JESUS  TEVE  MAIS  IRMÃOS?

Na linguagem bíblica, “irmãos” é freqüentemente usado em lugar de primo, sobrinho, tio, parente. Por exemplo, em Gênesis 13,8 Abraão diz a Ló: “Somos irmãos”    enquanto que Gênesis 11,27-31 consta claramente que Ló era filho de Aran – irmão de Abraão, portanto seu sobrinho.

Também Labão, em Gênesis 29,15 fala a Jacó: “Por seres meu irmão, servir-me-ás de graça?”Mas em Gn. 27,43 e 29,10 - 11 – Labão é declarado irmão de Rebeca, mãe de Jacó, e tio dele.

Os evangelistas Mateus e Marcos (em Mt. 13,55 e Mc. 6,3) enumeram como  “irmãos de Jesus”: Tiago, José, Judas e Simão.  Porém, na cena da crucificação de Jesus, João Evangelista coloca debaixo da cruz: “Sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madale

Enquanto Marcos acrescenta, que esta outra Maria (irmã da Mãe de Jesus) era mãe de Tiago, o Menor, e de José. Estes últimos eram portanto sobrinhos de Maria Santíssima, e primos de Jesus (Jo. 19,25 e Mc. 15,40).  Ora, Judas (Tadeu) Apóstolo,  declara-se, no início de sua carta apostólica (Jd. 1,1) “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago”. O mesmo se dá com Simão Apóstolo. Portanto, eles são parentes de Jesus e não irmãos carnais de Jesus.

Alguns evangélicos tiram conclusões erradas de que Maria – depois da concepção virginal do Salvador – tinha relações e outros filhos com José, dos três  seguintes textos bíblicos:

1) Mt 1,18  “Maria, sua Mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, ela concebeu por virtude do Espírito Santo”. “Antes de coabitarem” significa apenas: “Antes de morarem juntos na mesma casa”. Isso aconteceu, quando “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa (Maria)” (Mt. 1,24).

2) Mt. 1,25: (só em algumas traduções) “José não conheceu Maria (= não teve relações com ela) até que ela desse à luz um filho (Jesus)”. Seria errado insinuar, que depois daquele “até” José devia “conhecer” Maria. “Até” na linguagem bíblica refere-se apenas ao passado. Exemplo: “Micol, filha de Saul, não teve filhos “até” o dia de sua morte” (2 Sm. 6,23).

Como fidelíssimo observador da Lei de Moisés Jesus não podia, na hora de sua morte na cruz, confiar sua Mãe a João apóstolo (Jo 19,26), mas devia a tê-la confiado ao filho mais idoso dela, se ela de fato os tivesse.

Por isso o Símbolo dos Apóstolos, que é mais antigo do que o cânon dos Livros Sagrados, reza: “Nasceu da Virgem Maria”. – no sentido de santo Agostinho: “Virgem concebeu, Virgem deu à luz, Virgem permaneceu”. Para Deus nada é impossível.

Conseqüentemente, os “irmãos” de Jesus, tão freqüentemente mencionados nos escritos do Novo Testamento, nunca são chamados filhos de Maria, nem filhos de José, confirmando a Tradição Apostólica.

Também os muçulmanos, nos seus livros sagrados, veneram a Mãe de Jesus como Virgem.

 padre Vicente, SVD