradecimento pelos frutos da terra (Levítico 2). Jesus se declara o "pão do céu" (João 6,35). Durante a missa, este pão produzido pelo trabalho do homem se torna, pela presença do espírito santo, o próprio Jesus no meio de nós. O vinho é sinal de vida e de alegria; sinal da aliança de Deus com os homens (Êxodo 29,40).

Na hora de consagração da missa, este vinho colocado no altar torna-se o sangue de Jesus, derramado por nós para nossa salvação.

Quem vai a missa aos domingos, deve sentir profunda necessidade de comungar. Para fazer isso, porém, precisa estar puro e arrependido do pecado.

Se por acaso achamos que não estamos preparados para comungar, porque estamos longe de Deus e dos irmãos, devemos procurar antes o sacramento da penitência.  Somente quando estamos reconciliados com o Pai e com as pessoas com que vivemos, podemos alegres ir ao encontro de Jesus na eucaristia.

Na missa a figura mais importante é o próprio Cristo, o único e verdadeiro sacerdote. O padre tem a função de dirigir a celebração, ajudando os fiéis a louvar e agradecer ao Pai.

A primeira eucaristia é uma etapa muito importante na vida do cristão. É o momento em que a pessoa começa a participar da "comunhão dos santos". É o primeiro passo para viver sempre unidos a Jesus. Vamos nos preparar bem para este encontro importante!

 

43º Encontro

Como receber a reconciliação e a eucaristia

Estamos encerrando o nosso estudo do catecismo. Ao longo destes dois anos nos reunimos para estudar juntos e conhecer melhor o projeto de Deus contido na Bíblia. Juntos, também, tentamos descobrir o que Deus quer de nós crianças. E agora, chegando ao fim do nosso compromisso, estamos quase aptos a receber Jesus em nossa vida e viver sempre unidos a Ele.
Hoje, ainda uma vez, vamos falar um pouco dos sacramentos da penitência e da eucaristia. Vamos ver como é que a gente deve se preparar para receber o perdão de Deus e comungar com o corpo e sangue de Jesus na santa missa.
No dia marcado para receber o sacramento da penitência nos reunimos na Igreja, procurando chegar bem na hora certa. A nossa preparação inicia com uns cantos e com a leitura da palavra de Deus. Esta última vai nos ajudar a conhecer melhor a vontade do Pai e a pensar na nossa vida.
A preparação ao sacramento começa com o exame de consciência. Fazer um bom exame de consciência significa procurar ficar um pouco em silêncio e pensar nas próprias falhas (ou pecados). Não é necessário fazer um elenco muito cumprido de pecados. Importante é tentar descobrir quais os pecados que mais "atrapalham" nossa vida e nosso relacionamento com o Pai do céu.
Em seguida a gente procura dialogar um pouco com Deus e promete de nunca mais pecar. Para isso é necessário pedir sempre a Deus que nos afaste de qualquer tentação e de qualquer erro. Isso devemos pedir na hora de nossa confissão e todos os dias, em nossas orações, porque somente com a graça (= força) de Deus teremos uma vida santa.
Arrependidos de nossos pecados, podemos ir confiantes receber o sacramento do perdão. Chegando diante do padre, ele nos recebe com umas palavras de carinho e conforto. Em seguida ele nos convida a fazer o sinal da cruz e reza uma prece pedindo a Deus a presença do espírito santo para que ilumine o penitente naquele bom propósito.
Após esta primeira parte, o padre nos convida a acusar (dizer) a Deus quais são as falhas cometidas. Nesta hora devemos falar somente dos nossos pecados e não da vida dos outros! Devemos pedir perdão de nossas fraquezas e não pecados cometidos por outros.
O padre nos ouve com muita atenção e, na hora oportuna, procura dar um bom conselho, sempre a partir da palavra de Deus. O padre, neste momento, é o ministro de Deus e, também, um amigo de confiança para quem podemos abrir nosso coração.

No fim reza-se a oração do "confesso", e logo após o padre nos dá o perdão "em nome de Deus". Deus Pai nos perdoa através de um ministro da Igreja.

Para que a confissão seja completa, devemos cumprir uma "reparação" (ou penitência). É um pequeno "dever" que devemos cumprir e por em prática nos dias seguintes à confissão, como gesto visível do amor que novamente está em cada um de nós.

Todos nós devemos participar com alegria da santa missa todos os domingos. Todos nós devemos chegar sempre na hora certa: chegar atrasado significa não valorizar aquele momento tão importante para nós católicos.

A primeira parte da missa é uma preparação. Inicia-se com o sinal da cruz, cantos, o pedido de perdão. Logo mais se lê a palavra de Deus e o padre as explica nos fiéis presentes.

Após esta primeira parte, o padre consagra o pão e o vinho que se tornam o corpo e o sangue de Jesus chegando no fim da missa, nos aproximamos do momento de comungar com Jesus.

Antes da comunhão é importante ficar um pouco de joelhos e rezar. Estamos para receber em nossa, vida um amigo muito importante: precisamos nos preparar bem para acolhê-lo.
Depois da comunhão é importante ficar ainda um tempinho em oração. Procurar baixar a cabeça e agradecer a Jesus pela sua presença em nosso coração. Jesus está conosco e isso nos dá muita alegria.

A santa missa se encerra com a benção de Deus: é a certeza que o Pai nos acompanhará sempre e nos protegerá com muito carinho.

 

44º Encontro

 Nosso irmão negro

Em 1.500 os portugueses "invadiram" o Brasil à procura de madeira e outras riquezas.  Chegando aqui eles implantaram engenhos e começaram lavouras, mas não dispunham de mão de obra suficiente para estes trabalhos. Por isso decidiram trazer para o Brasil os negras, roubados na África, para serem escravos.

Arrancados de sua terra, os negros foram obrigados a deixar para trás suas famílias, suas tradições e suas crenças. Ao chegar ao Brasil eram vendidos aos grandes fazendeiros e logo obrigados a executar pesados trabalhos.

Calcula-se que em 350 anos de escravidão, mais de 4 milhões de negros foram trazidos da África para o Brasil e hoje o nosso país tem a segunda população negra do mundo, mas o povo negro não nasceu para ser escravo. Na sua terra de origem o negro vivia em pequenas comunidades, livre, trabalhando e progredindo.

Foi por isso que aos poucos os negros foram se revoltando contra os senhores e começaram a se organizar para alcançar a liberdade. Uma das formas que os negros tinham para escapar da dura opressão foi o quilombo.

Os quilombos eram comunidades fraternas na floresta, longe portanto das cidades ou centros habitados, formados por negros que conseguiam fugir dos seus donos.
Cada quilombo era formado por 5 ou seis casas apenas. As vezes chegavam a formar verdadeiras cidades. Estes quilombos eram perseguidos pelos soldados dos fazendeiros. Quando podiam, os soldados destruíam os povoados e matavam os negros. Os recapturados eram levados de volta para os engenhos e duramente castigados.

O maior dos quilombos (e o mais conhecido) foi o de palmares em Alagoas. Este foi o que mais resistiu aos ataques dos fazendeiros. Essa resistência durou 100 anos e foi chefiada por zumbi. O número de negros neste quilombo chegou a 20 mil. Aí se fazia a experiência da fraternidade verdadeira. Era o lugar onde os negros se sentiam iguais de verdade.

Mesmo com a destruição de Palmares e com a morte do seu chefe zumbi, os negros continuaram a fugir dos engenhos da escravidão e se agrupar nas florestas, lutando pela sobrevivência e pela liberdade.

Duzentos anos depois da destruição de palmares, a princesa Isabel assinava o fim da escravatura no Brasil. Mas não foi verdadeira libertação. Para os negros bem pouco mudou. Eles continuavam pobres, doentes, marginalizados e, agora, desempregados. A "lei áurea" não trouxe nenhum benefício ao povo negro. Somente beneficiou os brancos e a economia do país, que não conseguia mais agüentar os altos custos da compra dos escravos.

A verdadeira libertação do povo negro em nosso país ainda deve acontecer é por isso que a população negra, quase 60 milhões no Brasil, está se organizando, para acabar com a discriminação das raças e a miséria que atinge a maioria dos negros.

Em nossa sociedade, ainda hoje, os trabalhos mais duros e pesados são reservados aos negros. São os trabalhos com salários mais baixos. Isso obriga a maioria das famílias negras a duros sacrifícios: morar nas periferias das grandes cidades, sem casas, sem escolas, sem saúde. Isso, ainda, é causa de marginalização. A miséria leva muitos jovens negros à violência, à prostituição, ao vício.

Esta triste situação de miséria deve mudar em nosso país. Deus nos fez irmãos e, sobretudo, livres. Por isso quando um irmão sofre, Deus sempre se coloca ao lado dele.  Vamos conferir: Êxodo (3,7–18).

Ser cristão significa saber respeitar e valorizar o nosso irmão, mesmo quando é diferente. Esse país precisa da contribuição de todos, negros, brancos, asiáticos, etc. Para ser mais próspero e feliz.

Nós crianças não podemos esquecer: somos todos filhos do único pai do céu e formamos aqui na terra uma grande família.

 

45º Encontro

 A semana santa

Todo ano a Igreja católica celebra a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Esta recordação se resume numa semana e acontece no fim da quaresma. Nós católicos a chamamos de semana santa, porque nos faz reviver as horas de sofrimento do Cristo, filho de Deus, até à vitória da ressurreição!

A Igreja, ao celebrar os últimos acontecimentos da vida de Jesus, não quer alimentar saudosas lembranças. A semana santa é uma reflexão do sacrifício de Jesus e um compromisso de libertação ao lado de milhões de irmãos que, ainda hoje, lutam contra a miséria, a marginalização e uma vida indigna.

Jesus continua carregando, em nossos dias  sua cruz nos lavradores sem terra, nos índios desrespeitados em seus direitos, nas crianças abandonadas, nas esposas maltratadas, na juventude aliciada pela droga, nos favelados sem casa, em cada cidadão brasileiro privado de uma vida digna!

Jesus, junto com estes irmãos sofredores, quer ressuscitar, isto é, exige melhores e maiores condições de vida: mais respeito, mais compreensão e solidariedade. Por isso celebramos a semana santa.

Esta semana inicia no domingo de ramos, sete dias antes da páscoa. Nesta celebração lembra-se a entrada de Jesus em Jerusalém, acolhido com muita festa pelos moradores da cidade santa. Jesus estava caminhando para a morte.

Neste domingo os fiéis levam para suas Igrejas um ramalhete de palmeira. Durante a missa este ramalhete é abençoado e, em seguida, realiza-se uma procissão pelas ruas do bairro. No fim da missa o ramalhete é levado para casa e guardado em nossas casas para lembrar a páscoa de ressurreição. Com isso, queremos acolher em nosso coração e em nossa família o cristo que agora vive para sempre e proclamar que Ele é o único Senhor de nossa vida.
Na quinta-feira santa a Igreja lembra a última ceia de Jesus com os seus amigos. Naquela noite Jesus instituiu a eucaristia, que nós celebramos todos os domingos para recordar a vida, morte e ressurreição dele.

A eucaristia é o sacramento do serviço e da comunhão fraterna. Para ensinar isso Jesus fez um gesto muito bonito: Ele que era Deus, se "abaixou" para lavar os pés dos seus amigos. Vamos ler e meditar este acontecimento no Evangelho (Jo 13,1–15).

Na sexta-feira santa a Igreja recorda a paixão e morte de Jesus na cruz. Após ser condenado a morte, puseram nas costas do filho de Deus uma cruz pesada e Ele a levou até o cume do Gólgota. As três horas da tarde, pregado na cruz, Jesus pede perdão por todos os pecadores: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc. 23,34). Logo em seguida, Jesus morre! (Jo 19,17-30).

Em todas as Igrejas, na sexta-feira santa às 15 horas, os cristãos se reúnem para recordar a paixão e morte do salvador. Após a leitura da palavra de Deus, todos são convidados a beijar a cruz, em sinal de respeito e gratidão. Jesus, ao morrer na cruz, salva todos os homens, libertando-os do pecado e da morte. A cruz é sinal de vitória para nós cristãos. A morte de Jesus na cruz antecipa o dia feliz da ressurreição!

No sábado santo, a noitinha, celebra-se a páscoa de ressurreição. A cerimônia é muito bonita e rica de simbolismo. Acendem-se uma fogueira fora da igreja. O padre abençoa o fogo novo, símbolo da vitória de Jesus: Ele é a luz que ilumina o caminho! Em seguida, todos entram em procissão na igreja, cantando. É a vida que volta a triunfar sobre a morte. Na mesma noite, o padre abençoa a água que será usada para batizar as crianças, abençoar as pessoas, nossas casas, os objetos de trabalho e culto. Esta é a noite mais importante do ano: a Igreja está em festa e se alegra porque Cristo esta vivo e caminha ao nosso lado até "os confins do mundo".

A festa continua, no dia seguinte, domingo de páscoa, quando os cristãos se reúnem novamente para partilhar a palavra e comungar com o corpo e sangue de Jesus.

E a vida recomeça. E a vida tem mais sentido. E os homens e as mulheres descobrem novamente que são filhos e filhas queridas do Pai e irmãos entre si.

 
46º Encontro

Nosso irmão índio

Conta uma antiga história dos índios Timbira que "antigamente não havia homem branco, mas somente índios na terra conhecida com o nome de Brasil". Portanto, quando os portugueses chegaram por aqui, em 1.500, para invadir o nosso país, aqui já viviam povos indígenas com tradições, crenças e costumes bem desenvolvidos.

Este grande país não se chamava ainda Brasil, mas Pindorama ou Piratininga, isto terra das palmeiras, terra dos homens livres.

Quando chegou o invasor branco em nossa terra, calcula-se que aqui viviam mais ou menos cinco milhões de índios divididos em tribos. Nós conhecemos quatro nações indígenas importantes em nosso Brasil: Jê, Nu-aruak, Karib e Tupi.

Atualmente no Brasil vivem 140 grupos indígenas, sendo que cerca de 30 grupos vivem isolados, com pouco ou nenhum contato com o homem branco.

Hoje em dia calcula-se que vivam em nosso país mais ou menos 200.000 índios, a maioria deles ameaçados de extinção, por causa da cobiça do homem "civilizado" que quer roubar-lhes a terra e a vida.

Como viviam os povos indígenas antes da chegada dos europeus em nossa terra?  Sabemos que viviam em comunidades, baseadas na fraternidade e na democracia. Vamos ver como isso acontece ainda hoje entre os índios.

A terra pertence a todos e cada família recebe um pedacinho de chão para cultivar.  Quando o primeiro pedaço de terra é abandonado, outra família pode utilizá-lo.

Todos trabalham. As mulheres cozinham, cuidam das crianças, plantam e colhem. Os homens se dedicam à caça, pesca, da derruba das árvores e da defesa da aldeia.

Uma sociedade assim organizada não tem classes sociais, isto é, não tem ninguém que se acha ou pode mais que os outros. Os mesmos chefes da aldeia devem trabalhar para conseguir os recursos para sua alimentação. Neste tipo de comunidade não há, competição. Por isso que os índios Kanela terminam suas partidas de futebol fazendo o possível para empatar. O valor mais importante na tribo é a solidariedade: assim nas épocas de escassez todos emagrecem e passam necessidades voltando ao peso normal nos períodos de abundância. Os filhos e sua educação ocupam um lugar muito importante na vida da tribo. Eles representam o futuro da tribo e o respeito e o amor para eles é demasiado.

Em certas tribos quando os adultos querem conversar com suas crianças, ficam acocoradas, ficando assim num pé de igualdade com elas. Os jogos das crianças imitam as atividades dos adultos: as meninas menores tomam conta dos irmãos pequenos, as maiores mastigam as raízes para fazer bebidas. Os meninos acompanham os velhos carregando armas ou a caça. Uma vida, portanto, ativa, sadia, feliz; o contrário da vida do homem branco nas grandes cidades de hoje, cheias de violências e injustiças.

Hoje em dia é muito comum ouvir pessoas dizendo: ''índio é preguiçoso, índio é atrasado". Quem pensa assim, está errado. Está esquecendo que por mais de 400 anos o índio, o verdadeiro dono deste país, foi morto, caçado, aprisionado e enganado pelo homem branco que cobiçava e roubava suas terras, suas crianças, suas mulheres e todas as riquezas que os índios conseguiam produzir. Quem fala que ''índio é atrasado", desconhece os valores da cultura indígena: principalmente a solidariedade  e a fraternidade, a compartilha e o respeito da pessoa e da "mãe" natureza.

Mas um novo tempo começou: os índios de todo o Brasil, hoje unidos e organizados, estão lutando para defender suas terras e sua cultura. Esta luta de libertação, da escravidão dos brancos, já viu os primeiros mártires tombarem: índios corajosos que foram mortos ao defenderem seus irmãos. Vamos recordar uns destes heróis da causa indígena: índio Zezito dos Kariri; índio Simão da tribo dos Bororo; índio Marçal de Souza, chefe dos Guarani. Homens valentes que derramaram seu sangue para construir um Brasil mais fraterno, para defender os direitos de todos os índios do nosso país.

19 de abril: dia do índio: vamos conhecer este nosso irmão. Vamos respeitar sua cultura e suas tradições. Vamos apoiar sua luta para defender seus direitos.

 

47º Encontro

Dia do trabalho

Todos os anos, no dia primeiro de maio, os trabalhadores celebram o dia do trabalho e as conquistas alcançadas ao longo de muitos anos de sofrimento e luta. Mas como e quando se começou a festejar esta data? Vamos conhecer um pouco de história.

Nos anos de 1.800 (isto é, 180 anos atrás, mais ou menos), as condições dos trabalhadores eram péssimas. Os operários trabalhavam 14, 15 e até 18 horas por dia nas fábricas. Os salários eram baixíssimos, insuficientes para viver. Nas fábricas não havia segurança: aconteciam acidentes e os trabalhadores eram castigados e batidos se não trabalhassem bastante. Muitas fábricas pareciam cadeias. As mulheres e as crianças eram as que mais sofriam: eram mal pagas e trabalhavam tanto quanto os adultos. Essa situação não podia continuar por muito tempo. Por isso os operários foram se organizando para mudar esta situação de exploração.

Em 1.886 os operários dos Estados Unidos estavam muito irritados com seus patrões, porque sabiam que os operários na Europa estavam trabalhando somente oito horas por dia, enquanto eles trabalhavam 16 horas. Por isso decidiram organizar uma greve.

A greve aconteceu na cidade de Chicago. Nesta greve milhares de operários pararam o trabalho e se reuniram na praça para exigir seus direitos.

Os donos das fábricas, em lugar de ouvir as queixas dos operários, mandaram, os policiais ba ter nos trabalhadores. Muitos foram espancados i presos. Isso aconteceu no dia primeiro de maio de 1886.

No dia seguinte os operários voltaram a fazer greve e novamente a policia bateu, prendeu e atirou nos trabalhadores. Mas, mais que nunca, os trabalhadores estavam decididos a conseguir melhores condições de vida nas fábricas.

A polícia, então prendeu 8 lideres dos operários. Eles foram julgados através de um processo falso e cinco deles foram condenados a morte, enforcados que nem Tiradentes
Os oito líderes ficaram conhecidos como os "oito de Chicago". Mas a luta não parou.
Esta grande injustiça deixou todo mundo revoltado e os trabalhadores, agora mais fortes e organizados, conseguiram sua vitória. Em 1.890 o congresso dos Estados Unidos votava uma lei reconhecendo aos trabalhadores o direito de trabalhar somente 8 horas por dia.  Os presos foram soltos e isso se deu no dia primeiro de maio. Por isso que esta data é festa para os trabalhadores: lembra as lutas e a vitória dos operários para garantir um trabalho mais justo, e humano.
A Igreja nos lembra que o trabalho tem um valor muito importante na vida de toda pessoa. É pelo trabalho que o homem consegue o pão de cada dia e contribui para o progresso de toda a sociedade. Através do trabalho o homem continua a obra da criação de Deus transformando-a mais habitável e acolhedora. Portanto o trabalho humano e todos os trabalhos devem ser respeitados e merecem o justo valor.
Mas ao olhar a nossa realidade brasileira, nota-se que o trabalhador não é valorizado suficientemente. Em primeiro lugar não há trabalho para todos neste país: há muitas  dessas pessoas desempregadas, à procura de um "serviço" e o governo está pouco interessado em oferecer possibilidades de trabalho. Em lugar de construir indústrias, gasta-se muito dinheiro nas coisas que não servem para nada e a ninguém.
Em segundo lugar todo trabalhador tem direito a um justo e honesto salário pelo trabalho realizado.
Infelizmente, em nosso Brasil, quem trabalha mais ganha menos. Por conseqüência na casa do trabalhador há miséria, fome e desespero! Enfim devemos lembrar que todo trabalho é digno: não somente o advogado ou o médico tem valor, mas também o humilde braçal ou a pessoa analfabeta: todos estes trabalhos contribuem para engrandecer o nosso país e a desenvolvê-lo.
Dia do trabalho: vamos pensar. Será que nós crianças sabemos dar o justo valor às pessoas que trabalham por nós a cada dia? Como eu, criança, executo os trabalhos que me são cobrados pelos meus pais?

 

48º Encontro

Os santos de junho

O mês de junho chegou e junto com ele muita alegria e brincadeiras. Durante este mês, em todo o território brasileiro, o povo se reúne em torno da fogueira para saborear pamonha, pipoca, canjica e quentão, que os adultos bebem para se aquecer, principalmente no dia 24, cuja noite é considerada a mais longa e a mais fria do ano.

As festas juninas, são muito importantes para o nosso povo: servem para estreitar os laços de amizade e fraternidade entre as pessoas. Ao redor do calor da fogueira, a gente se sente mais irmão e percebemos que somos iguais, com muita vontade de brincar e esquecer as amarguras do dia-a-dia. A "festa" é também um presente de Deus!

Sabe-se que as festas juninas vieram para o Brasil trazidas pelos portugueses. Por sua vez eles as copiaram da corte da França: na Europa era uma tradição dançar, cantar e brincar ao redor da fogueira. Com isso, queria-se espantar os espíritos malignos  e obter uma boa e abundante colheita e muita saúde para todos.

A Igreja católica aproveitou deste espírito  festivo para propor a veneração dos fiéis, três santos muito populares: santo Antônio (dia 13); são João Batista (dia 24) e são Pedro (dia 29). Vamos conhecer a vida e o testemunho destes três santos, nossos amigos.

Santo Antônio, cujo nome verdadeiro era Fernando de Bulhões. Nasceu em Lisboa (Portugal) em 1.195. Foi muito bem educado por sua mãe que era piedosíssima. Aos 15 anos renunciou a todas as vantagens e carreira do futuro, para seguir o exemplo de São Francisco de Assis.

Quando entrou na ordem franciscana , se tornou grande amigo de Francisco e trocou seu nome, passando a se chamar Antônio de Pádua. Com isso queria mostrar a todos que tinha também trocado de vida: de agora em diante queria seguir em tudo o exemplo de Jesus.

Conta-se que um dia uma moça tinha sido seduzida pelo noivo que a abandonou. A moça pediu a santo Antônio uma graça e foi atendida. Ao sair da Igreja, no dia 13, encontrou o noivo à porta. Os dois reconciliados, marcaram o dia do casamento. Dai nasceu o apelido de "santo casamenteiro".

No dia de santo Antônio costuma-se repartir o pão com os mais pobres. É um gesto que Antônio fazia freqüentemente. Os devotos do santo, neste dia, oferecem seus pães para doá-los aos mais necessitados. É um belo exemplo que constrói a fraternidade e a justiça.

São João Batista era primo de Jesus e os Evangelhos falam muito da vida deste santo.  Os pais se chamavam Isabel e Zacarias e foi anunciado por um anjo (Lc. 1,5-25).  Quando adulto, João foi viver no deserto, levando uma vida pobre. Foi ai que começou a pregar: "Convertei-vos e vivei a justiça" (Lc. 3, 7 - 14). Foi João que anunciou e mostrou Jesus ao povo (Jo 1,29-31). E ainda João se encarregou de batizar a Jesus (Mt. 3,13-17). João, o Batista (= aquele que batizava), morreu mártir, fiel a sua missão (Mt. 14,12).

São Pedro é um santo muito querido por todos. Dizem que ele tem as chaves do céu e lá entra quem for amigo dele. Outros dizem que é responsável pela chuva. Tudo isso mostra a simpatia que o povo tem para este santo. Mas vamos conhecê-lo melhor.

Pedro era pescador quando foi chamado por Jesus (Mt. 4,1-22). Era casado. O seu nome era Simão, mas Jesus muda-lhe o nome em Pedro, que significa "pedra". Ele foi escolhido para ser o chefe dos discípulos e da Igreja (Jo 21,15-19).  Jesus gostava de Pedro, mesmo com os seus defeitos e chegou a rezar por ele (Lc. 22,31-34).

Após a ressurreição, Pedro trabalhou para organizar a Igreja (At. 1,15-26), curar os doentes (At. 3,1-10) e pregar o Evangelho.

Morreu em Roma. Segundo a tradição foi crucificado de cabeça para baixo, sem negar a fé no seu amigo Jesus.

Festas juninas: tempo de alegria, brincadeira, confraternização. Mas é também tempo de oração e reflexão. Os santos juninos nos lembram que vale a pena ser cristão e viver do jeito que Jesus nos ensinou.

 

49º Encontro

Independência: ontem e hoje

Nos encontros anteriores vimos e aprendemos, escravidão, conseguiu chegar à liberdade hebreu, após 400 anos de dura escravidão.

Esta liberdade, porém, não caiu pronta do céu: o povo, chefiado por Moisés e sob a proteção de Deus, conseguiu se organizar e, após uma longa luta, obteve a vitória.

Toda libertação é sempre conquistada com muito esforço e muitas dificuldades: às vezes é até necessário sacrificar vidas humanas para se chegar à libertação.

O livro do Êxodo nos ensinou também que toda liberdade conquistada deve ser sempre defendida, porque a toda hora podemos cair novamente na escravidão. Foi por este motivo que Moisés, com muita paciência, procurou ensinar ao povo a viver a liberdade e corrigi-lo toda vez que corria o risco de perdê-la.

Deus fez o homem livre e quer que todos os seus filhos gozem desta liberdade. Toda vez que os homens inventam escravidões e opressões, está-se destruindo o projeto de Deus. Todo ser humano é "imagem de Deus" e o Pai do céu quer que nos amemos e respeitamos como verdadeiros irmãos.

Nesta semana estamos celebrando o dia de nossa independência: no dia 7 de setembro de 1.822 o Brasil se desligava de vez do Portugal e começava sua história.
Dom Pedro I ao gritar "independência ou morte" convidava os brasileiros a se unirem para defender sua própria terra e ganhar a autonomia política. Todos nós somos gratos a dom Pedro por esta coragem que teve. Mas em nossos corações de sinceros brasileiros fica uma grande dúvida: foi uma verdadeira independência? Ao estudar a história do nosso país, descobrimos, com tristeza, que nunca fomos totalmente livres e independentes.
Desde 1.500 o povo brasileiro sempre foi dominado e explorado por outros povos que vieram de fora: primeiro foram os portugueses, depois os ingleses e holandeses e, por último, em nossos dias, os americanos.

O nosso Brasil um país rico: temos muita terra para produzir; temos muita madeira e minérios e temos, sobretudo, um grande povo generoso e trabalhador. Por isso que muitos outros países querem nos dominar.

Desta maneira o Brasil vai ficando sempre mais pobre, enquanto que outros vão se enriquecendo. Por isso que podemos afirmar que a verdadeira independência não foi proclamada. Nós seremos realmente independentes quando todo brasileiro puder ter casa, terra para trabalhar, escola para estudar, saúde, trabalho, lazer, etc.

Até que isso se realize, continuaremos a ser um povo escravo que luta para conquistar sua liberdade.
Lendo os Evangelhos vemos que Jesus, em todo momento, se preocupa em libertar os homens de toda escravidão: cura o doente (Mc. 7,31-35); perdoa os pecadores (Lc. 7,50) ressuscita os mortos (Lc. 7,11-16); expulsa os demônios (Mt. 9,32-34).

Jesus nos ensina que a vontade de Deus é que haja justiça, felicidade, paz e liberdade na terra e nos corações dos homens.

Também nós crianças podemos colaborar com este projeto bonito de Deus, deixando de brigar entre nós, nos respeitando e ajudando as pessoas mais necessitadas. Desta maneira seremos realmente os amigos queridos de Jesus.

 

50º Encontro

Criança, esperança

"Deixei vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus" (Lc.18,16). Falando de criança, vamos conhecer um pouquinho Jesus criança.

Ele nasceu numa família simples. Viveu na cidade de Nazaré com seus pais: Maria e José. Desde pequeno procurou viver a aliança com Deus Pai.

Jesus trabalhava na oficina com José e ajudava sua mãe nos trabalhos da casa. Era um menino obediente e procurava ajudar a todos, principalmente os mais pobres.

Todos os anos na festa da páscoa, os pais iam a Jerusalém. Quando Jesus completou doze anos, subiram à cidade santa, conforme o costume. Após a festa, os pais voltaram para casa e Jesus ficou lá porque tinha uma missão: "Três dias depois, o encontraram no templo sentado no meio dos doutores da lei, ouvindo e fazendo perguntas. Todos que o escutavam, maravilhavam-se da inteligência e de suas respostas. Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens" (Evangelho de são Lucas 2,46.47.52).

Vamos ver como vivem as crianças hoje. Elas nascem numa família que tem o dever de cuidar para que não lhes falte nada e possam crescer sadias e bem educadas e serem felizes. As famílias cristãs procuram educar seus filhos na fé e assim buscam os sacramentos: batismo, eucaristia, confirmação, etc.

Será que todas as famílias do nosso Brasil tem boas condições e se preocupam com todos esses aspectos da vida familiar?

Olhando ao nosso redor, nos bairros mais pobres, lendo os jornais e vendo a televisão, podemos perceber que a realidade da maioria das crianças brasileiras é muito triste: passam fome, falta roupa, estão doentes, não estudam porque faltam escolas e o material escolar é muito caro, não participam da catequese porque os pais não as orientam...

Vemos que com tudo isso vai aumentando o número de menores abandonados; cresce o número de marginais, de jovens que usam "drogas" e outros que praticam roubos e assaltos.

Em Goiânia os centros onde abrigam menores como a Febem e outros, estão sempre cheios. Aí as crianças são maltratadas, afastadas de suas famílias e sempre em contato com outros pequenos infratores: é o caminho da marginalização.

A Lei no Brasil favorece a criança, mas a própria família, às vezes, desfavorece. Aumenta cada dia o número de crianças violentadas no próprio lar.

Durante o mês de maio, o estado de São Paulo, no serviço s.o.s criança, dos 615 telefonemas recebidos, 57 foram de denúncias de agressão contra os pequenos, principalmente crianças de 0 a 12 anos.

Dia doze de outubro celebramos o dia das crianças. O que vamos celebrar se a situação da maioria das crianças tem carência de tudo, sem direitos e sem possibilidades de viver como pessoas?

Você seria feliz tendo uma família em boas condições de vida, de educação e ganhar seu presente, enquanto tantas outras crianças não podem ter o mesmo?

O que você acha que podemos fazer, como cristãos, para melhorar esta triste situação?

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e mãe de todas as crianças, ajudai-nos a sermos mais irmãos e a trabalharmos juntos para o bem de todos os pequeninos.

 

51º Encontro

Nossa Senhora de Guadalupe

"Ave Maria, cheia de graça". Assim começa a oração que nós rezamos mãe de Deus.

Mas Maria não é somente a mãe de Jesus. Foi também a nossa mãe. Na Igreja católica Maria tem muitas devoções e é conhecida com vários nomes: Nossa Sra. das Graças, Nossa Sra. de Fátima, Nossa Sra. do Perpétuo Socorro, etc. Os povos da terra veneram a mãe de Jesus de muitas maneiras, porque Maria é a protetora e redentora do povo cristão.

A nossa Igreja alegra-se de ter em Maria uma padroeira fiel e poderosa, que sempre obtém por nós, a Deus Pai as graças necessárias e nos protege em nossa vida. Nossa Senhora de Guadalupe é nossa padroeira e, ao mesmo tempo, a protetora de toda a América Latina. Vamos conhecer um pouco da história da aparição da Virgem Maria no México.

 Era o sábado de dezembro de 1.531. O índio Juan Diego estava se dirigindo à cidade grande para participar da aula de catecismo. Passando perto do morro de Tepeyac ele ouviu um cantar harmonioso de pássaros. Parecia estar no céu. A um certo momento se fez um grande silêncio e no topo do morro apareceu uma linda senhora que o chamava pelo nome. A roupa da senhora era esplendorosa, igual ao sol.

Logo em seguida a senhora se apresentou ao jovem índio com estas palavras: "Eu sou a Virgem Maria Santíssima, a mãe do Deus verdadeiro e único, o Deus que é o autor da vida, o criador dos homens e o senhor do céu e da terra. Eu quero que neste lugar seja construída uma Igreja em minha honra. Eu quero ser a mãe de todo este povo injustiçado e proteger a todos os que sofrem nesta terra mexicana. Eu quero ouvir todas as vossas lamentações e ir em vosso socorro. Vá meu filho e fala ao bispo deste meu projeto. Eu saberei recompensar tua boa vontade".

Juan Diego foi à casa do bispo e, após a longa espera, conseguiu comunicar-lhe tudo quanto havia escutado no morro de Tepeyac. Mas o bispo não acreditou no moço e se despediu dele às pressas. Diego voltou para casa desconsolado. Chegando perto do morro notou que a senhora estava lá, esperando-o. Logo tomou a palavra e falou: "Minha querida senhora, o bispo não acreditou nas minhas palavras. Eu sou um pobre coitado.  Manda outra pessoa, mais importante e respeitado, para cumprir esta tarefa".

Mas a senhora falou: "Tenho muitos filhos para mandar. Eu quero, porém, que seja você que cumpra esta missão. Portanto, meu filho, eu te ordeno: amanha você voltará a falar com o bispo expondo-lhe o meu projeto".

No dia seguinte, domingo, após a missa, Juan Diego voltou a falar com o bispo. O moço contou os detalhes da aparição e a conversa com a linda senhora. Mas, apesar de tudo, o bispo continuava descrente. Para se ver livre do indiozinho pediu-lhe um sinal. Se esta senhora era realmente a Virgem Maria, devia mandar um sinal para ele acreditar.
Juan Diego contou tudo à senhora e ela o convidou a voltar o dia seguinte para lhe entregar o sinal pedido. Na segunda feira Juan Diego não pode ir ao encontro marcado, porque o tio dele adoeceu gravemente. Na terça feira, de manhã cedo, Juan Diego foi à cidade para chamar o sacerdote para o tio que estava muito doente. Chegando perto do morro de Tepeyac, tentou fugir da senhora dando uma volta mais longa, mas não adiantou.
A Virgem o chamou e lhe indicou o topo do morro. Lá Juan Diego teria encontrado o sinal que o bispo estava aguardando: flores, lindas flores numa terra seca.
O indiozinho correu às pressas para encontrar o bispo. Na gala de espera os criados tentaram mexer com Diego, para saber o que estava escondendo na manta. Quando perceberam que eram rosas raras, ficaram surpresos. Levaram o jovem ao bispo e, diante do prelado, Diego abriu sua manta e as rosas caíram no chão. Na manta apareceu a imagem da santíssima Virgem Maria. Era o sinal que a senhora tinha mandado aos homens incrédulos!
Todos ficaram admirados e caíram de joelhos para venerar aquela imagem muito linda. Juan Diego, pelo contrário, voltou para casa, onde encontrou seu tio, surpreendentemente, curado.