Significado bíblico do pão

A palavra pão pode ser encontrada 390 vezes no Livro santo. Na bíblia uma das dádivas mais valiosas de Deus é o pão como bem mostrou Davi ao assim se dirigir ao ente supremo: "Fazes brotar relva para o rebanho e plantas úteis ao homem, para que da terra ele tire o pão" Sl. 104 (103), 14. O termo sintetiza então tudo que é necessário para subsistência humana. Deve ser comido com júbilo, pois está preceituado no livro do Eclesiastes: " Vai e come teu pão com alegria" ( 9,7).

Javé seria para Jacó o seu Deus se Ele lhe desse pão para comer (Gên. 28,20).

Aliás o próprio Criador recriminava o seu povo por lhe ter dado pão e recebido ingratidão, pois Israel iludido se tornara impenitente (Amós, 46). Admite se que o vocábulo é empregado para expressar uma situação de profunda miséria, dado que o salmista assim se expressa, referindo-se ao povo castigado por Deus: " Deste-lhe a comer um pão de lágrimas" Sl. 80 (79), 6.

Belíssimo o sentido que a Escritura Sagrada dá à partilha do pão, como símbolo perfeito de amizade, de amor e este é o clamor do doente abandonado: "Até meu amigo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou o calcanhar contra mim"  Sl. 41 (40),10. Para os israelitas os pães de proposição oferecidos no templo eram a representação da comunhão entre a divindade e os homens (Lv. 24, 5-9). Partir este alimento com o faminto é a expressão máxima da misericórdia, sendo este o preceito que Tobias passou a seu filho: "Dá de teu pão aos que têm fome" (Tb. 4, 16). Jesus, que nasceu em Belém, que significa casa do pão, conferiu a tudo isto um significado profundo. Eis por que diante da multidão sem alimento no deserto Ele multiplicou o pão (Mt. 14, 13 s). Bem se pode imaginar a alegria daqueles cinco mil homens, além das mulheres e crianças que receberam aquela dádiva.

Na sinagoga de Cafarnaum ele profere o belíssimo discurso sobre o pão do céu (Jo. 6, 22 s). Antes de sua paixão ele toma o pão e o transubstancia no seu corpo, sangue, alma e divindade, instituindo a eucaristia (Lc. 22,19). Mais ainda Ele patenteou a importância do pão da Palavra de Deus, alimento das inteligências de seus epígonos. Com efeito, Ele afirmou: "Eu sou o pão da vida" (Jo. 22,34). Ora, ele é o Verbo Eterno de Deus, a Palavra consubstancial ao Pai (Jo. 1).

Assim sendo, o pão que se pede na oração que Ele ensinou, é não apenas o alimento material, mas também a Palavra divina, que robustece a fé, firma a esperança e anima a caridade. Que todas estas considerações levem o cristão a valorizar tudo que Deus lhe outorga para sua subsistência corporal. Que saibamos sempre partir e repartir o nosso pão e que nunca nos afastemos de Jesus Pão da Vida na Eucaristia e Palavra vivificadora que salva, que redime, purifica e ilumina.

Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho - Prof. no Inst. de Filosofia do Seminário de Mariana