Familiares, profissão e residência

Simão era filho de João e nasceu em Betsaida, assim como o seu irmão André. Possuía um gênio forte e temperamento impulsivo, alojado num coração generoso e repleto de bondade. Não se deixava vencer pela adversidade, revelava uma fibra invejável, embora a sua coragem e iniciativa pessoal estivessem fundamentadas na própria força humana. Homem simples, rude, de pouca instrução, dedicava-se à pesca. Fixou residência em Cafarnaum da Galiléia, que era banhada pelo Lago de Genesaré, também chamado Mar de Tiberiades ou Mar da Galiléia. Na pescaria tinha sociedade com o seu irmão André e o trabalho começava cedo, porque procuravam regressar antes do horário de almoço, a fim de poderem comercializar o pescado na cidade e arredores. Como aquela região é muito quente no período do verão, Simão adquiriu o hábito de pescar completamente despido (Jo 21,7), pois se sentia melhor e com os movimentos mais livres. Quando terminava a pescaria, colocava uma espécie de calção e uma veste, a fim de transportar o pescado em cestas na companhia de André, para serem vendidos no mercado e na praça. Era casado, mas pouco se conhece sobre a sua vida íntima, antes da conversão. O Novo Testamento apenas registra a presença de sua sogra em Cafarnaum, conforme escreveu são Mateus: “Entrando Jesus na casa de Simão (Pedro), viu a sogra deste que estava de cama e com febre. Logo lhe tocou a mão e a febre a deixou. Ela se levantou e pôs-se a servi-Lo”. (Mt 8,14-15)

Também o evangelista João Marcos nos proporciona mais algumas pistas: “E logo ao sair da sinagoga (Jesus) foi à casa de Simão e de André, com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama com febre, e eles imediatamente o mencionaram a Jesus. E (Ele) aproximando-se, tomou-a pela mão e a fez levantar-se. A febre a deixou e ela se pôs a servi-los.” (Mc 1,29-31)

Pelos textos, compreende-se que André morava junto com o seu irmão Simão, e que além da esposa de Pedro também morava na mesma residência, a sogra dele. Entretanto, naquele momento, a única mulher que estava em casa era a sogra de Pedro e ela permanecia deitada com febre. Depois de curada por Jesus é que teve condições físicas de preparar a refeição para todos e foi servi-los. Assim sendo, pode-se deduzir que a esposa de Simão estava ocupada em outra atividade, provavelmente ajudando na limpeza e comercialização do pescado no mercado ou na praça. Isto porque, eles viviam do trabalho e naquele momento Pedro estava com Jesus. Ela, a esposa,  além de cuidar da casa ajudava o marido no produto da pescaria e em todas viagens missionárias, conforme afirma são Paulo na primeira Carta aos Coríntios: “Não temos o direito de levar conosco, nas viagens, uma mulher (esposa) cristã, como os outros Apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas (Pedro)?” (1 Cor 9,5)

Que pode ser interpretada assim: “Não temos o direito de levar nas viagens nossa esposa, como Simão Pedro (Cefas) leva?”

Isto acontecia, pela necessidade dos Apóstolos serem servidos e assim, terem mais tempo para evangelizar, confirmando desse modo, que Pedro levava consigo a própria esposa durante as missões apostólicas. Este fato é mencionado também pelo biógrafo Clemente de Alexandria no ano 190: “a esposa de Pedro estava sempre ao lado dele, foi presa pelos soldados de Nero e sofreu o martírio em Roma provavelmente no ano 64 ou 65.” (Stromata, III, VII, página 306).

Santa Aurélia Petronilla

Existe uma secular tradição de que o Apóstolo Pedro teve uma filha. Esta notícia teve origem quando o biógrafo Clemente de Alexandria escreveu no ano 189/190, “que Pedro tinha uma filha” (conforme Stromata, III Vol., VI cap., página 276 - 2ª edição Dindorf).

Para um homem casado como Simão Pedro ter uma filha, é um fato absolutamente normal. Acontece todavia, que nem a Tradição Cristã e nem os evangelistas mencionam o fato. João Marcos que acompanhou o Apóstolo ao longo do trabalho evangelizador e inclusive era o seu interprete em Roma, não escreveu nada sobre o assunto. E Marcos, como sabemos, escreveu o segundo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, essencialmente baseado na autoridade e na pregação oral de Simão Pedro, a pedido dos cristãos romanos que queriam possuir por escrito o ensinamento do apóstolo de Jesus. Então, oficialmente, por testemunho seguro ou prova evidente, nada existe de concreto sobre a filha de Pedro, muito embora ela pudesse ter existido, sem contudo, aparecer no imenso cenário do cristianismo. Todavia, com a seqüência dos anos, as noticias cresceram em intensidade e associaram a possível filha do Apóstolo ao nome de Aurélia Petronilla, como se esse fosse o nome dela.

O nome de Aurélia Petronilla, era de uma romana que viveu no século I, sendo bem provável que tenha se convertido ao cristianismo através das pregações e ensinamentos do Apóstolo Simão Pedro. Era filha de Tito Flavio Petrônio, e pertencia a estirpe do futuro Imperador Romano. O seu parentesco é testemunhado de modo inconfundível pelo fato de ter sido sepultada no Cemitério que pertencia à família e que era chamado Cemitério de Flavia Domitila. Mulher de grande beleza, conforme afirmam os historiadores, foi oferecida em casamento a um nobre chamado Flacco (como era costume naquela época) e tinha somente três dias para se decidir. Agora convertida ao cristianismo, não quis aceitar aquela situação, por isso mesmo, sofreu muito e ficou deprimida, se consumindo em pensamentos e orações. Suplicou a ajuda Divina para solucionar aquele problema, que se lhe afigurava como muito grave e terrível, porque na verdade, pretendia cultivar e manter a virgindade ou morrer, do que se casar com aquele homem. No terceiro dia, após ter recebido a sagrada Eucaristia (a fração do pão, como os cristãos celebravam), envolvida por forte comoção, desmaiou, caindo nos braços da mãe, que então, só percebeu que ela estava morta em seus braços minutos após, quando à vivacidade de seus reflexos desapareceram da face. Foi sepultada no cemitério de Domitila, na via Ardeatina, ao lado de dois mártires: soldado Nereo e Achilleo (conforme De Rossi, "Roma sotterranea", I,180-1) (talvez esta seja a razão porque também a chamavam de mártir, embora na realidade não tivesse sofrido nenhum martírio). Era muito venerada pelo povo e sua sepultura freqüentemente visitada. No ano 390/395 sob a ordem do papa Sirício, foi construído no local uma bonita Igreja. No século VIII, no ano 757, o Papa Paulo I se empenhou e cumpriu a promessa que seu antecessor, papa Estevão III fizera a Pepino, rei da França, e transladou o corpo de Aurélia Petronilla, canonizada santa por suas admiráveis virtudes, daquela Igreja no cemitério, para a basílica de São Pedro no Vaticano, edificando um altar próximo ao túmulo do Apóstolo. Na verdade, a monarquia francesa desde a morte de Petronilla, sempre acreditou que a santa fosse realmente a filha carnal do apóstolo Pedro. E este foi o motivo porque originou a solicitação do rei Pepino da França ao papa. A devoção do povo a Santa Petronilla cresceu, embora em seu altar fosse colocada a inscrição Ecclesiae romanae filii” (denominando-a de romana filha da Igreja) e portanto filha adotiva da Igreja e filha espiritual de São Pedro (porque foi convertida por ele). Assim sendo, embora o Vaticano tenha acolhido a solicitação francesa e transportou os restos mortais de Petronilla para a Basílica de são Pedro, oficialmente não a considerava filha carnal do Apóstolo, mas “filha espiritual” em conseqüência de sua conversão. Entretanto, diversos escritores desde aquela época, insistem na opinião de que santa Petronilla seja de fato a filha de Pedro e inclusive, querem encontrar parentesco até na semelhança dos nomes: Pedro e Petronilla, a fim de reforçar os laços da paternidade do Apóstolo. Entretanto, embora na França também permaneça enraizada a idéia de que santa Aurélia Petronilla seja a filha carnal do apóstolo são Pedro e por isso, é muito venerada e é patrona de diversas Igrejas e organizações religiosas, na maioria da cristandade existe uma normal aceitação de que Simão Pedro era casado e portanto podia perfeitamente ter uma filha, mas que pela conclusão dos estudiosos a filha de Pedro não é Aurélia Petronilla e sim uma outra santa mulher, que infelizmente a história ocultou o seu nome para sempre.

O chamado de Jesus

André, irmão de Simão, era discípulo de João Batista e sempre o ajudava na organização do povo que acorria ao rio Jordão, para ser batizado. Batista realizava um batismo de penitência, preparando as pessoas para que se arrependessem de seus pecados, para dignamente receberem o Messias. André ouvia os ensinamentos de Batista e guardava diligentemente as suas palavras, com uma grande esperança na chegada do Senhor. Naquele dia, ele estava do outro lado do rio Jordão, com João Batista e João evangelista, filho de Zebedeu, quando Jesus passando por eles, cumprimentou a distância e seguiu o seu caminho. João Batista falou: “Eis o Cordeiro de Deus”. (Jo 1,36)

André e João Evangelista ouvindo, ficaram emocionados e ansiosamente se despediram de Batista. Agitados e com o coração pulando de alegria, se aproximaram do Senhor. Jesus convidou-lhes a segui-Lo. Mais tarde, regressando a casa, André falou com Simão que tinha encontrado o Messias e contou-lhe a novidade. Simão acolheu a notícia com imenso prazer e logo se manifestou interessado em conhecer o Senhor. Juntos no dia seguinte encontraram Jesus, que olhando bem nos olhos dele, falou: “Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas” (que traduzindo para o português significa Pedra = Pedro). (Jo 1,42)

(Em português, notamos com facilidade a diferença entre as duas palavras Pedro e pedra, pela riqueza do vocabulário português, e desse modo, não temos meios de avaliar a força da palavra no original aramaico, que por ser um idioma pobre, com poucos vocábulos, uma mesma palavra “Cefas” indica o elemento rocha e o nome daquele que foi escolhido para chefe do colégio apostólico).

Significa dizer, que o Senhor quis fundar a sua Igreja edificando-a sobre a Pedra, sobre a Rocha, que a torna firme e inabalável e por isso, mudou o nome de Simão.

 Viagens evangelizadoras

Os Apóstolos ampliando o campo de atuação, percorreram a Samaria, a Peréia, Decápolis, Galileia, Abilene, Ituréia, Iduméia, visitando cidades e fundando novas Comunidades Cristãs, ensejando o aparecimento de fieis entusiasmados e cheios de amor. Na continuidade, avançaram para evangelizar a Antioquia, Cilícia, Capadócia e muitas outras regiões. Por outro lado, pelas mãos dos Apóstolos aconteciam numerosos sinais e prodígios milagrosos no meio do povo, comprovando que eles estavam com Deus e que a missão de divulgar a doutrina de Cristo, era a vontade do Senhor.

Pedro, na sua caminhada evangelizadora chegou em Lida. Lá foi convidado a visitar um paralítico e rezar por ele. Entrou na casa e encontrou Enéias, que estava paralítico há 8 anos prostrado num leito. Disse-lhe: “Enéias, Jesus Cristo te restitui à saúde: levanta-te e arruma a tua cama.” (At. 9,34) Ele se levantou imediatamente e a alegria foi geral, todos sorriam e louvavam a Deus ao mesmo tempo em que abraçavam e beijavam as mãos do Apóstolo. Os habitantes de Lida e da planície de Saron que conheciam Enéias, ficaram emocionados e se converteram ao Senhor.

Em Jope

Na cidade próxima, pessoas que acolhiam os ensinamentos de Jesus, sabendo da presença de Pedro em Lida, enviaram dois mensageiros para encontra-lo com o seguinte pedido: “Vem ter conosco sem demora.”

Pedro partiu imediatamente. Havia em Jope uma mulher chamada Tabita, que praticava boas obras e dava esmolas com muita generosidade. Nas últimas semanas, ficou doente e morreu. Assim que ele chegou, levaram-no à sala superior onde ela estava. As viúvas choravam e mostravam as lindas túnicas e os vestidos feitos por Tabita. Pedro mandou que todos saíssem. Ajoelhou e rezou. Depois de um momento, de pé diante do corpo falou: “Tabita, levanta-te”. Ela abriu os olhos, fixou-os em Pedro e silenciosamente sentou-se na cama. Pedro estendeu-lhe a mão e levantou-a. Chamou os parentes, amigos e as viúvas: venham! Diante de Tabita viva, risos e choro se multiplicaram num imenso júbilo, ao mesmo tempo em que de joelhos piedosamente agradeceram a DEUS aquele maravilhoso milagre. (At. 9,36-42)

Cornélio, o centurião

Vivia em Cesaréia o centurião Cornélio, servidor do Império Romano. Embora pagão, ele e sua família temiam a Deus e rezavam freqüentemente, além de distribuir esmolas e ajudar as famílias menos favorecidas. Certo dia teve uma visão: um Anjo entrou em sua casa e chamou-o: “Cornélio!” Ele cheio de temor, olhou para o Anjo e respondeu: “Que há, Senhor?” Falou o Anjo: “As tuas orações e as tuas esmolas, subiram até diante de Deus e Ele se lembrou de ti. Agora, pois, envia alguns homens a Jope e manda chamar Simão, denominado Pedro. Está hospedado em casa de certo Simão, curtidor, cuja casa se acha perto do mar.” (At. 10,3-6)

Cornélio enviou dois homens e um soldado a procura do Apóstolo em Jope. Simão Pedro rezava no terraço da casa, aguardando o almoço, quando entrou em êxtase. Viu o Céu aberto e uma grande toalha sustentada pelas quatro pontas, descer para a Terra. Dentro havia todos os quadrúpedes, répteis e aves do Céu. Uma voz lhe disse: “Levanta-te, Pedro, imola e come.” Pedro respondeu: “De modo nenhum Senhor! Porque jamais comi coisa profana e impura!” A voz replicou: “Não chames impuro o que DEUS declarou puro.” Repetiu isto por três vezes, depois a toalha foi recolhida ao Céu. (At. 10,7-16)

Neste momento chegaram os homens de Cornélio, e Pedro, acompanhado por alguns cristãos de Jope, seguiu com eles para Cesaréia. Mas durante a viagem mantinha na memória a visão que teve. E compreendeu então o recado divino. Ele estava sendo convidado a se libertar dos próprios escrúpulos no tocante a pureza legal, ou seja, a pureza conforme o texto da lei. Os judeus eram circuncidados de conformidade com a lei judaica, como sinal de que receberam a graça Divina e estavam abençoados por Deus. Mas Deus também purificou o coração dos pagãos. Isto significava que todas as pessoas, circuncidadas ou não circuncidadas eram filhos de Deus, porque nasceram pela vontade do Senhor, e por isso mesmo, os cristãos não deviam recear conviver com os incircuncisos, ou seja, com os pagãos. E quanto à carne dos animais que a lei judaica proibia comer, ele compreendeu que o Senhor autorizou a humanidade comer a carne de todos os animais, menos naturalmente aquelas carnes provenientes de animais imolados aos ídolos.

Chegando em Cesárea, Cornélio veio a seu encontro e prostrou-se a seus pés. Pedro erguendo-o falou: “Levanta-te. Eu também sou apenas um homem.” (At. 10,26) E entrando na casa dele, havia muitas pessoas reunidas. Pedro falou: “Vocês sabem que pela lei judaica, é proibido um judeu relacionar-se com estrangeiros (pagãos) ou entrar na casa deles. Deus porém, acaba de me mostrar que a nenhum homem se deve chamar de profano ou impuro. Por isso, vim sem hesitar, logo que fui chamado. Mas, porque motivo me chamastes?” Cornélio, contou-lhe a Aparição do Anjo e depois disse: “Imediatamente mandei chamar-te, e fizeste bem em vir. Agora, portanto, estamos todos diante de ti para ouvir o que foi prescrito por Deus.” (At. 10,33)

Pedro tomou a palavra e falou: “Verifico que Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem O teme e pratica a justiça, lhe é agradável.” (At. 10,34-35) A seguir falou sobre a admirável obra de Jesus, que veio para salvar a humanidade e entre nós, só fez o bem e foi morto numa cruz, como um abominável malfeitor. Todavia, Deus o ressuscitou e Ele se manifestou as suas testemunhas, provando que estava com o Pai Eterno e que seus ensinamentos eram para a Vida eterna. Ordenou que anunciássemos a sua Boa Nova ao povo, em todas as regiões. Todos os profetas dão testemunho de que quem nEle crer, receberá por seu nome, a remissão dos pecados. E ali, enquanto Pedro falava, o Espírito Santo desceu sobre todos os presentes. Os fieis circuncisos que acompanharam Pedro ficaram admirados ao ver, que o dom do Espírito Santo estava sendo derramado também sobre os gentios (pagãos). Pois ouviam aquelas pessoas simples e de pouca instrução, falar em línguas e glorificar a Deus. Então disse Pedro: “Pode-se, porventura, recusar a água do batismo a esses que, como nós, receberam o Espírito Santo?” (At. 10,47) E ordenou que todos fossem batizados.