Abrindo a Bíblia você está abrindo um dos livros mais lidos de toda a história da humanidade. Esse livro sagrado já foi traduzido para 1.685 línguas. Antes de você, milhões de pessoas procuraram dentro dele ensinamentos e conforto para sua vida. Elas encontra- ram força e coragem para viver sua fé.

A fé nos diz que a Bíblia é a Palavra de Deus enviada a todos os filhos e filhas dEle.
A palavra dos homens pode errar e enganar, mas a Palavra de Deus não erra, nem engana. Veja o que nos diz a própria Bíblia a esse respeito: "Toda Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, repreender, corrigir; para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e capacitado para toda boa obra" (2 Timóteo 3,16-17).

Esse livro sagrado não caiu pronto do céu. A Bíblia surgiu no meio de um povo do Oriente: o povo de Israel, formado pelos descendentes de Abraão e chamados de hebreus. A Palavra de Deus foi surgindo aos poucos, escrita por homens mulheres pertencentes ao povo de Israel e inspirada por Deus. É Palavra inspirada porque Deus guiou a mente e o o coração das pessoas que estavam escrevendo, para que escrevessem sua divina vontade.

A Bíblia não foi escrita de uma só vez. Levou muito tempo: quase 1.300 anos!

Começou a ser compilada, mais ou menos, 1.200 anos antes de Jesus e terminada 100 anos depois do nascimento de Salvador.

Esse livro, tão importante para nós cristãos, foi escrito em lugares bem diferentes um do outro. A maior parte da Bíblia foi escrita na Palestina, terra onde o povo hebreu viveu e por onde Jesus andou. Outras partes foram escritas na Babilônia, onde o povo de Deus ficou escravo por 70 anos, e no Egito, para onde muita gente se mudou. Por fim, outras partes foram escritas na Síria, na Ásia menor, na Grécia e na Itália.

Por isso é importante estudar com cuidado e muita atenção a Bíblia: ela usa um modo de falar e pensar diferentes do nosso.

Se não soubermos interpretar corretamente sua mensagem, podemos correr o risco de deturpar a mensagem de Deus.

A Bíblia foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego. Foram as línguas que se sucederam na terra onde o povo hebreu morava e eram faladas  pelos povos que escreveram os diferentes livros sagrados.

Dentro da Bíblia nós encontramos de tudo: histórias, provérbios, cânticos, romances, cartas, leis, etc. Mas atrás de tudo isso a Bíblia quer anunciar uma bonita mensagem: conhecer a Deus, Pai e Criador de todas as criaturas!

A Sagrada Escritura é o caminho que leva a Deus e nos ensina a viver como irmãos.

É o livro da felicidade, da fé e da fraternidade que toda criatura deve conhecer, amar e viver, se deseja caminhar na amizade com Deus.

 

A palavra Bíblia vem da língua grega e significa livros. A Bíblia, portanto, é uma verdadeira biblioteca, formada por muitos livros.Nós conhecemos a Bíblia com muitos outros nomes: Escritura Sagrada, Palavra de Deus, História Sagrada, História da Salvação.

Essa "biblioteca" tão importante para nós cristãos, é formada por 73 livros. Alguns desses livros não passam de uma página; outros são maiores. Todos eles, porém, descrevem a história de um povo que viveu a busca da verdadeira felicidade: Deus!

A História Sagrada é o livro que narra a aliança entre Deus e os homens. Isto é, uma profunda amizade entre o Criador e a criatura.

Costumamos dividir a Bíblia em duas partes:

O Antigo Testamento (A.T.) é uma preparação para a vinda de Jesus. Corresponde ao tempo da Antiga Aliança, iniciando-se com a Criação do mundo até o nascimento de Jesus Cristo. Ao longo de todo esse tempo, Deus formou o seu Povo. Primeiramente o libertou da escravidão do Egito, o conduziu para a terra prometida, o educou para que vivesse sempre a liberdade e a fraternidade e o preparou para que recebesse seu próprio Filho.

O Novo Testamento (N.T.) narra a vida de Jesus, seus ensinamentos, seus milagres, sua morte e Ressurreição. Os livros do N.T. nos relatam o nascimento da Igreja; seus primeiros passos e sua atuação à luz do Espírito Santo.

Nele encontramos ainda muitas cartas escritas pelos Apóstolos às várias comunidades da igreja, procurando ensinar e corrigir os primeiros cristãos; animar e orientar a fé dos irmãos, anunciando, enfim, a  B o a  N o v a (= Evangelho) de Jesus.

Costumamos dividir o Antigo Testamento em quatro partes:

1) Pentatêuco 2) Livros sapienciais 3) Livros históricos 4) Livros proféticos

O Novo Testamento, por sua vez, divide-se em:

1) Evangelhos 2) Atos dos Apóstolos 3) Cartas dos Apóstolos 4) Apocalipse

Para facilitar sua leitura, a Bíblia foi dividida em capítulos e versículos. Isso aconteceu no ano de 1.228 pelo cardeal Langton.

A Bíblia toda possui 1.333 capítulos e 35.700 versículos.

O "capítulo" na Bíblia corresponde a um trecho mais comprido, formado por vários versículos. O "versículo" é um trecho mais curto, formado por uma frase ou menos ainda.
Na Bíblia católica os capítulos e versículos são indicados por números progressivos, com a diferença de que os números que indicam os capítulos são de tamanho maior enquanto os versículos são indicados por números de tamanho menor.

Cada livro da Bíblia possui uma abreviação específica. Por exemplo: o livro do Gênesis, o primeiro de todos, abrevia-se com as letras Gn.; o livro do Êxodo abrevia-se com as letras Ex.; o Evangelho de Mateus com as letras Mt.; o livro do Apocalipse com as letras Ap., etc. As abreviações são muito usadas na citações de passagens bíblicas.

Vejamos agora como podemos encontrar um trecho na Bíblia. Precisando ler Jr. 20,7-9, deve-se procurar no Antigo Testamento o livro do profeta Jeremias. O livro possui 52 capítulos. Nós estamos interessados, porém, no capítulo 20. Quando o encontrar, noto que o capítulo tem 18 versículos. Lendo-o atentamente, vou a procura dos três versículos interessados: os de número 7, 8 e 9.

A Bíblia é o maior presente que Deus deixou para nós. Vamos aprender a gostar dela, lendo diariamente a Palavra Sagrada e pondo em prática seus ensinamentos. A leitura cotidiana da Bíblia nos permite conhecer a Vontade de Deus, experimentar o seu amor em nós e assim conduzir nossa vida no rumo da Justiça e da Fraternidade.

 

Todos os dias, ao ler o jornal, encontramos noticias de guerra e de violência que ameaçam a paz do mundo. Os homens não se respeitam mais e a humanidade parece destinada à destruição total. A fome e as doenças estão, a cada ano, matando milhões de pessoas. Os nossos governantes não encontraram ainda soluções eficazes a tanto sofrimento. Muita gente se pergunta: será que isso é vontade de Deus? O que Deus quer para os homens e as mulheres deste mundo? O que fala a Bíblia a este respeito?

Ao abrir a Bíblia encontramos, logo nas primeiras páginas, duas narrações da criação do mundo. Vamos ler com atenção a primeira narrativa (Gn. 1,2-3).

Este trecho do Gênesis não pretende descrever, cientificamente, a criação do mundo. Não era esta a preocupação do autor sagrado. Esta passagem bíblica era uma oração de agradecimento que o povo hebreu rezava nas celebrações, louvando e agradecendo a Deus pela criação. Rezando assim, o povo renovava sua fé no Deus, criador de todas as coisas. O povo de Deus tinha certeza que o único autor da vida era Javé e que Ele, ao criar todas as maravilhas da terra, "tinha feito bem todas as coisas", mostrando seu amor e carinho para toda a humanidade.

A narração da criação se realiza em sete dias. Nos primeiros três, Deus se preocupa em separar as coisas que estavam confusas. No primeiro dia separa a luz das trevas; no 2º dia separa as águas superiores das águas inferiores e no terceiro dia separa o mar da terra e faz brotar todo tipo de planta.

Esta descrição nos ensina que a natureza é fonte de vida, quando é respeitada e preservada como obra de Deus. A confusão e a morte não estavam (nem estão hoje) no plano do Criador. As secas, inundações, doenças e guerras existem porque o homem estragou a beleza da criação.

Nos outros três dias a Criação continua e Deus passa a "embelezar" e enfeitar a terra, criando o sol, a lua e as estrelas (4º dia), os peixes e as aves (5º dia); os animais terrestres e, no fim de tudo, o homem (6º dia). A criação se torna perfeita somente quando aparecem o homem e a mulher, criados a "imagem e semelhança de Deus".

No sétimo dia Deus descansou: tudo estava bem feito e agora podia entregar ao homem a sua obra prima para que tomasse conta dela.

Deus confia ao homem a responsabilidade de cuidar bem da criação. Todas as coisas da terra estão submissa ao homem. Mais ainda, a criatura recebe de Deus o poder de continuar esta obra, usando sua inteligência, renovando e multiplicando o dom da vida.

Mas que uso fez o homem do mundo criado por Deus?

A segunda narração da Criação se preocupa mais com o próprio homem. Vamos ler juntos: Gênesis 2, 4 até 25. O homem vem do barro e é obra de Deus. Mas comparado com os animais o Homem é diferente. O homem possui o hálito, isto é, o sopro da vida que vem de Deus e o torna semelhante ao Criador.

Esta narração do Gênesis conta também como Deus criou a mulher. É importante notar que Deus tira a mulher da costela do homem: isso quer dizer que a mulher tem a mesma dignidade do homem. Os dois são iguais, com os mesmos direitos e deveres. Juntos, homens e mulheres, devem continuar a obra da Criação iniciada por Deus: preservar a Vida, defendendo-a de toda ameaça e perigo!

Se o mundo anda tão ruim hoje, portanto, a culpa não é de Deus. A culpa é de todos nós, homens e mulheres, que não sabemos usar bem as coisas criadas. Poluímos os rios, acabamos com as matas, matamos os animais, criamos desequilíbrio na natureza, enchemos o ar de gazes tóxicos, construímos cidades desumanas e, por fim, nos matamos uns aos outros movidos pelo pecado da vingança e do ódio. Mas Deus nos garante que para tudo isso tem remédio. Se acreditarmos no seu Filho e vivermos o Evangelho, podemos voltar à harmonia e à beleza da antiga Criação.

Depende somente de nós: de cada um de nós!

 

Na aula anterior aprendemos que Deus criou o homem e a mulher para felicidade total. Os criou iguais entre si, a sua própria imagem e semelhança, colocando-os num "jardim" (Gn. 2,15) e lhes entregou uma missão: defender e preservar a Vida e a Criação toda!

No "jardim" havia harmonia e amizade entre Deus e a criação, a tal ponto que a Bíblia nos diz que Deus passeava e conversava amigavelmente com Homem. Além disso existia paz e respeito entre o Homem e os animais "e o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens" (Gn. 2,20) e a natureza produzia tudo o que as criaturas precisavam para as suas necessidades "eis que vos dou toda erva de semente, que existe sobre toda a face da terra, e toda árvore que produz fruto com semente, para vos servirem de alimento" (Gn. 1,29).

 No "jardim" havia amor e compreensão entre o homem e a mulher: Os dois, unidos por Deus na mesma missão, cresciam e se multiplicavam, continuando assim a obra do Criador. "Deus criou o homem a sua imagem, à imagem de Deus os criou, macho e fêmea ele os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei e subjugai a terra" (Gn. 1,27-28)

Era a felicidade verdadeira. Este "jardim", nos diz a Bíblia, era o paraíso terrestre!

No Paraíso o homem e a mulher tinham a possibilidade real de

Mas o homem traiu a confiança de Deus e escolheu percorrer outro caminho, diferente daquele traçado pelo Criador. Era o pecado!

Pecar significa não viver os mandamentos de Deus e levar uma vida longe dEle. A Bíblia nos conta, através de uma história, de que maneira o Homem pecou e porque Adão e Eva receberam de Deus a ordem de o não comer o "fruto da arvore proibida" (Gn. 2,17). Dependia somente dos dois decidir: ou confiar na Palavra de Deus e continuar a viver a felicidade ou perder o Paraíso (i. é., a amizade com o Criador) e viver no egoísmo e na soberbia. O homem e a mulher, tentado pelo mal (representado pela serpente) preferiram desconhecer a ordem de Deus e viver longe dele. Por isso os dois perderam o Paraíso e a partir daquele momento o sofrimento, a morte e a doença entraram no mundo e estragaram a Criação. "Para o homem Deus disse: com fadiga tirarás da terra o alimento durante toda a vida. Comerás o pão com o suor do rosto, até voltares à terra, donde foste tirado. Pois tu és pó e ao pó hás de voltar" (Gn. 3,17-1)

Mas o Paraíso não está perdido para sempre!

Nós podemos alcança-lo e viver a felicidade verdadeira, se voltarmos a viver a amizade com Deus. Para isso é necessário deixar de ouvir a "voz da serpente" e viver, com firmeza, a Palavra de Deus.

Apesar do pecado, Deus não abandonou o Homem. Continuou a cuidar dele: "e o Senhor Deus fez para o homem e a mulher túnicas de pele e os vestiu". (Gn 3,21); protegê-lo: "mas o Senhor lhe disse: Pois bem. Se alguém matar Caim será punido sete vezes" (Gn. 4,15); e ampará-lo (Gn. 6,1 até 9,17). Deus quer, junto com as criaturas reconquistar e reconstruir o "paraíso", garantindo assim ao homem e à mulher uma vida feliz. Por isso enviou seu Filho Jesus para nos libertar do pecado e de todas as injustiças e abrir as portas do céu: este é o Paraíso.

Como seria, então, a descrição do Paraíso hoje? Eis um exemplo: "Um Brasil desenvolvido: cada família morando em casa própria, sem brigas entre os casais. Cada trabalha- dor com trabalho e salário garantido. Uma reforma agrária justa, onde o lavrador tenha terra e recursos para viver. Um mundo sem drogas e bebedeiras, sem fome e guerras, livre de roubos e assaltos ...

Isso poderia ser o começo do "Paraíso" que vamos reconstruir.

 

Os primeiros capítulos do Gênesis narram a criação do mundo e mostram qual era o Projeto originário de Deus para tornar a criatura feliz e viver para sempre. Sabemos que foi o pecado de desobediência e de orgulho, que afastaram a criatura do próprio Criador. A conseqüência disso foi desastrosa: a partir daquele momento, o sofrimento e a morte entraram no mundo. Lendo com atenção a Bíblia, descobrimos também como o egoísmo, a violência e o ódio apareceram na terra para estragar a vida dos homens.

Se a maldade parece reinar em nossa vida e na sociedade, é porque as criaturas, se esqueceram de Deus, deixando de ouvir sua voz e praticar seus mandamentos. Vamos ler, meditar e conversar a respeito destas quatro narrações da Bíblia que explicam a origem do mal no mundo.

O pecado de Adão: "desligar-se" de Deus (Gn. 3, 1 - 24)

Adão é uma palavra hebraica que quer dizer homem. Então "Adão" é cada homem que vem a este mundo! Os primeiros "Adãos" não obedeceram à Palavra de Deus e resolveram fazer por sua conta. Desobedecendo ao mandamento do Criador, deixaram de serem felizes. Querendo ser iguais a Deus, romperam a amizade com o Criador e passaram a experimentar a morte, a doença e o sofrimento. Todas as vezes que deixamos de ouvir a Palavra de Jesus, cometemos o pecado de Adão, nos afastamos de Deus e deixamos morrer, dentro de nós, a Graça, a Vida divina.

O pecado de Caim e Lameque: odiar, matar e vingar-se (Gn. 4, 1 - 26)

Longe de Deus, a vida na terra foi de mal a pior. Não respeitando a lei do Criador, a única lei que sobrava era da violência. Cada um pensava somente em si. Os homens começaram a ficar gananciosos e cada um queria se apoderar daquilo que o outro possuía. A vida não tinha mais valor: se matava para ter mais. O respeito e o perdão tinham perdido seu sentido: somente a violência e a vingança tinham vez na terra. O Homem, porém, foi criado para amar e viver em paz com seus semelhantes: este é o verdadeiro Paraíso, a felicidade que nós desejamos e precisamos conquistar!

O dilúvio: usar Deus e a religião em proveito próprio (Gn. 6,1 até 9,29)

O dilúvio foi uma grande enchente que acabou com tudo. O homem bíblico viu nisso o castigo de Deus, diante de tanta maldade praticada pela humanidade. Os homens haviam deixado de lado o verdadeiro Deus, para correr atrás de feitiços e superstição. Deus não podia aceitar isso. Por este motivo varreu a terra com o dilúvio. Isso acontece ainda hoje quando os homens correm atrás das falsas "religiões" que enganam e tiram proveito para si ou quando transformamos Deus em "quebra-galho" para resolver problemas pessoais. Deus não pode ser confundido com a magia, a superstição ou o feitiço.

A torre de Babel (Gn. 11, 1 - 9)

Os homens queriam ser os únicos donos do mundo. Queriam chegar até o céu e ocupar o lugar de Deus Mas estavam muito enganados. Estavam cometendo o pecado de arrogância. Por isso foram castigados: Deus confundiu suas falas, de maneira que ninguém se entendia mais. O homem não é Deus e nem o dono do mundo. Pretender tal coisa, só pode dar confusão.

Esta é a história da maldição que a Bíblia conta e mostra que a felicidade e o bem-estar do homem são alcançados na fidelidade da Aliança com Deus. Quando a criatura humana se afasta do Criador, só encontra confusão e morte!

Unido a Deus e na comunhão de nossa Igreja, teremos a certeza de viver a "vida em abundância" que Jesus Cristo nos prometeu. A escolha é sempre nossa!

 

6º Encontro

Abraão e Sara

Grandes homens fizeram a história de muitos povos. Pelo amor a seu país,pela dedicação à causa da justiça, pelo que realizaram em proveito de todas as pessoas, tornaram se heróis do povo e personagens inesquecíveis. Na história do povo de Deus acontece a mesma coisa.

O livro do Êxodo fala da vocação e missão de um homem que soube realizar com fidelidade o projeto de Deus: Abraão. Deus precisava de uns amigos fiéis para trazer novamente a benção (= felicidade) aos homens que tinham se afastado dele. O primeiro amigo que respondeu a este chamado foi Abraão. Com ele começa a história de um novo povo do qual nasceria o Salvador. Com Abraão começa a História da Salvação, i.é, Deus e os "homens de boa vontade" caminham nova- mente juntos para viver a justiça e amizade e reconstruir a fraternidade. Vamos conhecer as etapas fundamentais da vida de Abraão e aprender dele o jeito certo para responder ao chamado de Deus e viver com alegria a nossa fé.

A vocação de Abraão (Gn. 12,1-9)

Abraão e sua esposa viviam na cidade de Ur. A vida toda trabalharam para conseguir uma terra para cultivar. Este era o maior desejo deles. Abraão era um homem de fé: sabia escutar a voz de Deus na sua vida e na sua consciência. Um dia, Deus disse a Abraão: "Sai de tua pátria, com tua família e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti um povo muito grande". Abrão confiou na Palavra de Deus: deixou sua terra e seus parentes e, junto com sua família, partiu em direção da "terra prometida".

Promessa de Deus a Abraão (Gn. 12,2-3)

Quem confia no chamado de Deus, nunca fica desamparado. Abrão confiou e os seus descendentes receberam de Deus o prêmio merecido: a terra com muita fartura, um povo numeroso como as estrelas do céu e a proteção eterna de Deus.

Não foi fácil para Abrão acreditar na promessa de Javé. Sara não tinham mais condição de ter um filho: os dois já eram velhos (Gn. 18,11-12). Mesmo assim Abrão não quis duvidar da promessa divina (Gn. 18,10). Quando nasce Isaac, o filho da promessa, Abraão constata que Deus é sempre fiel naquilo que promete! Para Deus nada é impossível!

A fé transforma e converte a vida (Gn. 12,10-20)

Nem tudo foi fácil na vida de Abrão. Além disso Abrão não era perfeito. Ele havia respondido SIM ao chamado de Deus, mas precisava ainda mudar muitas coisas erradas em sua vida. Isso nos ensina que ninguém nasce santo. Todos nós nos tornamos "santos" (i.é, amigos íntimos de Deus), na medida que procuramos viver com retidão a Palavra revelada por Deus e realizar com fidelidade à nossa vocação cristã. Santidade é uma conquista de todos os dias, procurando viver bem na família, na escola, em todo lugar!

Deus faz Aliança com Abraão (Gn. 15,12-21)

Aliança significa "acordo, compromisso". Através disso, duas pessoas fortalecem sua amizade e se obrigam a um compromisso recíproco. Deus também fez uma Aliança com Abrão: a partir daquele dia, Deus nunca se esqueceria do seu amigo Abrão e de seus descendentes. Em troca, Abrão jurava fidelidade ao Deus único e verdadeiro, Criador de todas as coisas!

Esta Aliança continua até hoje. Deus renova sua Aliança com os homens, no sacrifício da Santa Missa. Jesus Cristo, com sua morte e Ressurreição, garante a presença de Deus em nossa vida.

Deus muda o nome de Abrão (Gn. 17,1-8)

Para o povo hebreu o nome era muito importante. O nome identificava a pessoa toda e somente aquela pessoa. Quando Deus muda o nome de uma pessoa, significa que ela é revestida de uma missão muito importante. A partir daquele momento, aquela pessoa passa a viver somente ao serviço de Deus.

A prova de fogo (Gn. 22,1-12)

Abraão e Sara, em idade já avançada, deram a luz um filho: Isaac. Este filho era a certeza de que a Palavra de Deus estava cumprida. Mas Deus queria experimentar, ainda uma vez, a fé do seu amigo Abraão. Pediu-lhe que sacrificasse a vida de Isaac sobre um altar. Abraão, mesmo sem entender, aceitou a ordem. Constatada a fidelidade e obediência de Abraão, Deus salva a vida de Isaac.

Muitas vezes, nós também, não entendemos os planos de Deus em nossa vida. Ele quer nos experimentar, mas no fim é sempre a Vida e a felicidade que Deus quer para sua criatura. Abraão é o modelo do homem de fé e obediente à Palavra de Deus. É assim que devemos viver nossa vocação cristã e caminhar sempre à presença do Altíssimo!

 

Nós já sabemos que Abraão e Sara, em idade bem avançada, foram abençoados com um filho. O povo contava muitas histórias sobre Isaac. Uma delas, talvez a mais bonita referia-se ao seu casamento. Vamos ler com atenção esta narração no livro do Gênesis (cap. 24).

Abraão já era muito velho e queria que Isaac casasse com uma moça que pertencesse ao seu povo. Um belo dia mandou o servo Eliezer procurar uma noiva para o filho. Eliezer chegou perto de um poço, à tardinha.

Era a hora em que as mulheres iam buscar água no poço. O servo de Abraão pediu água para si e seus camelos. Uma moça jovem e bonita, Rebeca, logo se prontificou oferecendo-lhe o jarro com água. Eliezer, grato por este gesto de carinho. quis conhecer os pais da moça. Foi ai que descobriu que pertencia ao mesmo povo de Abraão, o povo hebreu, o Povo da Promessa.

O servo ficou feliz e ofereceu a Rebeca muitos presentes. Em seguida pediu que Rebeca aceitasse casar-se com Isaac. O pai dela concordou e a jovem deixou sua casa para casar-se com o filho de Abraão. Os dois viveram muitos anos felizes, abençoados por Deus.

Quando há amor e respeito na família, Deus sempre está presente naquele lar!

Vários anos depois, Rebeca deu à luz a dois gêmeos. O primeiro a nascer foi Esaú, que quer dizer "ruivo". Era um menino meio avermelhado e cabeludo. Cresceu forte, valente e brincalhão. Sabia caçar muito bem.

O outro filho era um menino mais fraco e com poucos cabelos: chamava-se Jacó. O pai Isaac gostava mais de Esaú, porque era forte e corajoso. A mãe, pelo contrário, preferia Jacó.

Conforme o costume do povo hebreu, o filho mais velho tinha direito à maior parte da herança do pai. Além disso, o mais velho herdava a benção de Deus, i.é., a proteção de Javé. Ao fazer isso se comprometia em continuar a missão pai: construir um grande povo.

Esaú, portanto, era o candidato natural para ganhar a benção e os bens do pai.

Um belo dia Esaú voltou faminto do campo. Jacó estava acabando de preparar um prato de lentilhas muito gostoso. Esaú pediu ao irmão aquele prato de comida para matar sua fome. Jacó lhe deu o prato, mas em troca pediu que lhe entregasse o direito à herança. Esaú, quase por brincadeira, aceitou. A partir daquele momento, Jacó se tornava herdeiro da benção de Deus e dos bens do pai Isaac.

Com a ajuda da mãe Rebeca, Jacó conseguiu que o pai o abençoasse e, daí para frente, ele se tornava o grande Amigo de Deus, aquele que devia continuar a obra de Abraão.

Vamos ler juntos o cap. 27 do livro do Gênesis para ver como Jacó foi abençoado.

Mas a Bíblia conhece muitas outras histórias a respeito de Jacó. Conta-se que um dia Jacó teve um sonho. Ele sonhou com uma escada que subia até o céu. Pela escada iam os anjos de Deus e o mesmo Deus estava de pé diante de Jacó.

O Senhor Deus falou a Jacó: "Eu estarei sempre contigo e te abençoarei". Jacó construiu ai um santuário para agradecer ao Senhor (Gn. 28,12-15).

Outra vez Jacó foi atacado, no meio da noite, por um homem, enquanto estava atravessando um rio. Os dois lutaram até de madrugada (Gn. 32,25-26).

  Ao raiar do sol, o misterioso homem se revelou: era o anjo de Deus. O anjo falou: "De hoje em diante não te chamarás mais Jacó e sim Israel, porque lutaste com Deus". E Deus abençoou o seu amigo Israel. dando-lhe fartura e prosperidade. Jacó casou com Raquel e tiveram doze filhos, que deram origem às doze tribos do povo hebreu. Deus estava cumprindo a promessa feita a Abraão: "um povo numeroso como as estrelas do céu".

O cristão autêntico luta todos os dias com Deus, procurando entender os desígnios do Criador, com fé viva e a prática da justiça. Mesmo nas horas da dor e do sofrimento, não desanima, mas confia e ora ao Pai!

Todas essas histórias ensinam a viver sempre a Palavra de Deus e a ficar unidos ao novo povo que é a Igreja, para podermos experimentar o amor de Deus em nossa vida e realizar a verdadeira felicidade.

 

8º Encontro

A história de José

José nasceu quando seu pai Jacó (= Israel) já era bem velho. Jacó gostava muito deste seu filho e quando José completou 17 anos. deu-lhe como presente uma roupa muito bonita.

José trabalhava com os seus irmãos no campo, pastoreando as ovelhas e vigiando os animais. Mas os irmãos não gostavam do pequeno José. Estavam com ciúme dele.

Um dia José teve um sonho. Ele contou o sonho aos irmãos. "Sonhei que a gente estava colhendo espigas no campo e aconteceu que a minha espiga se levantou de pé e as de você ficaram ao meu redor se inclinando e ajoelhando-se diante de mim". Responderam seus irmãos: "0 que quer dizer com isso? Que você deve mandar em nós?". E eles ficaram com mais raiva de José e decidiram livrar-se dele.

Um dia aconteceu que perto do lugar onde trabalhavam, passou uma caravana de mercado rés e decidiram vender seu irmão José aos estrangeiros. Em troca receberam 20 moedas. Ao voltar para casa, contaram ao velho Jacó que tinham encontrado uma roupa cheia de sangue, mas de José nenhum sinal. O velho pai chorou muito a morte do seu querido filho.

José foi levado para terra chamada Egito. Graças ao dom de interpretar os sonhos, um belo dia José foi chamado diante do rei do Egito. o rei acabava de ter um sonho e não sabia explicá-lo. O sonho era o seguinte: o rei estava às margens do rio Nilo e viu subir sete vacas gordas para pastar. Mas logo atrás delas subiram do rio outras sete vacas fracas e magras que devoraram as 7 vacas gordas (Gn. 41,1-7). E José explicou o sentido do sonho. Vamos ler juntos na Bíblia: Livro do Gn. 41,14-36).

A interpretação que José deu ao sonho, se cumpriu à risca. Com isso foi evitada uma grande desgraça para o povo do Egito. Para premiá-lo, o rei o nomeou seu vice, o homem mais importante após o rei.

O jovem José administrou com muita sabedoria e foi muito querido por todos.

Aconteceu que na terra onde seu pai e seus irmãos moravam, veio faltar comida. Todo mundo foi obrigado então a procurar trigo no Egito. Também os irmãos de José foram até lá para comprar alimentos.

Os filhos de Jacó se apresentaram diante de José. mas não o reconheceram. Pelo contrário, José os reconheceu logo, mas não falou nada.

José, como se estivesse desconfiando da honestidade deles, pediu que fossem buscar o irmão caçula Benjamim, que ainda não conhecia. os irmãos voltaram para trás a fim de buscar o irmão mais novo, mas Simeão, o mais velho, ficou como refém na casa de José.

Trouxeram Benjamim. Quando José o viu, chorou. Mas eles não repararam. José levou seus irmãos para comer. Na hora de voltar para sua casa, levando consigo o trigo, José mandou os seus servos esconder, no saco de trigo de Benjamim, uma taça de prata. Os irmãos não repararam e partiram. Mais tarde José mandou os soldados atrás dos irmãos para procurar a taça. Todos foram trazidos de volta à presença do vice-rei. Quando os viu novamente, José não se dominou mais e falou: "Eu sou José. Meu pai ainda está vivo?" (Gn. 45,2).

Os irmãos ficaram perturbados, mas José lhes disse: "Não se preocupem. Foi para o bem de vocês que Deus me mandou para cá. Voltem e contem ao nosso pai que estou vivo e peço que venha para cá. Aqui cuidarei dele e de vocês todos".

Assim Jacó, seus filhos e suas famílias foram morar no Egito e Deus abençoou a vida deles, dando-lhes paz e prosperidade.

Os irmãos de José tomaram posse das melhores do via tranqüilo Jacó viveu foi levado de enterrado.

A história dos amigos de Egito e as cultivaram. O povo viu se multiplicava. ainda 17 anos e quando morreu volta para terra de Canaã e al de José nos ensina que para ser Deus, devemos praticar o perdão saber perdoar sempre e a todos, mesmo quando os outros nos ofenderam e prejudicaram.

Perdoar ao irmão é um gesto de AMOR. Jesus na cruz perdoa aos seus assassinos. Isso é o caminho para construir um mundo melhor, mais fraterno e mais justo.

 

9º Encontro

A escravidão no Egito

  O segundo livro da Bíblia chama-se Êxodo e narra os episódios que levaram à libertação do Povo de Deus, da dura escravidão do Egito e à conquista da terra prometida. Êxodo significa "saída, passagem". Vamos conhecer essa história e refletir sobre a nossa situação de hoje.

O pai Jacó, José e seus irmãos morreram no Egito e os descendentes deles tornaram-se cada vez mais numerosos: multiplicaram-se tanto, que encheram todo o Pais do Egito (Êx. 1,7).

Após uns anos, começou a governar no pais outro faraó (rei), que nada sabia de José.

O novo faraó temia que os israelitas se tornassem demasiadamente poderosos e que se colocassem do lado

dos inimigos do pais, em caso de guerra. Por isso começou a oprimir e perseguir o povo hebreu, obrigando-o a duros trabalhos forçados.

O faraó obrigou os israelitas a construir cidades para si, mas, apesar de tudo isso, os hebreus cresciam sempre mais. O faraó não queria mandá-los embora, porque eles trabalhavam muito e o rei pagava pouco! O trabalho se tornava sempre mais pesado: os israelitas deviam preparar tijolos para construir as grandes cidades e trabalhar na roça para produzir alimentos.

Aos poucos todo o povo hebreu tornou-se escravo do faraó do Egito. Eram mal pagos e por isso passavam fome e viviam na miséria. Mas, apesar de tanta dor, o povo de Deus continuava a ter muitos filhos e ficar numeroso. Isso amedrontava o faraó. Por isso o rei ordenou que os hebreus fossem submetidos a trabalhos ainda mais pesados (Êx. 1,14).

Vendo que seus esforços não davam em nada, com o coração cheio de ódio, o faraó baixou uma nova lei, mais cruel ainda. Chamou as parteiras do Egito e falou-lhes: "Quando assistirdes as mulheres hebréias no parto, prestai atenção ao nascer da criança: se for menino, matai-o; se for menina, deixai viver" (Êx. 1,16). Mas as parteiras sabiam que esta ordem ia contra a vontade de Deus e não fizeram o que o faraó mandou. E Deus abençoou a vida das parteiras, porque souberam desobedecer a uma ordem injusta! O Povo hebreu continuava a crescer em número e força. Muito aborrecido, o faraó deu outra ordem. Esta vez a todo o povo do Egito: "Lançai no rio Nilo os meninos hebreus recém-nascidos, mas poupai a vida das meninas" (Êx. 1,2). O Povo hebreu viveu 430 anos no Egito, sempre alimentando uma esperança: ser libertado por Deus e voltar para sua terra.

Muitos povos, ainda hoje, vivem em situações de opressão e miséria igual ao do Povo hebreu. Todos anseiam para mais liberdade e justiça. Deus sempre está ao lado dos que lutam pela defesa dos direitos humanos.

Também em nosso Brasil, muitas injustiças são come- tidas contra os mais fracos: crianças desnutridas, sem escolas e saúde; pais sem empregos ou com salários muito baixos; lavradores sem terra para trabalhar, etc. Deus não quer ver ninguém sofrer, porque somos todos irmãos!

Enquanto muitos padecem e morrem à mingua, do outro lado, um grupo bem pequeno de brasileiros privilegiados tem uma vida folgada, permitindo-se de viver do supérfluo!

Nós cristãos devemos trabalhar para construir uma sociedade mais fraterna, onde todos tenham os mesmos direitos. Mas para isso devemos lutar unidos: os pobres e excluídos unidos, sempre conseguem derrubar a arrogância e injustiça dos grandes (Lc. 1,52).

Cada um de nós pode melhorar este mundo: vamos conviver com respeito, trabalhando juntos, sem preconceitos, sem brigas, sem divisões. Somos todos filhos queridos do Pai e irmãos de Jesus Cristo, nosso Salvador.

 

Um casal de hebreus teve um menino. A mãe, de acordo com a parteira, escondeu por três meses o filho para que não fosse morto. Ao ver que não poderia mais mantê-lo escondido, colocou a criança num cesto de vime. Em seguida pôs o cesto entre os juncos, na margem do rio Nilo. Miriam, irmã do menino, escondeu-se por perto para ver o que haveria de acontecer.

A filha do faraó desceu ao Nilo para banhar-se. Viu o cesto e mandou apanha-lo. Quando viu a criança, ficou comovida e decidiu adotá-la como filho.

Miriam, a irmã do menino, correu junto à princesa e disse-lhe: "Queres que vá chamar uma ama de leite entre as mulheres hebréias para criar o menino?". "Vai" respondeu ela. E a moça foi chamar a própria mãe. Ela ficou com a criança, a amamentou e a criou. Quando o menino cresceu, o levou de volta para filha do faraó que deu-lhe o nome de Moisés que significa "Eu o tirei das águas".

Moisés, portanto, recebeu uma educação hebréia dada por sua mãe e os conhecimentos dos egípcios, dada pela princesa do palácio real. Moisés crescia na casa do rei, mas nunca esqueceu que pertencia ao povo hebreu. Se tornou um homem forte e respeitado.

Conta-se que um dia, Moisés resolveu visitar seus irmãos e conhecer a dura e sofrida vida que eles levavam. Ao ver um egípcio matando um hebreu, ficou furioso. Imediatamente matou o agressor.

Com isso teve que fugir para um pais estrangeiro, para não ser pego e condenado a morte pelo faraó. Lá no deserto, onde foi morar, Moisés não esqueceu seus irmãos que estavam sofrendo no Egito.

Um dia, enquanto estava tomando conta das ovelhas, Moisés presenciou a um fato incrível: um arbusto queimando sem se consumir. Se aproximou dele e naquele instante ouviu a voz de Deus que o chamava para a grande missão.

"Moisés. Moisés. Eu sou o Deus de Abraão. Eu vi a opressão de meu Povo no Egito, ouvi os grito de dor e tomei conhecimento de seus sofrimentos. Desci para libertá-los das mãos dos egípcios e fazê-los sair deste país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel" (Ex. 3, 7 -8). E Deus acrescentou: "Vai. Eu te envio ao faraó para que libertes meu Povo" (Êx. 3,10).

Diante do deste apelo, Moisés começou a encontrar desculpas. "Quem sou eu - perguntou - para realizar uma obra tão importante como esta?". E Deus respondeu: "eu estou contigo" (Êx. 3,12). "Se acreditares em mim - continuou Deus - realizarás muitos sinais para que todo mundo saiba que Eu, o Senhor Javé, estou libertando o meu Povo".
Moisés continuou em sua teimosia: "Coitado de mim. Eles não vão acreditar em minha palavra. Além disso eu nem sei falar direito: sou meio gago (Êx. 6,30). Manda outro em meu lugar".
Mas nada adiantavam as desculpas. E Deus insistiu: "Leva teu irmão Aarão, ele fala muito bem. Tu lhe falarás e ele transmitirá tuas palavras" (Êx. 7,2). Diante da insistência de Deus, Moisés não tinha saída: precisava realizar sua missão.

O confronto com o faraó foi duro. Mas Deus lutava junto com o seu servo. Em certas circunstâncias foi necessário que Deus usasse de sua "mão forte" para converter o coração do faraó (Êx. 7,14 até 11,10). As próprias pragas não foram um castigos desmedido, mas um "chamado" de Deus, para que o faraó respeitasse o valor supremo da vida dos mais fracos e seu direito à liberdade. Deus não tolera nenhuma situação de morte, exploração ou escravidão!

No fim a vitória foi de Javé. O povo, conduzido por Moisés, deixou a terra da escravidão, para tomar posse da terra de Caná, prometida a Abraão e a todos os seus descendentes.

O nosso Deus é sempre fiel, naquilo que promete. A nós, seus filhos, cabe confiar e viver com perseverança seus preceitos divinos.

Do mesmo jeito de Moisés, nós cristãos, encontramos muitas desculpas para seguir a Deus e viver com autenticidade a nossa fé.

Jesus precisa de cada um de nós. Ele é o Deus que nos chama a construir aqui na terra a grande família cristã, a sua Igreja. Por isso devemos querer bem a todos, sem distinções e nos ajudar reciprocamente, nos momentos de necessidades.

 

11º Encontro

Deus liberta o seu Povo

Moisés, em companhia de seu irmão Aarão, foi para a terra do Egito para cumprir a mis- são que Deus tinha-lhes dado: organizar seus irmãos e libertá-los da longa escravidão. Ao chegar lá, reuniram o povo e explicaram o que Deus tinha pedido. Todo mundo, ao ouvir as palavras de Deus, ficou mais alegre e confiante (Ex. 4,31).

Em seguida Moisés e Aarão apresentaram-se ao farão e lhe disseram: "Assim diz o Senhor Deus: deixa partir o meu povo ..." (Ex. 5,1). Mas o faraó ficou muito irritado com os dois e ordenou de redobrar os trabalhos para os hebreus. Os trabalhos ficaram muito mais pesados e o povo de Deus passou a sofrer ainda mais (Ex. 5,9). Moisés e Aarão foram culpados, por seus irmãos, desta triste situação, mas Deus veio novamente em socorro deles: "0 faraó não só vai deixar o povo partir, mas vai até mandar que saiam" (Ex. 6,1).

Reanimados pelas palavras de Deus, Moisés e Aarão voltaram então a falar com o farão. Esta vez não mais para pedir e sim para avisar que Deus ia castigar os opressores com terríveis pragas. E as pragas começaram... A primeira praga transformou as águas do rio Nilo em sangue: desta maneira ninguém podia bebe-las (Ex. 7,14 - 24).

Em seguida um grandíssimo número de rãs invadiu todo o Egito: havia rãs em todo can- to, nas casas, nas lavouras, nas ruas. Mas o coração do farão ficava sempre duro (Êx. 8,11).

Outras pragas castigaram o Egito: o país foi invadido pelos mosquitos (Ex. 8,12 -15); logo mais foi a vez das moscas (Ex. 8, 16 - 28). Vendo que o farão não deixava sair os hebreus, Deus mandou uma peste que matou todos os animais dos egípcios, mas não morreu um só animal dos hebreus (Ex. 9, 1 - 7). Mas o coração do faraó ficava duro e Deus golpeou novamente o Egito: homens e animais viram aparecer em sua pele tumores que provocaram pústulas (Ex. 9, 8 - 12); o país todo foi devastado por uma chuva de granizo que destruiu toda vegetação (Ex. 9, 13 - 26). Em seguida veio a praga dos gafanhotos (Ex. 10,1 - 15) que comeram toda a lavoura. Por fim uma grande escuridão de maneira que "um não podia ver o outro" (Ex. 10,21 - 23).

Apesar disso, o farão continuava em sua teimosia e não deixava partir o povo para terra prometida. Foi aí que Deus mandou o último grande castigo.

Estava se aproximando a festa da Páscoa, que acontecia todo ano no começo da primavera. Nesta festa era oferecido um cordeirinho a Deus. Após as orações, o cordeiro era morto, assado no fogo e comido por toda a família.

Deus falou então ao povo: "Preparam-se para festejar a Páscoa. Cada família escolha um cordeirinho, o asse no fogo e as carnes sejam comidas com pães sem fermento e ervas amargas. Comam depressa, de pé, prontos para viajar. É a Páscoa do Senhor. Nesta noite Eu irei passar pelo Egito e irei matar todo filho mais velho, dos homens e dos animais, mas as casas de vocês serão poupadas" (Ex. 12, 2 - 13).

E assim aconteceu. A meia noite o anjo de Deus passou por todo o Egito e todos os filhos mais velhos morreram. Foi choro e dor em todas as casas dos egípcios. Também o filho mais velho do faraó faleceu.

Ainda de noite o faraó mandou chamar Moisés e disse-lhe: "Sai do Egito e leva todo o teu povo, teus animais e pertences. E pede ao teu Deus que me abençoe". Começava assim a longa marcha para terra da liberdade. Deus caminhava à frente do seu povo, dia e noite, sem deixar-lhe faltar sua proteção.

Mais tarde o faraó se arrependeu de ter deixado o povo hebreu partir. Mandou então o exército para prender os hebreus e traze-los de volta.

Moisés e seus irmãos estavam acampados próximos do mar Vermelho. Quando viram os soldados ficaram com muito medo. Mas Moisés se pôs à frente do seu povo e juntos atravessaram o mar sem perigo. Quando os soldados egípcios quiseram fazer o mesmo, foram engolidos pelas águas. Naquele dia o Senhor Deus derrotou definitivamente a arrogância do faraó!

O Povo, agora, abençoado por Deus, era livre para iniciar uma nova vida.

 

12º Encontro

Os dez mandamentos

  A caminhada do Povo de Deus no deserto não foi fácil. Ao longo de 40 anos os hebreus experimentaram fome, sede, guerras e outras dificuldades. Mas Deus nunca os abandonou Toda vez que o Povo pedia, Deus vinha em seu socorro. Vamos ler com atenção as duas passagens da Bíblia que narram a paciência e o carinho de Deus com seu povo: Ex. 16, 2 - 17 e Ex. 17, 3 - 7.

A longa caminhada no deserto educou o povo para uma nova prática: aos poucos os hebreus foram esquecendo as divisões existentes entre eles e foram construindo uma nova comunidade, mais unida e fraterna. Além disso começaram a conhecer melhor a Javé e amá-lo de verdade, descobrindo, dias após dias, que só Ele era o Deus verdadeiro, o Deus que liberta e ampara!

Para ajudar o seu povo a viver a verdadeira felicidade e a fé que liberta e salva, Deus entregou a Moisés uma nova lei: os dez mandamentos. Vivendo e praticando esta Lei, o povo escolhido, garantia para sempre sua liberdade e a proteção divina. Os dez mandamentos representam, portanto, a "lei maior" e, ao mesmo tempo, o meio seguro para prosperar e vencer todas as dificuldades.

Vamos conhecer estes mandamentos, para viver melhor hoje nosso compromisso de cristãos!

É costume dividir os 10 mandamentos em duas partes: os primeiros três falam da necessidade de amar e respeitar a Deus e os outros sete se referem ao bom relacionamento que deve haver entre as pessoas.

O 1º mandamento pede de amar a Deus sobre todas as coisas. Isto quer dizer: a) Deus deve ter um lugar muito importante em nossa existência; b) em toda situação da vida devemos escolher o que mais agrada a Deus e não somente aos nossos interesses egoístas.

O 2º mandamento reza assim: não tomar o nome de Deus em vão. O nome de Deus é santo, por isso não podemos usá-lo para negócios escusos ou para mentir. O homem que teme a Deus sempre fala do próprio Deus com reverência e carinho, procurando ser sincero em suas orações, votos, súplicas e agradecimentos.

O 3º mandamento, guardar o dia do Senhor e as festas religiosas. nos ensina que devemos santificar o dia de domingo participando da santa missa, para agradecer e louvar juntos, em comunidade, o Autor da Vida. Este mandamento garante o repouso semanal para os que trabalham e reconhece que Deus é o único Senhor da vida e, somente a Ele, devemos oferecer o nosso tempo.

Vamos conhecer agora os mandamentos que nos ensinam a viver em Comunidade.

O 4º mandamento fala do respeito que precisa prestar aos nossos pais: honra teu pai e tua mãe. Ser bom cristão é tratar nossos pais com carinho e compreensão; ser sinceros com eles, trocando idéias sem fingimento e ajudá-lo na velhice e na doença.

Outras pessoas que cuidaram de nós merecem o mesmo respeito e carinho: pai e mãe de criação, madrinhas, educadores, tias, avós, pessoas idosas, etc.

 O 5º mandamento da Lei de Deus pede expressamente: não matar! A vida é sagrada e pertence somente a Deus. Ninguém tem direito de tirar a vida de si próprio e nem dos outros. Por isso devemos cuidar para que todos os Filhos de Deus tenham saúde, trabalho, moradia, comida, escola e todos os seus direitos respeitados!

O 6º mandamento reza: não pecar contra a castidade. Isso nos ensina a respeitar a pessoa e o corpo do outro e de si próprio. O amor entre um homem e uma mulher deve ser sincero, sem traições, caso contrário é puro egoísmo

O 7º mandamento exige de nós um postura coerente, por isso diz: não roubar. Ser honesto com os outros e saber respeitar o que pertence ao próximo e à coletividade é viver na Graça de Deus.

O 8º mandamento recorda: não levantar falso testemunho. Isto quer dizer que nunca .podemos caluniar o outro ou inventar fofocas. Quem faz isso não vive a fraternidade. Deus é verdade e nós também devemos viver com integridade e sinceridade. O cristão é a pessoa que sabe falar bem do irmão, mesmo quando recebe em troca o mal: esta é a lógica do Amor!

O 9º e 10º mandamento rezam assim: não desejar a mulher do próximo e não cobiçar as coisas dos outros. Ainda uma vez Deus nos chama a valorizar a pessoa do outro e tudo aquilo que lhe pertence. O Amor verdadeiro exige respeito, sempre e com todos. Deus conhece bem as intenções do nosso coração, por isso ninguém O engana!

 

  O povo hebreu, após longa caminhada no deserto, alcançou a terra prometida: Canaã. Moisés, o grande chefe, não chegou a entrar no novo país. Morreu bem nas proximidades da terra de Canaã. Um novo chefe, Josué, surgiu após Moisés. Era um jovem muito corajoso temente a Deus.

Josué governou o povo por muitos anos, enfrentando todo tipo de problema: era necessário se defender dos inimigos externos que tentavam invadir o país de Canaã e resolver as brigas interna, que surgiam a toda hora.

Durante o governo de Josué, o povo hebreu sempre saiu vitorioso e conseguiu ficar unido. Os problemas sérios começaram após sua morte.

Aos pouco o povo se esqueceu da Aliança feita com Deus e começou a pecar. Aí aconteceram os primeiros grandes desentendimentos: ninguém respeitava mais ninguém e os inimigos externos se tornavam sempre mais fortes.

Era necessário e urgente escolher outros grandes líderes que soubessem governar o povo em nome de Deus. Esses governantes que sucederam a Josué foram chamados de juizes. 

A tarefa dos juizes era de organizar o povo para enfrentar os inimigos, mantê-lo unido e administrar a justiça para que todos vivessem em paz.

No Antigo Testamento temos um livro que fala das histórias destes Amigo de Deus: é o livro dos Juizes. Lembremos alguns nomes deles: Gedeão, Sansão, Debora, Abimelec, Jefté, Elon, etc.

Vamos conhecer, agora, a história de Gedeão. Ele era um lavrador e possuía uma pequena fazenda. Deus o chamou quando ele estava trabalhando em sua casa e falou-lhe: "Vai e salva o teu Povo da mão dos inimigos. Sou Eu que te envio (Jz. 6,14). Eu estarei contigo (Jz. 6,16).

A missão que Gedeão recebia de Deus era muito importante: libertar os seus irmãos. Por isso não podia ter medo e nem duvidar. Para demonstrar sua amizade e proteção, Deus fez um "milagre" diante os olhos de Gedeão: leia com atenção no livro dos Juizes (6,19-24).

Gedeão formou então um grande exército para enfrentar os inimigos: eram quase 32.000 homens. Mas, ainda antes de ir para guerra, Deus pediu a Gedeão que mandasse para casa todos os que estavam com medo. Desta maneira, quase 12.000 homens voltaram para suas casas.

E o Senhor Deus achou que ainda tinha gente demais. Por isso Deus falou novamente a Gedeão: "Manda todos beberem a água no riacho". Eles foram. A maioria se ajoelhou e com as mãos tirava água do rio para beber. Mas houve outros que não se deitaram no chão e beberam diretamente com a mão a água. Deus disse então a Gedeão: "Fica só com estes". Todos os outros foram mandados para casa. Gedeão ficou somente com trezentos soldados para enfrentar os inimigos.

Gedeão repartiu os seus homens em três grupos e, de noite, atacou o acampamento inimigo.

Um grupo tocava trombeta, outros gritavam o nome do Senhor e o terceiro grupo atirava tochas acesas e atacava os inimigos. Desta maneira o povo de Israel venceu os inimigos e conseguiu expulsá-los da terra de Canaã, a terra que Deus tinha prometido a Abraão.

Deus se serviu de um pequeno número de homens para derrotar um grande exército e libertar novamente o seu povo. A vitória foi de Deus, que guiou a mão e o coração de Gedeão e dos 300 soldados.

O apóstolo Paulo, muito mais tarde, escreverá em sua carta: "É quando sou fraco que sou forte".

Isso nos ensina que toda dificuldade de nossa vida pode ser vencida, se temos Deus em nosso coração. Deus é o amigo fiel e nunca nos deixa desamparados. Por isso podemos dizer "que nossa alegria é estar junto com Deus".

 

14º Encontro

Samuel

Depois da morte de Josué, Deus continuou a enviar ao Povo de Israel homens santos e corajosos para governá-lo e viver a Aliança. Nós os conhecemos com o nome de Juizes. Entre eles destaca-se um homem de fé e de muito valor: Samuel.

Já antes do seu nascer, Samuel foi oferecido, por sua mãe, a serviço de Deus.

A mãe Ana não podia ter filhos. Ela fez então uma promessa: "Senhor Todo-Poderoso, se olhares para o sofrimento de tua serva e me deres um filho homem, eu o entregarei ao Senhor por toda a sua vida!' (livro de Samuel 1,11).

Deus ouviu a prece de Ana e ela deu à luz Samuel, cujo nome significa pedido a Deus". Para agradecer o presente recebido, Ana então rezou: "Meu coração se alegra no Senhor. Ninguém é santo como o Senhor e ninguém é rocha como o nosso Deus. É o senhor que dá a vida e a morte. É o Senhor que torna pobre e faz rico o homem, humilha e também exalta.

Ele guarda os passos dos seus fiéis enquanto os pecadores perecem nas trevas" (1 Sm. 2,1 ss.).

Samuel desde pequenino morava na casa de Deus junto ao sacerdote Heli.

Esta noite, enquanto os dois dormiam, o menino ouviu uma voz: "Samuel, Samuel. Ele respondeu: "Eis me aqui" (1Sm 3,4) e correu até Heli perguntando: "Chamaste-me senhor?". O velho sacerdote respondeu: "Não quero nada. Volta a dormir".

Porém a voz de Deus chamou uma segunda vez: "Samuel". Samuel levantou depressa e correu junto a Heli mas, este último o mandou dormir novamente. Então Deus o chamou pela terceira vez. Quando Samuel chegou perto do sacerdote para saber quem o tinha chamado, o velho Heli falou: "Se ainda escutas chamar o teu nome responde: fala Senhor, teu Servo te escuta.

E Deus voltou, ainda uma vez, a chamar o seu amigo Samuel e esta vez Samuel abriu seu coração para ouvir a Palavra do Senhor. Assim Samuel crescia em idade e Deus estava com ele para prepará-lo para uma grande missão.

Chegando à idade adulta, Samuel foi escolhido para ser o chefe do Povo de Israel. Ele governou com muita sabedoria e firmeza e o povo viveu um tempo de muita paz.
Um belo dia, quando já era velho, o Povo se reuniu com Samuel e todos pediram a uma só voz: "Dá-nos um rei e nós obedeceremos a ele" (1Sm. 8,5). Samuel respondeu: "Deus é vosso rei". Mas o Povo insistiu e Samuel foi obrigado a concordar.

Certo dia Samuel estava saindo da cidade e encontrou jovem, Saul. Tempo antes Deus tinha-lhe dito: "Eu irei te mostrar quem deve ser eleito rei" (1Sm 9,16) Quando Samuel encontrou Saul, sentiu que aquele moço era o escolhido de Deus. Samuel convidou Saul a se hospedar em sua casa e, após uma conversa, o consagrou rei, derramando-lhe na cabeça o óleo sagrado. E Samuel falou: "Com isto o Senhor te ungiu como chefe de seu Povo Israel; tu governarás o Povo do Senhor e o libertarás da mão de todos os seus inimigos".

Saul começou a governar, venceu os inimigos, mas não agradou ao Povo e nem a Deus. Ele pecou e agia mal. Por isso Deus pediu a Samuel que escolhesse outro rei.

Samuel foi para cidade de Belém para participar de uma festa. Estava presente o velho Isaí e seus filhos. Samuel olhou os filhos de Isaí, mas nenhum parecia capacitado para ser rei de Israel. Mas Deus tinha falado a Samuel: "Não olhes a aparência exterior, nem a altura, nem a força!. o homem olha as aparências, mas Deus olha o coração. O velho Isaí tinha um outro filho, caçula, que não estava presente na festa. Trouxeram o menino. Quando Samuel viu o jovem Davi, Deus lhe falou: "É este. Ungiu-o rei do meu Povo" (1Sm. 16,12). Samuel derramou na cabeça de Davi o óleo sagrado e a partir daquele dia se tornou o novo rei de Israel.

Estas páginas da Bíblia nos ensinam muitas coisas bonitas. Todos nós somos chamados a uma vocação e Deus precisa de cada um de nós para realizar o seu Plano de Justiça e Amor. Quando nos colocamos a serviço de Deus e dos irmãos, vivemos plenamente nossa fé cristã.

 

15º Encontro

O rei Davi

Muitas histórias se contavam à respeito do rei Davi . A mais bonita a encontramos no 12 Livro de Samuel, capítulo 17. Vamos conhece-la juntos.

Quando Davi era ainda menino, o povo dos filisteus tentou invadir o pais dos hebreus. os três irmãos de Davi estavam no exército. Davi, de vez em quando, ia ao acampamento saber notícias dos irmãos. Em seguida voltava para casa para cuidar de suas ovelhas.

Um dia um forte guerreira filisteu desafiou os soldados de Israel. O guerreiro chamava-se Golia. Era alto, forte, bem armado e seguro de si. Golia desafiou um soldado de Israel a lutar contra ele: o vencedor do combate, garantira a vitória ao seu exército.

Ninguém se ofereceu no meio do povo de Israel. Todo mundo estava assustado com o tamanho do gigante. Foi ai que Davi aceitou o desafio.

O rei Saul, no começo, não queria deixar que um moço tão novo se sacrificasse pelo povo. Mas, vendo a grande fé de Davi, no final concordou.

O rei queria lhe dar suas armas de guerra, mas Davi as recusou. Pegou somente um estilingue, cinco pedras lisas e sua vara de pastor.

Quando Golias viu o jovem Davi, começou a caçoa-lo. Mas Davi, cheio do espírito de Deus, respondeu: "Você vem lutar comigo com muitas armas de guerra, mas eu venho em nome do Senhor" (lg Sm. 17,45).

O gigante correu na direção de Davi para ataca-lo. O jovem pegou então uma pedra, coloco-a no estilingue e a atirou. A pedra pegou na testa de Golia.

Este caiu tonto no chão. Davi correu para junto, subiu em cima dele, pegou a espada do próprio gigante e cortou-lhe a cabeça. Quando os filisteus viram isso, fugiram. Ainda uma vez Deus tinha libertado o seu povo de um terrível perigo

Depois da morte do rei Saul, Davi foi eleito rei do Povo. Ele foi um valente guerreiro: o seu exército venceu muitos inimigos, conquistou a cidade de Jerusalém e garantiu muita paz a todo o Povo hebreu.

Davi foi um grande amigo de Deus, procurando viver a Aliança. Mas, mesmo assim, um belo dia Davi cometeu uma falta muito grave aos olhos do Senhor: 22 SM. cap. ll).

Uma tarde Davi viu Betsabé, mulher de Urias. Logo gostou dela, apesar de ser casada. Para se livrar do marido e ficar com sua esposa, o rei enviou Urias para guerra e pediu ao seu general que colocasse Urias bem nas primeiras fileiras, a fim de ser morto.

E assim aconteceu.

Sabendo da morte de Urias, Davi casou com Betsabé.

Mas isso não passou despercebido. O profeta Natan foi procurar o rei para castigá-lo do seu pecado. Natan contou esta história (S a Davi: "Era uma vez dois homens que moravam na mesma cidade. Um era rico e o outro pobre. O rico possuía muitas ovelhas. o pobre tinha uma só. o pobre criou sua ovelha com muito carinho.

Um dia o rico recebeu uma visita e não quis matar nenhum dos seus animais para o almoço. Mandou roubar a única ovelhinha do pobre. Matou-a e com ela preparou o banquete".

Ao ouvir a história Davi ficou com muita raiva e falou: "Juro por Deus que o homem que fez isso merece a morte e vai pagar por seu crime".

O profeta Natan respondeu: "Tu és este homem, porque fizeste morrer Urias para ficar com sua mulher -". Davi ficou muito triste com isso. Se ajoelhou e pediu perdão de seu pecado. Vamos ler juntos a bela oração de arrependimento de Davi: Salmo 50.

Todos n6s somos pecadores, mas confiamos no perdão de Deus que nos é dado através da Igreja pelo Sacramento da penitência. Por meio deste sacramento, Deus esquece nossos pecados, nos dá a sua graça e recomeça uma nova amizade conosco.

 

Um pouco antes de morrer, o rei Davi escolheu seu sucessor: seu filho Salomão.

Salomão era ainda muito novo quando começou a reinar. Conta-se que no começo do seu governo, o rei Salomão foi rezar no templo. Anoiteceu e ele dormiu. De noite sonhou que o Senhor Deus lhe aparecia e falava: "Peça o que você quiser e eu lhe dou (l2 Livro dos Reis 3, 5).

Salomão falou: "Sou muito novo para governar o teu Povo. Peço então que me dês a capa cidade de distinguir, com sabedoria, o bem e o mal" (l2 Reis 3,7-9).

O Senhor Deus ficou muito contente com o pedido de Salomão e falou: "Você não pediu nem uma vida longa, nem riquezas. Você pediu sabedoria. Por isso vou te dar sabedoria e te dou também aquilo que você não pediu: riquezas e vida longe. (lg Reis 3,10-14).

Salomão acordou, voltou para sua cidade e agradeceu a Deus. Por isso na Bíblia o rei Salomão é conhecido por sua sabedoria.

Uma das histórias que o povo contava para mostrar a sabedoria do Salomão a encontramos no 12 Livro dos Reis 3,16-28.

Um dia duas mulheres se apresentaram diante do rei. Uma delas falou: "Eu e esta mulher moramos na mesma casa. Aconteceu que tive um filho e três dias depois ela também deu à luz um menino.

Infelizmente, durante a noite, o filho dela morreu. Aí ela se levantou e trocou as crianças, ficando com o meu filho que está vivo e colocando, junto de mim, o filho dela morto. Quando acordei e vi a criança morta, percebi logo que não era o meu filho".

A outra mulher, que até aquele momento escutava calada, interrompeu aos gritos: 110 filho vivo meu. O teu é o que morreu". E começaram a discutir na presença do rei.

Salomão mandou buscar uma espada e falou: "Partam o menino em dois e dêem a metade a cada uma".

Uma das mulheres começou a chorar e disse: "Meu Senhor, não faça isso. Dêem, então, o menino a ela. Não matem a criança.A outra mulher, pelo contrário, pensava: "Podem partir. Assim não vai ser nem meu, nem dela".O rei Salomão então decidiu: "Dêem o menino primeira, a que chorou. É ela a verdadeira mãe".Todo o povo ficou admirado com a sabedoria do rei.

Antes de morrer, o rei Davi pediu a seu filho Salomão que construísse um templo a Deus, isto um lugar sagrado onde o povo rezava. Salomão, uma vez feito rei, se lembrou do pedido do pai e construiu uma grande templo na cidade de Jerusalém. Após a construção o rei Salomão agradeceu com esta oração a Deus: "Tu não vives sobre a terra que é demasiadamente pequena para ti, já que tu és tão grande que nem mesmo os céus podem conter-te. Apesar disso, Senhor e nosso Deus, digna-te escutar nossas preces, quando te invocarmos daqui e te adoramos neste lugar santo".

Depois da morte do rei Salomão, o povo começou a pecar e o País foi castigado. O Povo se esqueceu de Deus e começou adorar a deuses pagãos. Por isso Deus enviou o profeta Elias para corrigir o Povo e expulsar os inimigos da verdadeira religião.

No monte Carmelo, Elias enfrentou os falsos sacerdotes de Baal. O profeta rezou assim: "Senhor, Deus de Abraão, mostra hoje que tu és o Deus de Israel. Escuta-me! Faze compreender a este povo que és o Deus verdadeiro. Mostra que és tu quem converte os corações.

Então desceu fogo do céu e acabou com todos os falsos sacerdotes e com os ídolos pagãos. O Povo de Israel, novamente livre, voltava a adorar o único e verdadeiro Deus: Javé.

Hoje aprendemos que Deus é fiel. Ele não se esquece dos seus filhos. Se procuramos viver os mandamentos da sua Lei, temos vida plena e felicidade. Deus está conosco todos os nossos dias, nos preservando do mal e nos iluminando para escolher sempre o bem.

 

17º Encontro

Jó, o amigo de Deus

No Antigo Testamento encontramos uma história que nos fala de um grande amigo de Deus: Jó. Amigo é aquele que sabe confiar no outro. Jó nunca perdeu a confiança em Deus e por isso foi abençoado. vamos conhecer um pouco essa história.

"Era uma vez, lá longe na terra de Hus, um homem chamado Jó, honesto e correto, temia a Deus, fugia do mal" (Jó 1,1). Jó era também caridoso, todo mundo gostava dele e possuía muitos bens.

Um belo dia, Deus experimentou a fé de Jó. Decidiu, então, pôr Jó à prova. A partir daquele dia J6 perdeu tudo: os seus bens, seus animais, suas casas e até os seus filhos, mortos em conseqüência do desabamento da casa.

Diante destas primeiras notícias tristes, Jó não desesperou. Pelo contrário, levantou os olhos ao céu e rezou assim: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou. Bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1, 21).

Deus porém quis provar, mais ainda, a amizade de Jó e permitiu mais uma prova difícil.

Jó caiu doente: a pele dele ficou cheia de chagas fedorentas. Ninguém conseguia ficar perto dele. Sua mulher e seus amigos o abandonaram. Jó ficou sozinho, com seu sofrimento, mas não desesperou Ainda uma vez J6 levantou os olhos a Deus e rezou: "Se aceitamos de Deus os bens, não deveríamos também aceitar os males?" (Jó 2,10).

Apesar de tanto sofrer, JÓ continuou a confiar em Deus. Ele sabia que Deus estava experimentando-o para testar sua fé. Era necessário perseverar na fé e crer no Senhor.

Dia e noite, incansavelmente, Jó rezava e pedia a Deus para ser curado. Os dias passavam e o sofrimento continuava, mas a fé não se apagava. Até que Deus resolveu gratificar a perseverança do seu amigo: escutou suas preces e devolveu-lhe uma família numerosa, suas riquezas, a salde e os amigos.

Na vida nunca podemos desanimar diante das dificuldades e nem nos revoltar. Deus quer o nosso bem e se nós ficarmos com Deus conseguiremos sempre vencer. Quem tem Deus no coração, tem a certeza de que não está sozinho, mas um grande Amigo o acompanha.

No Antigo Testamento é contada a historia de outros grandes e fiéis amigos de Deus. Vamos conhecer mais uma.

O povo hebreu vivia novamente escravo. Nabucodonosor, rei da Babilônia, mandou fazer uma grande estátua de ouro, representam do seus deuses pagãos. Em seguida mandou que todos se ajoelhassem diante da estátua para adorá-la. Quem não obedecesse à ordem devia ser morto, queimado vivo na fogueira.

Trás jovens hebreus não aceitaram se ajoelhar diante da estátua do rei inimigo, porque desta maneira traiam a Javé.

Cheio de raiva o rei mandou que os três jovens fossem lançados nas chamas da fogueira acesa. Mas, com grande surpresa, os três jovens não se queimaram. Ao ver isso, o rei gritou: "Servos do Deus altíssimo, saí", os jovens saíram sem nenhuma queimadura.

Diante deste 'milagre", o rei e todos os presentes falaram: "Louvado seja o Deus no qual confiastes Realmente não existe nenhum outro Deus capaz de salvar desta maneira". (Daniel cap. 3)

A Igreja católica é o Povo fiel a Deus verdadeiro e ao seu Filho, Jesus Cristo.

18º Encontro

Os profetas

Nos encontros anteriores vimos como o Povo de Deus se libertou da longa escravidão do Egito e como chegou à terra prometida. Mas, ao tomar posse da terra de Canã, os problemas e os sofrimentos não acabaram. Pelo contrário ...

No meio do povo, muitos foram esquecendo os benefícios e a fidelidade de Deus e, orgulhosos e cheios de vaidade, foram abandonando a prática dos Mandamentos e o cumprimento da Aliança. Os hebreus começaram a adorar aos deuses pagãos dos povos vizinhos, ignorando Javé, o Deus verdadeiro que o tinha libertados da escravidão.

Como conseqüência disso, o povo começou a se dividir, brigar entre si e se desentender. Aqueles que mandavam, faziam os outros sofrer, praticando injustiças. Outros queriam tudo para si, deixando os demais na total miséria.

A terra que Deus tinha dado para todos, ficou na mão de uma pequena minoria. Uns poucos começavam a ficar muito ricos e pagavam mal o trabalho dos seus empregados.

Foi para corrigir estas situações de pecado que Deus precisou tomar novamente a iniciativa.

Apesar da infidelidade do seu povo, Deus não se esqueceu dele. Para refazer a Aliança e reconduzi-lo para o caminho da justiça, Deus enviou homens e mulheres para falar em seu nome. Na Bíblia conhecemos estes "enviados" como profetas.

A palavra profeta significa "boca de Deus", isto é, aquele que fala em nome de Javé. Os profetas anunciavam a vontade de Deus e denunciavam todas as maldades dos homens.

Veja o que falava Isaías: "Vocês, ricos, não podem ter muitas casas, enquanto que outros ficam sem casa". E ainda: "Vocês ricos não podem ficar com toda terra e deixar os lavradores sem nada. Isto está errado" (Is. 5,8).

Os profetas sempre lutaram ao lado dos pobres e excluídos, porque no meio da coletividade, eram os mais fracos e indefesos.

Quando o profeta denunciava a injustiça, não era o ser humano que falava e sim Deus, que se servia do seu filho para convidar os homens a viver a justiça e a fraternidade.

Hoje em dia, a situação social e política do nosso País continua injusta, devido à discriminação que marginaliza milhões de irmão, tirando-lhes os direitos essenciais para uma vida digna. Poucos brasileiros ainda, possuem tudo (terra, casas, dinheiro, etc.), enquanto a grande maioria do povo vive enganada e explorada. Deus não aceita esta situação e novamente envia seus profetas para corrigir todo tipo de maldade.

A Igreja católica, fiel à Palavra de Jesus Cristo, deve ser a voz profética que denuncia todo tipo de injustiça que ofenda os irmãos empobrecidos. Por isso a Igreja, através de seus agentes de pastoral, defende a reforma agrária justa, a fim de garantir a todo lavrador a terra que tanto precisa para viver. E muitos outros direitos, como: salário justo para todo trabalhador do campo e da cidade, para que possa ter condições de sustentar sua família; casa para morar; direito de estudar para todos, etc.

Defender os direitos dos pobres e necessitados é viver a verdadeira religião de Jesus e ser os "abençoados do Pai", conforme a promessa do Senhor: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, fui peregrino e me acolhestes, estive nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava preso e viestes ver-me. Vinde abençoados do meu Pai" (Mateus 25,31–40).

Na Bíblia encontramos os nomes de muitos profetas, por exemplo: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Tamar, Daniel, Joel, Agar, Amos, Oséias, Ageu, Naúm, Miquéias, etc. Junto com eles, todos nós devemos ser profetas em nossa casa e em nossa comunidade, amando e ajudando todos os irmãos que precisam, com o mesmo carinho demonstrado por Jesus quando esteve entre nós.

Na Bíblia o primeiro livro de profeta é de Isaías o maior de todos. Tem 66 capítulos. É o livro mais longo da Bíblia. Nele estão contidas as palavras e os ensinamentos do profeta Isaías.

Isaias pertencia a uma família rica, Era muito educado e freqüentava todos os dias o Templo de Jerusalém. Era casado e tinha uma grande confiança em Deus.

Vamos ver agora como foi que Deus chamou seu amigo Isaias e de que maneira foi enviado para anunciar a Palavra do Senhor.

Isaías se encontrava no Templo rezando, quando teve uma aparição: viu Deus sentado num trono e os anjos ao seu redor cantando: "Santo, santo, santo é o Senhor (Is. 6,3). Isaias ficou espantado e ajoelhando-se falou: "Sou um pecador, indigno de estar diante de Deus".

Mas um anjo aproximou-se dele e falou-lhe: "Não temas nada. Teus pecados estão perdoados. Agora podes olhar Deus no rosto (Isa 6,7).

Ouviu-se então naquele momento a voz de Deus: "Quem será o meu mensageiro, que levará a minha Palavra a es te Povo pecador?" (Isaías 6,8).

Isaias então respondeu: "Senhor, eu quero ser. Manda eu!".  Deus falou: "Vai aos teus irmãos e fala aquilo que Eu te disser" (Is. 6, ss.).

Deus estava se servindo de Isaias para alertar o seu Povo a fim de que deixasse de fazer a maldade e voltasse a viver a justiça e a paz.

Fazer parte do Povo de Deus é viver o amor e a fraternidade.

A maioria do Povo hebreu era lavrador. Mas a terra ficava nas mãos de poucas pessoas; a grande maioria passava necessidade. Isaias viu isso e amaldiçoou os grandes donos da terra e homens corruptos dizendo:

"Ai de vocês que juntam campo a campo. Assim vocês ficam com tudo e não deixam nada para os outros" (Isaías S,8).

"Ai de vocês que bebem demais, passam seus dias somente na farra. Para vocês Deus já preparou seu castigo" (Isaías 5,22 ss.).

Isaias levantou sua voz também contra os juizes desonestos que não cumpriam a Lei nos tribunais: "Ai de vocês que fazeis leis injustas para tirar dos pobres o que eles têm e deixais no abandono os desamparados. Deus vos castigará'.

Isaías falava tudo isso para que o Povo voltasse a viver a Aliança com Deus e praticar a justiça.
Mas o Povo não prestou ouvido às palavras do profeta. O mesmo rei, Acaz,começou a desagradar a Deus, deixando de cumprir os mandamentos.

Foi a partir destas infidelidades que Deus decidiu punir todo o Povo. O pais foi invadido por uma nação estrangeira e o profeta Isaias anunciou a vinda de um outro rei. Um rei justo, que haveria de trazer a Paz e a prosperidade para.todos. Vejam o que diz Isaias a tal respeito: "O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz ... porque nasceu para nós um menino ... e será chamado Príncipe da Paz" (9,1 - 6).

A profecia de Isaías se cumpriu muitos e muitos anos depois, quando veio entre nós Jesus. Jesus é o Emanuel (= Deus no meio da gente), aquele que perdoa os nossos pecados, nos ensina a amar e nos mostra o caminho para chegar ao Pai do céu.

Jesus veio realizar tudo aquilo que o profeta Isaías tinha dito.

Isaías encerrou sua missão alimentando uma grande esperança no coração do Povo com estas palavras: "Um dia os surdos vão ouvir e os olhos dos cegos vão ficar livres da escuridão. Os pobres vão ficar felizes no Senhor, porque Ele vai acabar com a opressão".

Jesus veio e fez tudo isso, porque ele é o nosso Deus e Salvador.

 

A Bíblia é a história da caminhada de fé de um povo: o Povo de Deus.

Essa historia iniciou-se com Abraão e teve a participação de muitos homens e mulheres. Nós já tivemos oportunidade de conhecer o nome de vários homens que responderam generosamente ao chamado de Deus. Agora vamos conhecer também umas mulheres, corajosas e apaixonadas pela causa dos pobres e de Javé, verdadeiros exemplos de fé e de luta. Ainda hoje, elas nos servem de modelo e animam as outras mulheres a assumir o seu papel na sociedade e na Igreja.

Eva: "a mãe de todos os viventes". A companheira do primeiro ser vivente, é chamada, junto com o homem a assumir a vocação de criar um mundo mais humano e serem felizes. O relato da criação da mulher no livro do Gênesis nos ensina que homens e mulheres têm os mesmos direitos e uma missão comum: constituir uma família e assim continuar a obra da Criação. "Cresci e multiplicai-vos". (Gn. 9,7)

Sara: esposa de Abraão e mãe de Isaac, chamado o "filho da promessa". Sara já em idade avançada, recebe de Deus uma promessa: gerar um filho. Mesmo sem acreditar, Deus cumpre sua palavra. Sara se torna assim o "canal" da vontade divina. Com ela, de fato, começa a história do Povo de Deus, que hoje é a Igreja!.

Rebeca: esposa de Isaac. Jovem e bela, acolhedora e trabalhadora. Escolhida para formar uma família e continuar o Projeto de Deus.

Ana: mãe de Samuel. Não podendo ter filhos, porque estéril, renova a cada dia, em suas súplicas, a confiança no poder de Deus: "Para Ele nada é impossível!". A insistência e a confiança demonstrada em suas preces, lhe valeu os favores do Altíssimo. Ana ficou grávida e deu à luz a Samuel. Ela é exemplo de mulher confiante. Deus sempre é fiel com seus filhos e filhas que confiam em seu poder!

Na Bíblia conhecemos muitas outras mulheres: Rute, Judite, Ester, a mãe dos Macabeus, etc. Todas elas verdadeiras heroínas. Suas palavras e vidas deram origem a livros bíblicos com o nome delas. Entre todas as mulheres, porém, uma se destaca: Maria, mãe de Jesus e nossa mãe. Ela é apresentada como a Rainha dos Apóstolos e dos profetas, que vive intensamente as alegrias e esperanças, angústias e sofrimentos do povo de Deus.

Através de Maria entrou no mundo a Salvação. Dizendo SIM a Deus, Maria se tornou a mãe de Jesus, o nosso Salvador. Maria é a mulher que acolhe, ajuda, dá a vida, guarda silencio do seu coração. Mas também é a mulher que está junto à cruz, de pé, na hora do martírio do seu Filho.

E hoje, como vivem as mulheres?

Infelizmente constata-se freqüentemente pelos casos da vida que as mulheres ainda não são respeitadas e valorizadas suficientemente em nossa sociedade, em nossas famílias e, até, às vezes na nossa própria Igreja. Quando competem com o homem no mundo do trabalho, muitas vezes ganham menos, não têm as mesmas chances de se promover, são discriminadas e exploradas em nome de um machismo que não tem mais razão de existir em nossa sociedade moderna. Dentro da família, descobre-se que a mulher é muita vezes um "belo" objeto de "cama e mesa". Aquele amor e respeito que deveria unir sempre mais o homem e a mulher, num vínculo indissolúvel, é quebrado muitas vezes pela grosseria, prepotência e vaidade masculina. Na falta de valores humanos, éticos e religiosos, a mulher-esposa-mãe-irmã-avô perde sua dignidade de Filha de Deus e não é respeitada em seus direitos essenciais. Apesar de tudo isso, mulheres de fé, temente a Deus, continuam sua bonita missão cristã: ser presença de um Deus amoroso e fiel, lá onde o Amor perdeu sentido.

Na Igreja é em ato uma verdadeira revolução, que deverá levar a uma revitalização da vida cristã: sempre mais as mulheres vão descobrindo o seu papel de evangelizadoras e anunciadoras de um mundo mais fraterno e justo. É uma conquista lenta, mas aos poucos a presença feminina é tão marcante e gratificante em nossas comunidades, que transforma a tradição secular de se relacionar (homens e mulheres, consagrados e leigos, etc.), de organizar a pastoral e viver a fé libertadora em Deus. É assim que a mulher volta a mostrar a originária vontade de Deus criador: proclamar e defender a Vida sempre e em toda circunstância, valorizar a união, a fé e a luta de um povo que almeja para justiça e solidariedade.