CATECISMO  DO  CATÓLICO  HOJE (4)

A penitência: sacramento da reconciliação

Penitência é o sacramento pelo qual recebemos o perdão medicinal de Deus pelos pecados cometidos depois do batismo.

Este sacramento é também chamado sacramento da reconciliação, porque nos reconcilia não só com Deus mas também com a comunidade eclesial.  Os dois aspectos da reconciliação são importantes.

(*) Em alguns países, a pessoa recebe na crisma um segundo nome, acrescentado ao nome de batismo (N. do T.).

Como membros do corpo de Cristo, tudo quanto fazemos influencia todo o corpo.  O pecado fere e enfraquece o Corpo de Cristo; a cura que alcançamos na Penitência restaura a saúde e a energia tanto da Igreja como de nós mesmos.

Quando alguém se desvia do amor de Deus ou o abandona, o dano recai sobre o pecador.  O pecado venial enfraquece nosso relacionamento com Deus.  O pecado mortal rompe esse relacionamento.

No caso de pecado mortal explícito, o meio ordinário para o católico voltar para Deus é a recepção da absolvição no sacramento da Penitência. (Quem está em pecado mortal pode retornar à graça divina antes da confissão fazendo um ato de contrição ou arrependimento perfeito mas esta contrição perfeita deve ser acompanhada da intenção de confessara pecado e recebera absolvição sacramental).

O pecado é uma realidade trágica.  Mas o sacramento da reconciliação é uma assembléia festiva.  O capítulo 15 do Evangelho de são Lucas exprime esta alegria de modo comovente.  Em Lc 15, os fariseus acusam Jesus de ser misericordioso demais.  Em resposta, Jesus conta três parábolas.  Na primeira, Deus é semelhante a um pastor que deixa noventa e nove ovelhas para procurar uma que está transviada.  Ao achá-la, ele se enche de alegria.

Na segunda parábola, uma mulher encontra uma preciosa moeda que tinha perdido e promove uma grande festa.  Jesus comenta: "Assim também, eu vos digo, há alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende".

A terceira parábola é a história do filho pródigo, Quando ele volta para casa, seu pai o acolhe com um terno abraço.

Quando você confessa seus pecados sinceramente, com verdadeiro arrependimento e resolução de não pecar mais, Deus se alegra.  Os fariseus descritos no Evangelho de Lucas eram homens severos, rígidos, juizes mais exigentes que Deus.  Ao contrário, o Pai revelado por Jesus é quase bom demais para ser verdadeiro.  Assim é o próprio Jesus, que você encontra neste sacramento.  Tal Pai, tal Filho.  No sacramento da penitência, Jesus o abraça e o cura.

A unção dos Enfermos

Numa doença grave, você faz a experiência de ser mortal. Conscientiza-se de que algum dia, você vai morrer.  Se você não está gravemente doente, mas enfraquecido ou idoso, sente esta mesma experiência.

Porque tais circunstâncias o levam a encontrar Deus à luz da sua própria morte, há algo especialmente sacramental nesta condição em que você se acha.  E assim há um sacramento específico para esta situação sacramental: a Unção dos Enfermos.

A Unção dos Enfermos não apressa a hora da morte.  Neste sacramento, contudo, Deus o convida a entrar em comunhão com Ele à luz do seu encontro final.  Por este sacramento a Igreja inteira suplica a Deus que alivie seus sofrimentos, perdoe seus pecados e o conduza à salvação eterna.

Você não precisa estar na última hora para receber este sacramento.  Isto é evidente pelo fato de que a unção e as preces que a acompanham têm como um dos seus objetivos a restauração da saúde.  Por conseguinte, se você não está em imediato perigo de morte, mas está enfermo ou idoso, você pode e deve pedir para ser sacramentado.  Se, de fato, corre perigo de vida, quer por doença, quer pela idade avançada, você não deve demorar a receber o sacramento.

A Unção dos Enfermos, ajuda você a participar mais plenamente da Cruz de Cristo. Por esta participação, você contribui para o bem espiritual de toda a Igreja.

Pelo fato de você participar mais plenamente da Cruz de Cristo pela Unção, você está sendo preparado para uma participação mais plena na Ressurreição de Cristo. 

O matrimônio: sacramento da unidade vivificante

Em todas as civilizações se sentiu uma misteriosa sacralidade na união do homem e da mulher.  Sempre tem havido uma vaga percepção de que a profunda aspiração pela união com "o outro" é vivificante - e que é uma aspiração pela união com a fonte de toda a vida. É por isso que os rituais religiosos e os códigos de comportamento
Sempre têm sido relacionados como casamento.

Jesus tomou o casamento e fez dele o sacramento do Matrimônio.  Em conseqüência, o Matrimônio dá nova dimensão à vocação cristã que começa no Batismo.

No matrimônio, marido e mulher são chamados a amar um ao outro dum modo muito prático: atendendo um ao outro nas suas necessidades mais pessoais; esforçando-se seriamente por comunicar um ao outro seus pensamentos e sentimentos pessoais, de tal forma que sua união continue sempre viva e em crescimento.  Este amor é sexual de modo explícito e belo.  Como afirma o Vaticano li: "Este amor se exprime e se realiza de maneira singular pelo ato próprio do matrimônio (Gaudium et Spes, n.º  49).

Pelo Matrimônio, o casal é também chamado a viver seu sacramento para outros.  Pela  sua óbvia intimidade, um casal que se ama influencia as vidas de outras pessoas com "algo especial" - o amor de Cristo em nosso meio.  Eles revelam o amor de Deus e tornam-no difuso - para seus filho se para todos os que entram em contato com eles.  Objetivo importante e resultado natural do Matrimônio é a procriação de novas vidas - os filhos.  Mas o amor de um casal também transmite a vida - a vida de Cristo - a outras pessoas.

O casal não vive uma vida de amor porque por sorte eles se entendem: fazem-no consciente e deliberadamente, porque é esta a  sua vocação e porque o matrimônio é, na expressão de São Paulo, "um grande mistério... em referência a Cristo e à Igreja" (Ef 5,32).

O Matrimônio é muito mais que um acordo particular entre duas pessoas. É uma vocação sacramental dentro da Igreja e para ela. É um meio pelo qual Cristo revela e aprofunda o mistério de sua união conosco, seu corpo.  Portanto, marido e mulher vivem uma verdadeira vida sacramental quando seguem as palavras de São Paulo: "Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5,21).

Na Igreja católica, a união sacramental de um casal é exclusiva (um só homem com uma só mulher)e indissolúvel (até que a morte os separe).  São essas as maneiras concretas pelas quais se torna realidade a misteriosa união entre marido e mulher, entre Cristo e a Igreja.

A melhor coisa que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles.  Da mesma forma, uma das melhores coisas que um casal pode fazer pela Igreja e pelo mundo é esforçar-se em busca de maior união.

As sagradas ordens: o sacerdócio ministerial

A Igreja é o Corpo de Cristo. Como tal, a Igreja toda participa da natureza e das funções de Cristo, sua cabeça.  Isto inclui participar do seu sacerdócio.

Mas além desse "sacerdócio comum dos fiéis" há o sacerdócio especial ou "ministerial" de Cristo, que certos membros da Igreja recebem mediante o sacramento das Sagradas Ordens.

Cada tipo de sacerdócio - comum ou ministerial - é uma participação do sacerdócio de Cristo.  E ambos os tipos estão relacionados um com o outro.  Mas há uma diferença fundamental entre eles: no Sacrifício Eucarístico, por exemplo, o sacerdote ordenado age "na pessoa de Cristo" e oferece o Sacrifício a Deus em nome de todos; e o povo se une ao sacerdote neste oferecimento.  As duas funções, a do padre e a do povo, vão juntas.

Os sacerdotes recebem seu sacerdócio dos bispos, que possuem a plenitude do sacramento da Ordem.  Quando um bispo ordena sacerdotes, ele lhes dá uma participação no seu sacerdócio e na sua missão.

Os sacerdotes participam do ministério de Cristo pregando o Evangelho, fazendo tudo o que podem para levar seu povo à maturidade cristã.  Eles batizam, curam e perdoam pecados no sacramento da Penitência; agem como testemunhas da Igreja nos sacramentos do matrimônio e da Unção dos Enfermos.  Mais importante ainda: celebram a Eucaristia, que é "o centro da comunidade de fiéis que o sacerdote preside" (Decreto Presbyterorum Ordinis, sobre o Ministério e a Vida dos Presbíteros, nº. 5).  Todos os sacerdotes estão unidos pelo único objetivo de edificar o corpo de Cristo.

Na ordenação, os sacerdotes são "assinalados com um caráter especial", uma capacidade interior que os habilita a "agir na pessoa de Cristo, cabeça" (Presbyterorum Ordinis, nº 2).  Esse "caráter" especial e interno une os sacerdotes entre si com um vínculo sacramental - fato esse que, em certo sentido, os separa das outras pessoas.  Esta "separação" é destinada a ajudar os sacerdotes a executarem a obra de Deus com total dedicação.

Como ensina o Vaticano ll: os sacerdotes "vivem com os demais homens como com irmãos" exatamente como Jesus fez (Presbyterorum Ordinis, nº 3).  Isto significa que os sacerdotes precisam das outras pessoas, como também as outras pessoas precisam deles.  Os leigos que trabalham ao lado dos sacerdotes ajudam-nos a liderar a comunidade do povo de Deus.

Além dos bispos e dos padres, também os diáconos tem uma participação especial no sacramento da Ordem.  O diaconato, conferido pelo bispo, é recebido como etapa preparatória para a ordenação por aqueles que se destinam ao sacerdócio.  No entanto, desde o Concílio Vaticano li, a antiga ordem do diaconato foi restaurada na Igreja Católica Romana como um ofício de pleno direito.  Agora muitas dioceses possuem diáconos que não vão se tornar sacerdotes.  São por isso conhecidos como diáconos "permanentes".  Trabalhando sob a autoridade do bispo local, os diáconos permanentes servem o Povo de Deus ao lado dos sacerdotes nas paróquias. 

A SSma.  eucaristia: sacrifício e sacramento

Na sua Constituição sobre a Liturgia, o Vaticano II começa o capítulo intitulado "O sacrossanto Mistério da Eucaristia" com estas belas palavras:

"Na última Ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue.  Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando dessarte à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial de sua morte e Ressurreição: o sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória". (Sacrosanctum Concilium, n. O 4 7).

Esse mistério é o próprio centro e ápice da vida cristã. É "fonte e ápice de toda evangelização... o próprio centro" da comunidade de fé (Presbyterorum Ordinis, nº 5).

Em cada missa, Cristo está presente, não só na pessoa de seu sacerdote, mas também e sobretudo sob a forma de pão e vinho.  Em cada Missa sua morte se torna uma realidade presente, oferecida como nosso sacrifício a Deus dum modo incruento e sacramental.  Toda vez que o Sacrifício da Cruz é celebrado sobre o altar, a obra da nossa redenção se renova.

Na Missa oferecemos Cristo, nosso sacrifício pascal, a Deus, e oferecemo-nos também com Ele.  Depois recebemos o Senhor ressuscitado, nosso pão da vida, na Santa Comunhão.  Fazendo isso, entramos no próprio centro do mistério pascal de nossa salvação - a morte e a Ressurreição de Cristo.

Participando da ceia do Senhor, nós transpomos o tempo e ,,proclamamos a morte do Senhor até que Ele venha" (l Cor 11,26).  Tomando parte neste banquete de amor, nos tornamos mais intimamente unidos a Ele num só corpo.  Naquele momento nosso futuro com Deus torna-se uma realidade presente.  A união a que estamos destinados é não só simbolizada mas também tornada real na refeição de que participamos.  Na Missa, passado e futuro tornam-se realmente presentes em mistério.

Se você se prepara para ela cuidadosamente e dela se aproxima com fé viva, a Eucaristia o introduz no amor de Cristo que nos impele e o abrasa de amor.  E ao despedir-se do mistério sagrado, você percebe que foi introduzido nele, se você "demonstra pelas ações o que aceita pela fé".  E se você retornar ao Iugar onde é guardado o SSmo.  Sacramento, Cristo presente no tabernáculo, você pode renovar sua experiência do insondável amor que sua presença, lá, silenciosamente, exprime

13. O destino humano 

Morte e juízo particular

A Igreja acredita em dois destinos finais- um para os indivíduos e outro para a humanidade como um todo.

O que você pode esperar na morte está expresso no Novo Testamento, na Carta aos Hebreus: "Está determinado que os homens morram uma só vez, depois do que vem o julgamento..." (Hb 9,27).

Sua vida como peregrino na terra atinge o ponto de chegada no momento da morte.  Tendo transposto o limite deste mundo de tempo e mudança, você não pode mais escolher uma realidade diferente como o máximo amor de sua vida.  Se sua opção fundamental de amor no momento da morte foi o Bem absoluto que chamamos Deus, Deus permanece sua posse eterna.  Esta posse eterna de Deus chama-se céu.

Se sua definitiva opção de amor no momento da morte foi algo inferior a Deus, você experimenta o vazio radical de não possuir o Bem absoluto.  Esta ruína eterna chama-se inferno.

O julgamento no instante da morte consiste numa revelação límpida da sua condição imutável e livremente escolhida: a eterna união com Deus ou a eterna alienação. 

O purgatório e a comunhão dos santos

Se você morre no amor de Deus mas está com "manchas de pecado", estas manchas são eliminadas num processo de purificação chamado purgatório.  Tais manchas de pecado são principalmente as penas temporais devidas aos pecados veniais ou mortais já perdoados, mas para os quais não foi feita expiação suficiente durante sua vida.  Esta doutrina do purgatório, contida na Escritura e explanada na tradição, foi claramente expressa no li Concílio de Lião (l274 d.C.).

Tendo passado pelo purgatório, você estará plenamente livre do egoísmo e será capaz do amor perfeito.  Seu eu egoísta, aquela parte de você que sem cessar procurava auto-satisfação, terá morrido para sempre.  O seu "novo eu" será sua - mesma pessoa íntima, transformada e purificado pela intensidade do amor de Deus por você.

Além de ensinar a realidade do Purgatório, o 11 Concílio de Lião afirmou também que "os fiéis na terra podem ser de grande ajuda" para os que sofrem o purgatório, oferecendo por eles "o Sacrifício da Missa, orações, esmolas e outros atos religiosos".

Está incluído nesta doutrina o laço de unidade - chamado Comunhão dos Santos - que existe entre o Povo de Deus na terra, e os que partiram à nossa frente.  O Vaticano li, refere-se a este vínculo de união dizendo que "recebe com grande respeito aquela venerável fé de nossos antepassados sobre o consórcio vital com os irmãos que estão na glória celeste ou ainda se purificam após a morte" (Lumen Gentium, nº 51).

A Comunhão dos santos é uma rua de mão dupla: no trecho acima citado, o Vaticano II afirma que, assim como você na terra pode ajudar aqueles que sofrem o purgatório, assim os que estão no céu podem ajudá-lo na sua peregrinação, intercedendo por você junto de Deus. 

O inferno

Deus, que é infinito amor e misericórdia, é também justiça infinita.  Por causa da justiça de Deus e também por causa do seu total respeito pela liberdade humana, o inferno é uma possibilidade real como destino eterno de uma pessoa. É difícil para nós entender este aspecto do mistério de Deus.  Mas o próprio Cristo o ensinou e também a Igreja o ensina.
A doutrina do inferno está claramente na Escritura.  No Evangelho de Mateus Cristo diz aos justos: "Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo".  Mas aos ímpios Ele dirá: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos" (Mt 25,34.41). Em outro lugar se recorda que Jesus disse: "É melhor entrares mutilado para a Vida do que, tendo as duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível" (Mc 9,43).

Um ponto que se destaca claramente desta doutrina é a realidade da liberdade humana.  Você é livre para buscar a Deus e servi-lo.  E é livre para fazer o contrário.  Em ambos os casos, você é responsável pelas conseqüências.  A vida é um assunto sério.  O modo como você a vive faz uma grave diferença.  Você é livre, radicalmente livre,  para buscar a Deus. E é livre, radicalmente livre, para escolher a dor inexprimível de sua ausência. 

O céu

A graça, presença de Deus dentro de você, é como uma semente, uma semente vital, que cresce, e está destinada, um dia, a desabrochar na sua plenitude.

Deus se deu a você, mas dum modo escondido.  No tempo presente, você o procura mesmo se já o possui.  Mas chegará o tempo em que sua procura vai terminar.  Você então verá e possuirá a Deus completamente.  Isto é o que foi revelado.

Na sua primeira carta, São João nos diz: "Caríssimos, desde já somos filhos de Deus; mas o que nós seremos ainda não se. manifestou.  Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é" (l Jo 3,2).

E, na sua primeira carta aos Coríntios, São Paulo escreve: "Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas depois veremos face a face.  Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei totalmente, como sou conhecido" (I Cor 13,12).

Isto é o céu: a direta visão de Deus face a face como Ele é Pai, Filho e Espírito Santo; união perfeita e total com Deus, um êxtase de contentamento que vai além de toda imaginação humana; o "agora" da eternidade no qual tudo é sempre novo, aprazível e presente para você; a torrente calorosa de alegria na companhia de Jesus, de sua Mãe e de todos os que você amou e conheceu; a ausência total de dor, de pesar, de más recordações; o gozo perfeito de todos os poderes da mente e (após a ressurreição no Dia do Juízo) do corpo.

O céu é isto.  Quer dizer, isto é uma descrição pálida e humana daquilo que Deus prometeu aos que o amam, daquilo que Cristo conquistou para nós com sua morte e Ressurreição. 

Um novo céu e uma nova terra

A fé no juízo final no último dia está claramente expressa nos credos da Igreja.  Naquele dia, todos os mortos ressuscitarão.

Pelo poder divino, todos estaremos presentes diante de Deus como seres humanos corpóreos.  Então Deus, Senhor absoluto da história, presidirás um panorâmico julgamento de tudo o que a humanidade fez e suportou através dos longos séculos nos quais o Espírito atuou para nos gerar como um povo.

Quando chegará este dia?  Numa passagem notável, repleta da esperança em todas as coisas humanas, o Vaticano II, faz essa pergunta e expressa a visão da Igreja: "Nós ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira da transformação do universo.  Passa certamente a figura deste mundo deformada pelo pecado, mas aprendemos que Deus prepara morada nova e terra nova.  Nela habita a justiça e sua felicidade irá satisfazer e superar todos os desejos da paz que sobem nos corações dos homens".

Enquanto isso, durante o tempo que nos resta, "cresce aqui o corpo de uma nova família humana, que já pode apresentar algum esboço do novo século".

Depois que "propagarmos na terra os valores da dignidade humana, da comunidade fraterna e da liberdade, todos estes bons frutos da natureza e do nosso trabalho, nós os encontraremos novamente, limpos contudo de toda impureza, iluminados e transfigurados... O Reino já está presente em mistério aqui na terra.  Chegando o Senhor, ele se consumará" (Gaudium et Spes, nº  39).

Este reino já está presente em mistério. Já raiou o dia em que Deus "enxugará toda lágrima dos seus olhos, e nunca mais haverá morte".  Já raiou o dia em que Ele diz a todos os seres vivos: "Eis que eu faço novas todas as coisas... Está pronto!  Eu sou o Alfa e o Omega, o Princípio e o Fim" (Apoc 21,4.5.6).

Entrementes, trabalhamos e rezamos para o pleno florescimento deste reino vindouro.  Com os primeiros cristãos, exclamamos: Marana tha!  Vem, Senhor Jesus!  Nós te buscamos.

"Handbook for Today's Catholic"

Tradução do padre José Raimundo Vidigal, C.SS.R

Literatura complementar:

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (Editora Vozes e Ave-Maria, Edições Paulinas e Loyola

NOVO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA em perguntas e respostas, Editora Loyola

BÍBLIA SAGRADA (Para acompanhar as citações aqui expostas)