CATECISMO  DO  CATÓLICO  HOJE (3)

9. Maria, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja

No seu livro Maria em Sua Vida Diária, o teólogo Bernardo Häring observa: "O Concílio Vaticano II coroou a Constituição Dogmática sobre a Igreja com um belo capítulo sobre Maria, como protótipo e modelo da Igreja. A Igreja não pode chegar a entender plenamente a união com Cristo e o serviço a seu Evangelho, sem um amor e um conhecimento profundos de Maria, Mãe de Nosso Senhor e nossa Mãe". Com uma visão penetrante na natureza profundamente pessoal da salvação, o Vaticano II abordou o influxo de Maria em nossas vidas.

Por ser mãe de Jesus, Maria é a Mãe de Deus. É o que afirma o Vaticano II: "Na Anunciação do Anjo, a Virgem Maria recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo, e trouxe ao mundo a Vida. Por isso, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor"(Lumen Gentium, nº 53). 

Como Mãe do Senhor, Maria é uma pessoa inteiramente singular. Como seu Filho, ela foi concebida como ser humano (e viveu toda a sua vida) isenta de qualquer vestígio do pecado original, isto se chama sua Imaculada Conceição. 

Antes, durante e após o nascimento de seu filho Jesus, Maria permaneceu fisicamente virgem.

No final da sua vida Maria foi assunta - isto é, elevada - ao céu, de corpo e alma; a isso chamamos sua Assunção.

Na qualidade de Mãe de Cristo, cuja vida vivemos, Maria é também a mãe de toda a Igreja. Ela é membro da Igreja, mas um membro totalmente singular. O Vaticano II exprime sua relação conosco como a de um membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu modelo... na fé e na caridade. "E a Igreja católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como mãe amantíssima"(Lumen Gentium, nº 53). 

Como uma mãe que aguarda a volta dos seus filhos adultos para casa, Maria nunca cessa de influenciar o curso de nossas vidas. Diz o Vaticano II: "Ela concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-o ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz... Por tal motivo ela se tornou para nós Mãe, na ordem da graça"(Lumen Gentium, nº 61). "por sua maternal caridade cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam na terra rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à feliz pátria"(Lumen Gentium, nº 62). 

Essa Mãe, que viu seu próprio Filho feito homem morrer pelo resto de seus filhos, está esperando e preparando seu lugar para você. Ela é, nas palavras do Vaticano II, seu "sinal da esperança segura e do conforto" (Lumen Gentium, nº 68). 

A igreja venera também os outros santos que já estão com o Senhor no céu. São pessoas que serviram a Deus e ao próximo dum modo tão notável, que foram canonizados, isto é, a Igreja declarou oficialmente heróicos, e nos exorta a rezarmos a eles, pedindo sua intercessão por todos nós junto a Deus.

10. As Sagradas Escrituras e a tradição

Concílio Vaticano II descreve a Sagrada Tradição e as Sagradas Escrituras como sendo "semelhante a um espelho em que a Igreja peregrinante na terra contempla a Deus" (Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, nº 7). 

A palavra revelada de Deus chega até você mediante palavras faladas e escritas por seres humanos. A Escritura Sagrada é a Palavra de Deus "enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo"(Dei Verbum, nº 9). A sagrada Tradição é a transmissão da Palavra de Deus pelos sucessores dos apóstolos. Juntas, a Tradição e a Escritura constituem um só sagrado depósito da palavra de Deus, confiado à Igreja"(Dei Verbum, nº 10).

A Bíblia: seus livros e sua mensagem

A Sagrada Escritura, a Bíblia, é uma coleção de livros. Conforme o cânon da Escritura (a lista dos livros que a Igreja católica aceita como autênticos), a Bíblia contém 73 livros. Os 46 livros do Antigo Testamento foram escritos aproximadamente entre os anos 900 a.C. e 160 a.C. - isto é, antes da vinda de Cristo. Os 27 livros do Novo Testamento foram escritos aproximadamente entre os anos 50 d.C. e 140 d.C.

A coleção do Antigo Testamento é constituída de livros históricos, didáticos (que ensinam) e proféticos (que contém as palavras inspiradas dos profetas, pessoas que experimentavam a Deus de maneiras especiais e eram seus autênticos porta-vozes). Esses livros, com poucas exceções, foram escritos originalmente em hebraico.

Em síntese, os livros do Antigo Testamento são um testemunho da experiência que o povo israelita teve de Javé, "o Deus de seus pais" (veja Êx 3, 13-15). No seu conjunto, esses livros revelam a reflexão de Israel sobre a realidade pessoal do Deus único, Javé, que age na história humana, guiando-a com um plano e um objetivo. Javé, o Deus do Antigo Testamento, é o mesmo Deus que Jesus, um judeu, chamava de Pai.

Os livros do Novo Testamento, escritos originalmente em grego, são constituídos de Evangelhos (proclamações da Boa Nova) e Epístolas (cartas). Primeiro, na ordem em que aparecem na Bíblia, estão os Evangelhos chamados sinóticos (do grego synoptikos, ver o conjunto ao mesmo tempo), porque em boa parte eles contam a mesma história da mesma maneira. O livro intitulado Atos dos Apóstolos, que vem após o Evangelho de São João (também denominado Quarto Evangelho) completa a imagem de Jesus encontrada nos três Evangelhos sinóticos.

A seguir vem as Epístolas de São Paulo - os documentos mais antigos do Novo Testamento - que foram escritas em cada caso para responder a necessidades particulares das várias comunidades cristãs locais.

Depois das Epístolas de Paulo vêm as Epístolas católicas. Essas cartas são chamadas católicas, ou universais, porque não foram escritas em vista de determinadas necessidades das igrejas locais, mas com temas importantes para todas as comunidades cristãs.

O último livro do Novo Testamento é o Apocalipse, mensagem de esperança para os cristãos perseguidos, prometendo o triunfo final de Cristo na história.

tema fundamental do Novo Testamento é Jesus Cristo. Cada livro revela um aspecto diferente do seu mistério. Os quatro Evangelhos referem as palavras e atos de Jesus como eram recordados e transmitidos nas primeiras gerações da Igreja. Narram a história da sua Paixão e Morte, e o que esta morte significa à luz da sua Ressurreição. Em certo sentido, os Evangelhos começaram com a Ressurreição; a doutrina de Jesus e os fatos de sua vida adquiriram sentido para os primeiros cristãos só depois da Ressurreição. Os Evangelhos refletem a fé comum dos primeiros cristãos no Senhor que ressuscitou e agora habita no meio de nós.

Os escritos do Novo Testamento não relatam quem Jesus era, mas quem Ele é. Mais que meros documentos históricos, esses escritos têm o poder de mudar a sua vida. No "espelho" do Novo Testamento você pode encontrar Jesus Cristo. Se você aceita o que vê neste espelho, o sentido que Jesus tem para você, na sua situação concreta, você pode também encontrar-se consigo mesmo. 

A tradição, o Vaticano II e os santos Padres

A Sagrada Tradição é a transmissão da Palavra de Deus. Esta transmissão é feita oficialmente pelos sucessores dos apóstolos, e não oficialmente por todos os que cultuam, ensinam e vivem a fé, tal como a Igreja a entende.

Certas idéias e costumes originam-se do processo da Tradição e se tornam meios para ela, alguns até mesmo por vários séculos. Mas um produto da Tradição constitui um elemento básico seu, apenas quando tal produto serviu para transmitir a fé numa forma invariável desde os primeiros séculos da Igreja. Exemplos de elementos básicos são a Bíblia (como um instrumento tangível usado na transmissão da fé), o Símbolo dos Apóstolos ou Credo, e as formas básicas da liturgia da Igreja.

Numa determinada época, um produto da Tradição pode exercer um papel especial na transmissão da fé. Os documentos dos concílios ecumênicos são disso os principais exemplos. Concílio Ecumênico é uma assembléia oficial de todos os bispos do mundo que estão em comunhão com o papa, com a finalidade de tomar decisões. Os ensinamentos de um Concílio Ecumênico - produtos da Tradição no sentido estrito - desempenham uma função decisiva no processo da Tradição. Os documentos do Concílio de Trento, realizado no séc. XVI, desempenharam tal função. Assim também sucedeu com os documentos do Concílio Vaticano I, celebrado no séc. XIX.

Nos nossos dias, os documentos do Concílio Vaticano II estão exercendo o mesmo papel no processo da tradição. Conforme declarou o Papa Paulo VI numa alocução de 1966. "Devemos dar graças a Deus e ter confiança no futuro da Igreja, quando pensamos no Concílio: ele será o grande catecismo dos nossos tempos".

O Vaticano II fez o que a Igreja docente sempre tem feito: expressou o conteúdo imutável da revelação, traduzindo-o para formas de pensamento do povo de acordo com a cultura de hoje. Mas esta "tradução do conteúdo imutável" não é como que vestir notícias velhas com linguagem nova. Como afirmou o Vaticano II: "Esta Tradição, oriunda dos Apóstolos, progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. Cresce, com efeito, a compreensão tanto das coisas como das palavras transmitidas... no decorrer dos séculos, a Igreja tende continuamente para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus". (Dei Verbum, nº 8). 

Pelo Vaticano II a Igreja deu ouvidos ao Espírito, empenhou-se na sua "tarefa de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho" (Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no Mundo Moderno, nº 4). Nem sempre é claro aonde o Espírito está nos conduzindo. Mas o terreno no qual nós, a Igreja, caminhamos adiante da nossa peregrinação é firme: o Evangelho de Cristo. Nesta etapa da nossa história, um de nossos instrumentos básicos de Tradição - de transmissão da fé - são os documentos do Vaticano II.

A Tradição é um processo inteiramente pessoal. A fé é transmitida de pessoa para pessoa. Papas e Bispos, sacerdotes e religiosos, teólogos e mestres transmitem a fé. Mas as pessoas mais envolvidas nesse processo são os pais e seus filhos. Filhos de pais chineses dificilmente aprendem um dialeto irlandês. E filhos de pais não-praticantes dificilmente aprendem uma fé profunda e vivencial. Assim, com relação à Tradição, guarde bem na memória as palavras do célebre sacerdote e educador inglês, Cônego Drinkwater: "Você educa até certo ponto... pelo que você diz, mais pelo que você faz e ainda mais pelo que você é; mas acima de tudo, pelas coisas que você ama".

11. Pecado original e pessoal 

O pecado original e seus efeitos

Em sua Constituição sobre a Igreja no Mundo Moderno ensina o Vaticano II: "Constituído por Deus em estado de justiça, o homem contudo, instigado pelo Maligno, desde o início da história abusou da própria liberdade. Levantou-se contra a Deus desejando atingir seu fim fora dele"(Gaudium et Spes, nº 13)

Em forma narrativa, os capítulos 1 até 11 do Livro do Gênesis, descrevem este fato sombrio para a humanidade. Os capítulos 1 e 2 do Gênesis contam a história da criação por Deus. Deus criou todas as coisas, inclusive o homem e a mulher, e viu que tudo era bom.

Mas neste mundo perfeito entrou o pecado. No capítulo 3 do Gênesis vemos que o homem Adão rejeita a Deus e tenta tornar-se igual a Ele. Como conseqüência deste pecado original, o homem se sente afastado de Deus. Esconde-se. Quando Deus o interpela, Adão culpa sua mulher, Eva, pelo seu pecado, e ela, por sua vez, culpa a serpente. A lição é simples e trágica: o pecado do homem corrompeu a vida num pesado fardo.

Os capítulos 4 a 11 do Gênesis mostram o avanço do pecado no mundo, a partir do pecado original de Adão. Caim assassina seu irmão Abel. O pecado atinge tamanhas proporções que Deus manda um grande dilúvio que cobre a terra - símbolo do caos e loucura da humanidade chega ao auge: o homem tenta de novo tornar-se igual a Deus construindo uma torre que atinja os céus. Esta rejeição de Deus se manifesta na rejeição do próximo por parte do homem. Doravante existe divisão e completa falta de comunicação entre as nações.

Conforme o Gênesis, um mundo de belezas foi deformado pelo pecado. O resultado que se seguiu foi divisão, dor, derramamento de sangue, solidão e morte. Esta trágica narrativa exprime algo que sentimos na própria carne. A realidade que ela aponta faz parte fundamentalmente da experiência humana. Não nos surpreende que esta realidade - o fato do pecado original e seus efeitos em todos nós - seja um ensinamento da Igreja.

Com exceção de Jesus Cristo e de sua Mãe Maria, todo ser humano nascido neste mundo está contaminado pelo pecado original. Como são Paulo declara em Rom, 5, 12: "Por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens porque todos pecaram".

Embora continue a mostrar que há o mal neste mundo, a Igreja não está sugerindo que a natureza humana esteja corrompida. Ao contrário, a humanidade é capaz de fazer muito bem. Não obstante sintamos uma "tendência para baixo", ainda mantemos o controle essencial sobre nossas decisões. Permanece a vontade livre. E - o que é mais importante - Cristo, nosso Redentor, venceu o pecado e a morte pela sua morte e Ressurreição. Essa vitória cancelou não apenas nossos pecados pessoais, mas também o pecado original e seus propalados efeitos. A doutrina do pecado original, portanto, entende-se melhor como um escuro pano de fundo contra o qual pode ser aplicada, fazendo contraste, a brilhante redenção adquirida para nós por Cristo, nosso Senhor. 

Pecado pessoal

Aos efeitos do pecado original deve-se acrescentar o pecado pessoal, o pecado cometido por um indivíduo. Pecamos pessoalmente toda vez que consciente e deliberadamente violamos a lei moral. Pelo pecado deixamos de amor a Deus. Desviamo-nos - ou até mesmo retrocedemos - da meta da nossa vida que é fazer a vontade de Deus.

Pecado mortal é a rejeição fundamental do amor de Deus. Por ele a presença da graça divina é retirada do pecado. Mortal, que dizer “que causa a morte” .  Este pecado mata a vida e o amor divinos na pessoa que peca. Para que o pecado seja mortal, deve haver (1) matéria grave, (2) reflexão suficiente, e (3) pleno consentimento da vontade.

Pecado venial é uma rejeição menos séria do amor de Deus. Venial significa “que se perdoa facilmente”.  O pecado é venial quando a falta não é grave, ou - se a matéria é grave - a pessoa não está suficientemente cônscia do mal existente, ou não consente plenamente o pecado.

O pecado venial é como uma doença espiritual que magoa mas não mata a presença da graça divina dentro da pessoa. Pode haver graus de gravidade no pecado, como as diferentes doenças podem ser mais graves ou menos graves. mesmo os pecados  menos graves não devem ser considerados levianamente. Pessoas que se amam não querem ofender uma à outra de maneira alguma, nem sequer do modo mais insignificante.

Para haver pecado, de qualquer gravidade, não é preciso que haja ações. Pode-se pecar por pensamento ou desejo ou por omissão de fazer algo que devia ser feito.

Deus perdoa  qualquer pecado - mesmo os mais graves - um sem número de vezes, se a pessoa está realmente arrependida.

Quem se considera em pecado mortal deve confessar tal pecado e reconciliar-se com Cristo e com a Igreja, antes de receber a Santa Comunhão (1 Cor 11, 27-28) 

Pecado pessoal e mal social

Os padrões do mal podem ser institucionalizados.  Por exemplo, a injustiça pode vir a ser parte do modo de viver de um grupo, sendo incluída nas leis e nos costumes sociais.  Esses (padrões), numa reação em cadeia, contaminam as atitudes e ações das pessoas naquele ambiente.  A influência desses padrões pode ser tão sutil que as pessoas neles comprometidas podem efetivamente não ter consciência do mal que provocam.

O mistério do pecado original tem uma dimensão social, e a cooperação em padrões de pecado intensificam presença do mal no mundo.  Contribui para o sofrimento humano.  Por isso, o Vaticano li faz questão de enfatizar - especialmente durante o tempo penitencial da quaresma - "as conseqüências sociais do pecado" (Constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia, nº  109).

Quem se associa ao mal institucional torna-se "parte do problema" - um descendente atuante do Velho Homem, Adão.  Quem resiste ou se opõe ao mal social torna-se "parte da solução" - alguém que vive da vida conquistada para nós pelo Homem Novo, Jesus Cristo. 

A formação de uma consciência reta

Falando da dignidade dos seres humanos, diz o Vaticano li: "Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei que ele não impõe a si mesmo, mas o impele à obediência.  Chamando-o sempre a amar e fazer o bem e a evitar o mal, no momento oportuno a voz desta lei lhe soa nos ouvidos do coração: "faça isto", "evite aquilo.  De fato, o homem tem uma lei escrita por Deus em seu coração.  Obedecer a ela é a própria dignidade do homem, que será julgado de acordo com esta lei.  A consciência é  o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz". (Gaudium et Spes, n.' 16).

Todos somos moralmente obrigados a seguir nossa consciência.  Mas isto não significa que esteja infalivelmente certo tudo quanto nossa consciência nos diz... Como diz o Vaticano li: "Não raro a consciência erra, por ignorância invencível" (ib., nº 16) - isto é, por uma ignorância pela qual a pessoa não é moralmente responsável.  Procurar formar uma consciência reta faz parte de nossa dignidade e responsabilidade.

Falando da consciência reta, afirma o Vaticano li: "Quanto mais prevalecer a consciência reta, tanto mais as pessoas e os grupos se afastam de um arbítrio cego e se esforçam por se conformar às normas objetivas da moralidade" (ib., nº 16).

Sobre o árduo tema de como formar uma consciência reta, o Vaticano II diz: "Na formação de sua consciência, os cristãos hão de ater-se à doutrina santa e certa da Igreja.  Pois, por vontade de Cristo, a Igreja católica é mestra da verdade e assume a tarefa de enunciar e de ensinar autenticamente a Verdade que é Cristo. Ao mesmo tempo, ela declara e confirma, por sua autoridade, os princípios de ordem moral, que promanam da própria natureza humana" (Declaração Dignitatis Humanae, sobre a Liberdade Religiosa, nº. 14).

Nos assuntos pessoais de consciência, "atenha-se à doutrina santa e certa da Igreja". Além disso, no núcleo secretíssimo e no sacrário" do seu coração onde você está "sozinho com Deus", busque sua vontade.  Procure e você encontrara.

12. Os Sacramentos da Igreja 

O batismo: vida nova e modos de vivê-la

Pela simbólica  imersão nas águas do Batismo, você é "inserido no mistério pascal de Cristo".  Dum modo misterioso, você “morre com Ele, é com Ele sepultado e ressuscita com Ele" (Constituição Sacrosanctum Concílíum, nº  6).

Como cristão batizado, você é um irmão adotivo de Cristo, escondido com Cristo em Deus" (Col 3,3), mas é um membro visível do seu corpo.

Tendo morrido para o pecado (tanto o pecado original como os pecados pessoais são eliminados pelas águas do Batismo), você entrou para a comunidade da Igreja "como por uma porta".  O seu indelével batismo em Cristo foi o começo de uma vocação única e perene.

Muitas pessoas exercem sua vocação batismal de maneiras bem concretas por meio das atividades paroquiais.  Colaborando com seus párocos, ajudam como ministros da Eucaristia, leitores, comentadores, maestros, recepcionistas, acólitos, membros do conselho paroquial, da Legião de Maria, da Sociedade São Vicente de Paulo, do Apostolado da Oração e de muitos outros grupos paroquiais.

Alguns cooperam para a vida espiritual e comunitária de suas paróquias ensinando religião, tomando parte em programas de alfabetização de adultos, círculos bíblicos, grupos de oração, grupos de orientação familiar como o MFC (Movimento Familiar Cristão).  Muitos revitalizam sua fé batismal louvando a Deus em grupos como os dos carismáticos.  Essas são apenas algumas das maneiras pelas quais os membros banzados do corpo de Cristo vivem o mistério de sua vocação batismal.

Um modo superior de viver a vida do Batismo é a chamada Vida Religiosa.  Atendendo a uma graça especial de Deus, certas pessoas ingressam nas ordens e congregações religiosas e se tornam irmãos ou irmãs, também chamadas freiras. (Alguns religiosos também abraçam o sacerdócio, unindo sua vida religiosa com o ministério sacerdotal específico).

Como religiosos consagrados, tais pessoas consagram-se a Deus prometendo viver os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência.  Como explica o Vaticano 11. suas vidas estão devotadas ao serviço de Deus "num ato de consagração especial que está intimamente radicada na sua consagração batismal e que a exprime mais plenamente" (Decreto Perfectae Caritatis sobre a Vida Religiosa, n.º  5).

Pelo Batismo, você participa com os outros de "um vínculo sacramental de unidade que liga todos os que foram regenerados por ele" (Decreto Unitatis Redintegratio sobre o Ecumenismo, n.º  22).  O seu Batismo nunca pode ser repetido, porque ele une você com Deus para sempre.  Trata-se de um vínculo indissolúvel.  Pode acontecer que você perca a graça ou até mesmo a fé, mas não pode perder seu Batismo.  Você está marcado como um dos que pertencem a Deus.  O mesmo vínculo liga você duma maneira sacramental a todas as outras pessoas batizadas.  Você é um de nós e todos nós somos "pessoas sacramentos".  Juntos somos chamados a viver até à morte o mistério batismal no qual fomos mergulhados. 

A confirmação: selo do Espírito, dom do Pai

A Confirmação ou Crisma é o sacramento pelo qual aqueles que nasceram de novo pelo Batismo recebem o seio do Espírito Santo, Dom do Pai. Junto com o Batismo e a eucaristia, a confirmação é um sacramento de iniciação - neste caso, iniciação à vida de uma testemunha cristã adulta.  A presença mais intensa do Espírito que vem a nós neste sacramento está destinada a nos sustentar por toda a vida na qualidade de testemunhas de Cristo e no serviço aos outros.

Ao conferir a confirmação, o celebrante humedece seu polegar com o crisma, que é uma mistura solenemente consagrada de óleo de oliveira e bálsamo, e traça o sinal da cruz na fronte do crismando.  Este gesto é a imposição das mãos que é parte essencial do sacramento e remonta ao tempo dos apóstolos.

Enquanto unge, o celebrante se dirige ao crismando, chamando-o pelo nome (*) e dizendo: "Recebe por este sinal, o Dom do Espírito Santo!" Estas palavras estão intimamente relacionadas com o cristianismo primitivo.  Como São Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso: "Nele também vós... fostes selados pelo Espírito Santo prometido, que é o penhor da nossa herança..." (Ef 1,13 - 14).

A palavra Dom, neste ' contexto de Confirmação, é escrita com letra maiúscula, porque o Dom que recebemos neste sacramento é o próprio Espírito Santo.