ESCRITOS  JOANEUS

O corpo joaneu - Visão de conjunto

Jo: É o Evangelho da fé Cf 20,31. Em síntese é o Evangelho escrito em vista da fé. O Apocalipse é o livro da esperança escrita para cristãos perseguidos. Não é um livro do terror, mas da esperança. 1/ 2/ 3 Jo são os escritos da caridade: Deus é amor. Vê-se as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Uma das palavras-chave da obra é nikao (nikaw) = "vencer": a luz vence as trevas. Essa vitória é diversamente encarada pelos escritos Joaneus. Vejamos a abordagem de cada um dos escritos sobre essa vitória.

Jo

Ap

1/ 2/ 3 Jo

Esperança

Caridade

Vitória nikao (nikaw)

Há um progresso de desabrochamento no Evangelho a vitória é apresentada como no princípio pela cabeça, por Cristo. Vitória obtida em germe. O Apocalipse descreve-a lentamente desdobrada no Corpo de Cristo - nos cristãos. E os Apóstolos consideram a vitória como aplicada a cada membro do corpo toma um caráter individual.

O 4º Evangelho

O principal que a crítica põe no 4º é autoria e, conseqüentemente, a autenticidade.

Até 1820 há um consenso tranqüilo. O que se procurava era a síntese dos sinóticos com o 4º Evangelho.

Entre 1820 - 1900 teremos a negação da autoria joanéia e da historicidade do 4º Evangelho: é a fase do racionalismo.

1920: aqui há uma réplica apologética que defende a autoria e a autenticidade Joanéia. (1920 - 1930).

Atualmente: vê-se que a autenticidade não está ligada à historicidade. Há teses conciliares. Hoje se atribui o livro à escola Joanéia.

I - Evangelho segundo são João

1. Vida e personalidade de João

Tanto escritos do NT quanto apócrifos falam dele. Ele era filho de Zebedeu e Salomé Mt 20,20; 27,56; Mc. 15,40, At 12,2. Tiago Maior (morre degolado por Herodes em 44 d.C.).

A família de Zebedeu e Salomé é abastada, trabalhava na pesca e tinha empregados: Mc 1,20. Sabemos também que Salomé seguia Jesus Lc 8,2-3. Salomé estava com Maria Madalena na cruz.

João apóstolo era da turma de João Batista Jo 1,35 - 40. Vê-se que não traz o nome, isso é do autor, quer o anonimato, mas supõe-se que seja João e Tiago, como é detalhista com a hora, parece uma testemunha ocular. São chamadas de Boanerges - filhos do Trovão.

Há um discípulo que Jesus amava que só aparece no Evangelho de Jo: "o fato de recostar a cabeça" (Jo 21,7); estava à mesa e reclinou (Jo 13,23). Além disso esse discípulo recebe a mãe de Jesus na cruz (Jo 19,26). Nos sinóticos há três discípulos que Jesus traz para perto de si em momentos mais solenes: Mc. 9,2: Pedro, Tiago e João; na agonia do Horto só eles estão (Mc 14,33); na ressurreição da filha de Jairo (Mc. 5,37).

Assim João era pessoa muito próxima a Jesus. Por isso também após a Ascensão do Senhor é tido como uma das colunas da Igreja (Gl. 2,9).

Após a ressurreição vai para Éfeso não antes de 66 d.C. Mas só após 66. Pois antes Paulo escreve a Timóteo. João morreu em Éfeso. Devia ser o pastor maior dessas comunidades de Éfeso após 66.

Domiciano exilou João na Ilha de Patmos, onde escreveu Ap (81/96). O arremate do Evangelho é posto no fim do séc. I e talvez início do séc. II. O corpo é claro: foi antes, foi se formando.
João não é mártir. O apóstolo é também presbítero; assim, é um e mesmo autor do 4º Evangelho.

2. A questão joanéia

É a questão da autoria do 4º Evangelho

2.1. Os dados da questão

A) A trama do 4º evangelho - Conteúdo

Tem 7 secções e a história da paixão. A história da paixão é comum a Jo e aos sinóticos. Paixão de Jesus: Jo 18-20; Mt 26-27; Mc 14-15; Lc 22-23.

Temos 7 secções:

  • A primeira o testemunho do Batista Jo 1,19-34 = Lc 3,15-17;

  • Segunda: A expulsão dos vendilhões do templo: Jo 2,13-22; Mt 21,12-13;

  • Cura do filho de um oficial: Jo 4,46-54 = Mt 8,5-13;

  • Multiplicação dos pães Jo 6,1-13 = Mt 14,13-21;

  • Caminhar sobre as águas Jo 6,16-21, Mt 14,22-33;

  • Unção dos pés de Jesus: Jo 12,1-8; Mt 26,6-13;

  • Entrada de Jesus em Jerusalém Jo 12,12-26 - Mt 21,1-11;

  • Quanto ao resto João é independente.

B) Divergências topográficas

Os sinóticos têm um esquema quase estático, ao passo que o 4º evangelho é bem mais dinâmico.

  • Na Judéia: Jo 1,35-51;

  • Em Jerusalém: 2,13; 5,1; 7,10; 10,22-23; 12,12;

  • Na Galiléia: 2,1-12; 4,3; 4,43-54; 6,1; 7,1-9; 21,1.

C) Divergências cronológicas

Nos sinóticos: Pregação começa após encerramento de João Batista: Mt. 4,12 e Mc. 1,14.

Em são João: pregação começa antes... 3,24 - 30

Páscoas: 2,13; 6,4; 13,1; (5,1 ?)

=> 6, 4 Páscoa; 5,1 = (?) Pentecostes.

D) Divergências cristológicas

Sinóticos: Homem Jesus: partem da humanidade para afirmar a divindade. Cristoligia ascendente.
É reconhecido por Pedro... Mt. 16,16; Mc. 8,29

Se declara Filho de Deus Mt. 26,64 ou 24,64

Em Jo, transcendência de Jesus é, desde o início reconhecida: 1,15.29.35-36.41.49. Jesus mesmo se declara Filho de Deus e Messias: 1,51; 3,11-13; 4,26; 8,58. É uma cristologia descendente, da divindade para a humanidade.

A profissão de identidade é confirmada por atitudes e gestos de Jesus: 2,24; 6,65-66; 18,9.32. Isto ocorre desde o início, à diferença dos sinóticos. O Jesus que se manifesta é o Cristo glorioso e majestoso.

E) Divergência didática

Modo e circunstância de ensinar de Jesus são diferentes da dos sinóticos:

* Ouvintes:

nos sinóticos: multidões

em João: particulares

* Na temática há tônicas diferentes:

nos sinóticos: Moral (Parábolas) e a Escatologia

em João: Revelação da Santíssima Trindade.

A Escatologia é plenamente presente: 3,19; 5,24-25; 11,25-26 (Importantíssimo).

Em Jo não há o Sermão Escatológico: Ver Mt 24,25; Mc 13; Lc 17

* Estilo

nos sinóticos: simples, popular, parabólico.

em João: filosófico (do início ao fim), simbolista. Com alegoria: metáfora prolongada. Jo 3,8: única parábola (pequena). [Parábola = Comparação prolongada].

Bom Pastor: Jo 10,11; 14,6

Outras: 10,9; 8,12-13; !5,1; 6,48 São todas alegorias.

* Linguagem:

nos sinóticos: Jesus, interlocutores, Evangelistas.

em João linguajar único

Também o Evangelho de São João é bem mais arrumado do que os sinóticos, o que facilita a assimilação do conteúdo.

F) Divergência de vocabulário
Há palavras muito usadas por São João e pouco usada pelos sinóticos, vejamos:

 

 

 

Jo

Mt

Mc

Lc

Pater

137

64

18

53

Kosmos

76

9

3

3

Zoé

36

7

4

5

Martiréo

33

1

0

0

Pémpo

32

4

1

10

Hydor

24

8

5

6

Fós

23

7

1

7

Dóxa

18

8

3

13

Hamartía

17

7

6

11

Aiónios

17

6

3

4

Skotía

9

1

0

1

Vocábulos mais correntes nos sinóticos:

 

Mt

Mc

Lc

Jo

Basiléia

56

18

45

5

Grammateús

23

22

14

1

Parabolé

17

13

18

0

Geneá

13

5

15

0

Dynamis

13

10

15

0

Pístis

9

5

11

0

Com essas diferenças seria João, não o evangelista, o autor do 4º Evangelho?

2. Reflexão sobre o problema

2.1. Critérios externos.

Santo Irineu, discípulo de São Policarpo, discípulo de João, diz que João Evangelista é o discípulo de Jesus. Isso é do século II d.C. Santo Irineu (130-202).

 

Também do século II d.C. temos o fragmento de Muratori que afirma ser o mesmo João. Outro é o testemunho de Clemente de Alexandria (140-214) que diz que João escreveu a pedido dos amigos e procurou a parte mais espiritual.

 

Há uma certa convergência em favor do apóstolo João.

2.2. Critérios Intrínsecos

1) Autor do 4º Evangelho é judeu e judeu da Palestina.

São Paulo era judeu da Diáspora. No texto João mostra ter conhecimento topográfico, da geografia da Palestina.

Veja: Caná da Galiléia é mencionada em Jo 2,1; Enom 3,23 perto de Salim; Sicar na Samaria 4,5; sinagoga de Cafarnaum 6,60 (6,59); Efraim 11,54; Horto do Getsemani e Torrente do Cedron 18,1. Havendo duas cidades de Betânia o autor as distingue assim: Betânia de Lázaro 11,18; Betânia da Transjordânia 1,28 o autor revela bom reconhecimento da topografia, o que revela ser filho daquela Terra.

 

Faz também muito uso do AT, usa 20 vezes, ora segundo os LXX e ora o Massorético: Jo 13,18, 19,37.

 

O autor tem linguagem semita, pobre, mais coordenada que subordinada. Isso é proprio do semita. As traduções vernáculas burilam a tradução. O autor também usa grande número de palavras hebraicas, como:

Rabbi, Rabboni: 1,38; 20,16 Traduz para o grego = Mestre

Messias: 1,41 = Xxx

Cephas: 1,42 = Pedra

Siloé: 9,7 = Enviado

Gabbatha: 19,13

Golgotha: 19,17 = Calvário

São alguns indícios de origem e mentalidade semita.

2) Autor, judeu da Palestina, foi testemunha ocular, auricular do que narra.

Ele refere mais de uma vez que viu a Glória de Jesus 1,14; 19,35. A conclusão é atribuída a Escola Joanéia 21,24.

Na 1 Jo 1-4 é enfatizado o testemunho auricular e ocular.

Além disso a minuciosidade da cronologia leva a concluir a mesma coisa: 1,29-35.39; 2,1. No decorrer do Evangelho há dessas ocorrências visuais. No cap. 6,19 há que comparar com Mt 14,24-25; Mc 6,47. Em Jo haviam andado 25-30 estádios; em Mt não é preciso nem em Mc.

É alguém que tem na memória certas minúncias.

3) Autor do 4º Evangelho é membro do Colégio Apostólico, é alguém muito próximo a Jesus.

Ele esteve presente a última ceia, da qual só os discípulos participaram, assim ele é apóstolo. Para corraborar isso temos Jo 13,4-5.12; 13,21-30 (ver 13,23). Há muita minuciosidade na descrição do lava-pés.

Veja 13,23 combinado com 21,20 e 21,24. O texto de 21,20 faz alusão ao de 13,23. O de 21,24 conclui que o que Jesus amava é que dava testemunho, assim o autor observava as atitudes dos outros apóstolos, daí dizer que ele era membro do Colégio Apostólico. Pedro: 1,42; 6,68s; 13,6-9.24.36; 18,17; 20,2-10; 21,3.7-11.15-22. Pedro ocupa boa parte;

Felipe: 1,45s; 6,7; 12,21 - 22; 14,8 - 10;

Tomé: 11,16; 14,5; 20,25 - 28;

Judas Tadeu: 14,22 veja a precisão: Judas, não o Iscariotes;

Natanael: 1,46. 48 - 49;

André 1,40; 6,8.

Chegando à conclusão que é membro do colégio. Assim o discípulo que Jesus amava estava entre os 12.

4) Tal discípulo que Jesus amava é João o filho de Zebedeu.

Dentre os 12, há três que acompanhavam Jesus mais de perto: Pedro, Tiago e João, Mc 5,37; 9,2; 14,33. É no círculo dos três que se há de procurar o autor do 4º Evangelho e o que Jesus amava.

Pedro não é, porque ele se refere ao discípulo que Jesus amava e andava com ele; logo são duas pessoas 13,24; 18,15; 20,2; 21,7.20. Além disso, a redação do 4º Evangelho supõe a morte de Pedro Jo 21,18 s.

Tiago: At 12,1-2 que morreu em 44 d.C. e o 4º Evangelho é mais tardio. Assim só resta João.

No fim do Evangelho há um episódio que parece aludir à idade avançada do autor do 4º Evangelho Jo 21,22-23.

Donde a conclusão que o autor é João, o discípulo que Jesus amava. Mas ainda podemos ver o seguinte:

1) O 4º Evangelho nunca cita Zebedeu, Salomé e seus filhos.

O nome de João e Tiago não são mencionados no 4º Evangelho ao passo que nos outros ocorre:

 

 

Mt

Mc

Lc

Jo

Pedro

26

25

29

40

Filipe

--

--

--

12

Judas

--

--

--

--

Iscariotes

4

2

3

8

Tomé

--

--

--

7

Natanael ou Bartolomeu

--

--

--

6

André

1

3

--

5

Veja que em Jo o nome dos apóstolos aparece mais vezes que nos outros, ao passo que ele e Tiago não aparecem no 4º Evangelho. João, o Batista quando é mencionado só fala João, sem o aposto, quando a prática no 4º Evangelho é esclarecer sempre que há homônimos: Jo 6,71; 14,22; 19,38 - os personagens são identificados ao omitir o nome de João, por "o discípulo que Jesus amava", o texto fica um pouco obscuro.

2) Obscuridade do texto: Jo 1,37-40; 13,23-25; 18,15; 19,26; 20,2-9.

2. 3 Discrepâncias do 4º evangelho com os sinóticos.

1) Discrepância topográfica

Ministério público com uma única viagem à morte. Em Jo são várias viagens. Os sinóticos tomaram um quadro convencional, a mensagem era mais importante que a moldura, mas mesmo assim encontramos nos sinóticos mais de uma viagem a Jerusalém Mt 23,27; Lc 13,34. Lc alonga desde o capítulo 9 ao 19 Lc refere que Jesus está em viagem 9,51; 13,32; 17,11; 18,31; 19,28. Em Mt 21,1-3 há indícios de que Cristo já tenha conhecidos em Jerusalém: Mt 26,18-19 do próprio texto dos sinóticos há certa tendências de várias idas de Cristo a Jerusalém.

2) Discrepância cronológica

O 4º Evangelho refere no mínimo três Páscoas. Os sinóticos apresentam uma. Mas vejamos: em Mc 2,23-28 fala da Páscoa das espigas maduras que significam a época de Páscoa. Vamos relacionar com a 1ª Páscoa do 4º Evangelho: Jo 2,13.

Mc 6,39 fala de grama verde: seria indício de primavera, o que corresponderia à Páscoa da multiplicação dos pães (veja Jo 6,4).

Mc 14,1 é a Páscoa por ocasião da Paixão do Senhor (Jo 11,55; 12,1).

Também podemos considerar Lc 13,7, que é a parábola da figueira seca. A discrepância diminui bastante após essa análise.

3) Discrepância cristológica

Nos sinóticos Jesus é um chefe sem grande transcendência, chora, se cansa… em Jo é mais elaborado; estas são as opiniões. Uns falam que os sinóticos são Jesus da história e Jo o Jesus da fé.

*Jo 2,1-11 Jesus se preocupa com o casal;· Jo 4,6-8.31 Jesus está cansado, tem sede, tem fome;· Jo 11, 5. 11. 36 Jesus compartilha a dor com Marta e Maria;· Jo 11, 33. 38 Jesus fica triste e chora (v. 35) São traços dos Evangelhos sinóticos em Jo.

Já em outros textos Jesus dá um salto:

*4,16-18.29: a mulher reconhece o Messias;

* 9,7.35-38: o cego reconhece o Messias;

*11,1-44: a Ressurreição de Lázaro.

O Jesus de Jo é tão humano quanto o dos sinóticos. E o dos sinóticos tão espiritual quanto o de João.

Mt e Lc: Mt 11,27 e Lc 10,22 é algo próprio do 4º evangelho: Jesus está no plano do próprio Pai. Mt 16,16-19 é também o Jesus transcendente de João.

Mt, Mc, e Lc trazem uma disputa acerca da identidade de Jesus: Mt 22,41-46; Mc 12,35-37; Lc 20,41-44.

Finalmente em Mt 26,63 - 66; Mc 14,61 - 64; Lc 22,66 - 71. Jesus morre porque se diz o filho de Deus. A sua identidade está bem revelada nos sinóticos.

O Cristo místico é o mesmo da fé.

Alguns complementos da vida de Jesus no 4º evangelho.

* "Eu sou" 38 vezes: Jo 8,24.28-58; 13,19; lembra Ex 3,14.

* "A hora" é muito caro ao Evangelho de Jo 7,30; 8,20;

* "Jesus penetrava o coração do homem" 2,23-25

Assim as diferenças não são decisivas, pode-se conciliar.

4) Divergência didática

O 4º Evangelho é escrito em ambiente helenista em Éfeso. A figura de Jesus é polida. O 4º Evangelho foi escrito no fim do século I dC. O 4º Evangelho revela o que os outros viam de algum modo.

Todos esses autores, especialmente do NT, têm que resumir discursos e não narrá-los integralmente. Por exemplo o diálogo com Nicodemos deve ter levado horas e no 4º Evangelho está em 15 versículos. Eles faziam uma síntese e também aos poucos os evangelistas entendiam melhor as coisas, não tinham tanta noção no início. Por isso também não anotavam as coisas.

Jo usa filosofia, utiliza elementos da filosofia grega, usava um linguajar: Lógos, fós, aléteia, zóe.

Ademais hoje se verifica que não se deve procurar tanto paralelo da filosofia com o 4º Evangelho.

3) Historicidade do 4º evangelho

1) O 4º evangelho dá a impressão de provir de uma testemunha ocular.

Logo no prólogo Jo 1,14: "O verbo... e vimos a sua glória". O sujeito "nós" volta no prólogo da 1Jo (1Jo 1,1 - 4)

Para alguns autores é o bilhete que acompanhou o Evangelho. Seria um "nós" majestático? Não. Mas um grupo dos que viram e acompanharam Jesus: João e companheiros.

Outro texto que nos interessa é Jo 19,35. É o testemunho do que viu a água e o sangue correrem do lado de Jesus. O texto em português diz: "Ele", o texto grego: "ho eorákos" = "aquele que viu" dá testemunho.

Kai ekéinos = sabe que é verdadeiro.

Olhemos para o texto grego: A força está em mencionar alguém que viu também. Assim este: "Aquele" (ekéinos) não é João.

A lei hebraica manda recorrer a mais de uma testemunha (Nm 35,30): deve haver pelo menos duas testemunhas.

É a lei do AT, a lei de Moisés. Jo 8,13 e Jo 5,31 alude a isso, leia-os. Jesus dá testemunho dele mesmo.

Exéinos no 4º evangelho é o Cristo glorioso, vejamo-lo: Jo 3,30; 7,11; 9,28; 1Jo 2,6; 3,3.5.7.16; 4,17. Não é uso exclusivo de Jesus, mas quase sempre o é.

Jo ao falar do sangue e da água ele diz que o Cristo sabe que é verdade. Assim, o autor do 4º evangelho apelava para Jesus para afirmar seu testemunho. Da mesma forma que o Cristo apelava para o Pai.

Jo 21,24: no caso, fala a escola joanéia, os alunos garantem a solidez do testemunho: João e os discípulos das testemunhas.

* A recordação dos discípulos: os discípulos são citados para apoio da veracidade do que é dito Jo 2,22; 12,16 isto mostra que há sempre um grupo na base da tradição joanéia. A escola contribui: a associação dos fatos foram combinados entre si para mostrar a profundidade dos fatos e do personagem central dos fatos.

2) Trata-se porém, de um testemunho ocular meditado e aprofundado no decorrer de decênios.

São lembranças que vieram à memória e foram associadas à dar um sentido profundo a fatos que poderiam passar como secundários.

Esse trabalho não terá sido feito só por uma cultura? A resposta é complexa. Não podemos desconhecer a ação do Espírito Santo, isso é o básico, isso é o fundamental, pois se se prescinde disso se faz literatura. A Teologia parte da fé. Além dessa resposta tirada da fé, podemos dizer que toda história da Igreja concorreu para esse aprofundamento, toda a Igreja passa por isso e tem uma garantia própria, senão perdemos o fio condutor de nossa pesquisa.

Por que autêntico aprofundamento?

A) A inspiração do texto sagrado o abona;

B) O desdobramento do mistério pascal na Igreja.

* O primeiro fator a levar em conta são as próprias alusões do evangelho: Jo 14,16 há freqüentes alusões de Jesus à ação do paráclito Jo 16,13 - 15 vê-se que há um crescimento no conhecimento da verdade, há um desdobramento. Em Jo 14,25 há uma distinção sutil que vale sublinhar: há uma distinção entre estas coisas e todas as coisas é exatamente o desdobramento. O Espírito Santo não fez uma recomposição do passado, mas comunicou melhor compreensão das palavras e dos feitos de Cristo e, é por isso, que Jo e seus discípulos puderam explicitar os ensinamentos do mestre.

O verbo de Jo 14,26 é mais que um recordar teórico, mas é dinâmico. Não é um fato lembrado, mas uma melhor compreensão das palavras de Jesus. É a luz Pascal que lança luz ao Jesus da história. Essa recordação permite uma compreensão melhor. Daí dizer que o 4º evangelho é aprofundado.

* Antítese entre teologia e história: antinomias de Jo.

O 4º Evangelho é ligado a testemunha, isto é, é ligado a história, além de ir a grande teologia. Esse duplo aspecto leva a certos paradoxos no texto de João. O autor é contemplativo, parece interessar-se mais.

Por outro lado é minucioso e preciso não narra episódios simbólicos, mas históricos, é preso a fatos históricos para dar base a seus escritos:
· Lithóstrotos Jo 19,13; piscina de 5 lados Jo 5,2 é por causa do Pentateuco que inspira aos 5 lados.

Essa distinção entre contemplativo e relato de fato histórico, podemos chamar de verdade interna e verdade externa respectivamente. A interna troca mesmo a sua vida o que ele relata tem significado pessoal na vida dele.

C) Os discursos de Jesus no 4º evangelho

O Evangelho atribui a Jesus a mesma forma de falar dos outros personagens. Por assim dizer a palavra de Jesus é a palavra de João.

Memória Mecânica: é fria e seca, sem participação ao transmitir a notícia.

Memória Pessoal: é aquela que entra uma carga emotiva. Não somos frios ao falar, mexe conosco.

Na Mecânica se reproduz mecanicamente, a pessoal se reproduz com compaixão.

A memória pessoal é mais rica que a mecânica. A pessoal supõe uma certa "osmose", o sujeito se põe no objeto a uma impregnação do sujeito pela notícia.

A memória de João é pessoal. A mensagem de Jesus principalmente após a Ressurreição tocou os apóstolos, assim a fala de João é pessoal, pois reproduz o sentido do que Jesus falou, ainda que não diga palavra por palavra. João viveu e assimilou a palavra.

Teoria errada

Jesus pós-pascal: que disse? - O que João lhe atribuiu no fim do século I

Garantia de autenticidade por parte do paráclito. Jesus pré- pascal: que disse? Não sei

Conseqüências dessa teoria: poderíamos trocar o verbo disse por fez. Assim João atribuiria feitos a Jesus. Não seria mas um dado histórico.

Resposta: quando São João escreve é Jesus mesmo que fez e disse. Há a necessidade de se guardar o valor histórico. Evangelho não é apenas doutrina, mas é um relato histórico. Senão teremos ficção com base moral, teológica, etc.

Nunca se pode dissociar mensagem X fato histórico: se a mensagem não está baseada no fato histórico não é mensagem do evangelho.

Com base na teoria acima pode-se negar a historicidade do Evangelho.

Vejamos Pilón de Alexandria (44 dC.) é judeu: toma as histórias do AT como simbolismo do mundo inteligível, o mundo ético e filosófico seria a realidade.

A migração de Abraão (Gn. 12) seria a migração da alma para fora do mundo corporal. Mais ainda: Sara e Agar, as duas esposas de Abraão seriam figuras da sabedoria e da ciência profana. Ele esvazia o dado histórico. O Gn. seria apenas um trampolim para entender as coisas. O plano da salvação é a mesma coisa.

O evangelista: o aprofundamento dos fatos é que me fará compreender a mensagem. (Bodas de Caná). A quantidade de vinho é pequena. O vinho é sinal da era messiânica: fartura. Outra também: os discípulos de Jesus não jejuam os de João Batista jejuam.

D) Kronós e kayrós

Kronós é o tempo quantitativo.

Kayrós é o tempo qualitativo.

Sucessão de horas, dias, semanas = kronós (daí, cronômetro) é uma marcação fria vem dia, vai dia...

Para nós é sem dúvida o kronós, pois nos dá o espaço cronológico, é por isso que os evangelistas não desprezam o Krónos: Lc 2,1; 3,1 mas o krónos é frio.

A história tem um tempo qualitativo (kayrós): essa época foi boa ou não. O kayrós designa as qualidades positivas no tempo. Daí as inúmeras referências no Evangelho do kayrós: Mc 1,15; Lc 12,56; 19,44; Mt 16,3; Rm. 3,26.

Há quem desconfie do kayrós para ficar só com o krónos. O kayrós pode ser subjetivo, ao passo que o outro é batata. Alguns dizem que os evangelhos fizeram uma pregação qualitativamente boa, mas desencarnada do tempo cronológico.Ora não há tempo oportuno (kayrós) sem o fato real (krónos). Assim a mensagem do Evangelho deve estar encerrada no krónos.

Kayrós: Rm. 5,6; 13,11; Cl. 4,5; 2 Cor 6,2.

Cristo é o kayrós que se põe no krónos da humanidade. Hoje todo krónos da história é preenchida pelo Cristo através dos sacramentos. Por exemplo dia 25/12 para um budista é um dia comum, para um cristão é um kayrós que se dá dentro do krónos.

Ao contrário de Filón, João não despreza a história, ele compreende a dimensão dos acontecimentos históricos e o aprofunda.

3) Duas cristologias

Em Jesus temos Deus e homem: são duas facetas da mesma personalidade. Podemos enfocar de um ou outro ângulo, mas sem esquecer o outro. No evangelho de João temos que o Logos pré-existente se faz carne (1,1 - 14): é dado relevo ao Logos. É uma cristologia descendente. No NT, em Filipenses temos o caminho inverso (2,5 - 11) é uma cristologia ascendente. É dada ênfase à kénosis, predomina o aspecto homem glorificado.

Esses dois modos de ver deram origem a duas escolas teológicas: a alexandrina no Egito (Clemente de Alexandria) e a antioquena (São João Crisóstomo...)

As duas escolas deram origem:

* Alexandrina: ao Monofisismo (= 451)

* Antioquena: ao nestorianismo (é verdade que no tempo é anterior ao monofisismo = 431: nestorianismo).

A fórmula de Calcedônia põe fim à essa questão.

Prevaleceu na cristologia ocidental a de cima para baixo = dedutiva. A de baixo para cima é indutiva - vai subindo tanto quanto é possível.

Nos últimos tempos tem se feito uma reação a cristologia dedutiva. Em parte a razão da acentuação da dedutiva foi o Arianismo, que dizia ser Jesus uma criatura, haja à vista a forma doxológica: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Hoje, no afã de valorizar a humanidade de Jesus, parece haver correntes filosóficas adjacentes.

* Correntes filosóficas - teológicas (Cristologia horizontal)

1) "Theologia Crucis" X "Theologia Gloriae" (Lutero)

Para Deus não há lógica, nossos conceitos são diferentes frente a Deus. É uma escola nominalista. Apregoavam a predominância da vontade sobre a razão.

Lutero dizia: Deus Absconditus sub Contrarius - Deus se esconde debaixo da ignomínia, não se manifesta na Glória. O Deus da Glória seria triunfalismo. É preciso ver a cruz, Deus se aniquilou.

"Deus se manifesta não naquilo que lhe é próprio, mas naquilo que lhe é contrário".

O fato é que essa posição de Lutero trouxe resultado para os nossos tempos. Um pastor luterano que morre em campo de concentração em 1944: Dietrich Bonhoeffer "O cristão deve viver como se Deus não existisse". Isto é, o transcendental deve ser escondido. O cristão também deve viver assim, escondido; é um secularismo. Quem tem fé guarda, porque Deus morreu para o mundo, porque o mundo não dá mais atenção para Deus. A teologia da morte de Deus passou, mas o secularismo ficou. Vivo como se Deus não existisse.

2) Positivismo e neopositivismo (Comte).

Comte diz que a história corre em três etapas: 1ª, a do mito, 2ª, da existência ainda de Deus; 3ª, positivismo, o que não é provado não existe.

 

Para o positivismo basta considerar o fato bruto, sem busca de entendimento do fato. Os positivistas dizem: "os fatos são sagrados. As opiniões são livres". As idéias ninguém apalpa. As opiniões são meras idéias não palpáveis.

3) Reducionismo cristológico

Reducionismo: é reduzir o Cristo àquilo que a experiência humana pode captar dele através dos evangelhos e da história. O que se fala não é errado, mas falta falar mais alguma coisa que se omite, por exemplo, diz Hans Kung que Cristo é "o representante". É verdade, mas pára aqui?

Refletindo sobre as escolas...

A) Todo historiador está comprometido em e com a sua obra. Porque a historiografia está comprometida com a seleção, arrumação e interpretação de fatos. Cada um conta a coisa do seu ponto de vista. Por isso não basta renunciar a interpretação e ficar só com o fato, precisa ver quem foi o historiador e o que ele pretendia fazer, as intenções. Pois o próprio historiador dá margem a um aspecto. Vide são João e são Paulo os dois falam de Jesus, mas um parte da cristologia ascendente e outro da descendente.

B) Todo fato é Epifania de um ser. Não há fato bruto. A interpretação autêntica revela e não deforma.

C) Cristologia ascendente e descendente distinguem-se:

Deve ser complementares. Não a mesma coisa porque:

* A encarnação não é um fato necessário mas livre da parte de Deus. Conhecemo-la através da revelação e não pela razão. Não chego pela indutiva. Só posso dedutiva.

* Nas palavras e nas obras de Jesus se revela o mistério de Deus. Daí não ser suficiente apenas o uso da razão natural. Aqui se chega indutiva, mas preciso subir.

Daí a necessidade das duas cristologias. O mistério de Cristo só é entendido se o reconhecemos Deus Encarnado.

4) A teologia da cruz é válida desde que não esqueçamos que a salvação não é mera promessa escatológica, mas já é um dom presente a nós.

Não separar da Ressurreição a Cruz.

Opor Cruz e glória é falso porque são duas facetas dum mesmo mistério: Páscoa. Toda vida cristã é assim, é o já e o ainda não.

Conclusão: importa fazer a síntese entre as duas escolas: Alexandrina e Antioquena. Foi feita pelo concílio de Calcedônia de 451

A cristologia é anterior à Soteriologia cronologicamente.

5) A unidade do 4º evangelho

O mesmo se dá com os vv. 21 . 31 do capítulo veja 3, 22-30. O versículo 31 segue o versículo 21 tranqüilamente.

Os vv. 22-30 interrompem, se julga que o lugar mais tranqüilo para esse bloco seja no 2, 12 + 3, 22-30.

Os capítulos 4, 5, 6, 7 parecem fora de ordem porque o capítulo 5 fala duma festa, o 6º fala da festa e o 7º da festa do Tabernáculo. A ordem certa era 6º (Páscoa), 5º (Pentecostes); 7º (Tabernáculos). Esta inversão é corroborada até por fato histórico, pois Taciano que escreve a sinopse dos 4 Evangelhos. Ele causou a troca (?), pois se escreveu em papiro, pode-se trocar a ordem das folhas.

Capítulo 5. O fim do versículo 3 e o versículo 4 seriam enxertos.

No capítulo 7,3 - 4 supõe que Jesus nunca tenha estado na Judéia, quando ele já esteve no capítulo 2, na expulsão do templo. O capítulo 7,53 - 8,11 é chamado de bloco errático: Jesus manda o pessoal para casa e vindo a mulher adúltera o grupo também se dissipa e com quem Jesus fala? Essa perícope está com certeza deslocada.

Analisar Jo 12,36 e 12,44; 13,14.15-17 - > 14, 31 ---> 13,1-31 a; 15,1-16,33; 13, 31 b -> 14,31 esta é a ordem certa desses.

Há outros textos erráticos por isso há tentativas de solução.

5.2. Tentativas de solução

Tentaram explicar como explicaram o Pentateuco dizendo que há fontes como naquele, Bultman, Wenhausen e outros. Podemos dizer o seguinte:

1) É lícito discutir a autoria do 4º evangelho

2) Certamente a secção de Jo 7,53-8, 11 não é joanéia. Porém, canônica (Concílio de Trento).

3) Jo 21,24 - 25 não é de João, mas da escola joanéia e Jo 21,1 - 25? Cf. Jo 20,30 - 31.

4) A desordem do 4º evangelho se explica:

A) Deslocamento de folhas manuscritas, quando o evangelho não estava ainda completo. Isso explica Jo 4 - 7; 13 - 17.

B) O estilo semita que é um estilo repetitivo, redundante. Houve uma redação de acontecimentos. A 1Jo repete todo o tempo a mesma coisa, assim também é o prólogo.

Ao fim do século I o texto estava arrematado, não se pode ir além no máximo início do século II. Isto por causa de um papiro que foi encontrado no Egito em ± 1920: ele é do ano 120 d.C. Temos que admitir um intervalo de tempo entre a redação do Evangelho e a ida dele para o Egito. Foi achado Jo 19,31 - 34.37 - 39.

6) O conteúdo do 4º evangelho

Prólogo vai do vv. 1 - 18

v.1 "en arché en ho Lógos

kai ho Lógos en prós tón Theón

kai Theós en ho Lógos

O Lógos é Deus. È o mistério trinitário, há um Tu e Eu em Deus. (Vide Jo 14 - 16).

O Evangelho retrata no prólogo do Lógos pré-existente, onde o Lógos estava voltado para Deus e era Deus assim há um "Deus" fora e no "Lógos", há dois dialogantes e não dois deuses.

O Lógos é irradiante de luz e vida.

Luz é símbolo de pureza, o autor do 4º Evangelho é dado aos sinais. Assim é normal entender a luz que procede do Lógos como sinal da pureza, da sabedoria. De outro lado a vida está ligada com a imortalidade e o amor. O prólogo é a síntese do livro inteiro.

O Evangelho é construído de forma a apresentar a luz e a vida, vinda do Logos. A água é a luz, e o vinho é a vida.

O verbo transmite luz e vida pureza mediante a água; vida mediante o sangue, vinho e pão.

O capítulo 2 é fundamental, abre-se com as Bodas de Caná. A água é feita vinho. Nas Bodas há 6 talhas com 2 ou 3 medidas de água para ablusões dos judeus. Cristo faz da água-vinho. Água é a luz do AT, é uma luz pálida, preparatória, é a expressão da revelação do AT caracterizada pelo ritualismo do AT. Ela é mudada nas núpcias que se consuma entre Javé e a filha de Sião, então as Bodas é sinal da aliança onde Deus une a si a humanidade toda. Cristo é o esposo, a tal ponto que o mestre sala pergunta, e há outro por traz dele: é o esposo que traz a plenitude. É o vinho sagrado do NT. O vinho é mais precioso que a água assim como o NT é mais que o AT. Cristo é o esposo. Simboliza o mistério da encarnação, da união de Deus com os homens e simboliza também a apresentação do Messias.

Água = revelação do AT; vinho e revelação do NT. E também água = batismo; vinho = eucaristia.

Capítulo 3: Jesus diz a Nicodemos que é precioso nascer (anóthen), pode ser "aná" = De novo (ou) para cima.Como não pode ser de novo, conforme Jesus disse, é nascer de cima, do Espírito.

Capítulo 4: A água ainda é o centro. É a oferta da água a uma Samaritana e não Judia.

No fim do capítulo 4,46-54 vem o tema da vida. Jesus emite vida; "vai, teu filho vive".

Capítulo 5: o remover da água pode ser uma interpolação. É um episódio de água em piscina, a piscina é sinal do Batismo; os antigos chamavam o Batismo de "fótismós" em Hb 10,32; Ef 5,14.

Capítulo 6: Pão, carne, sangue e vida - temas dominantes do capítulo.

Capítulo 7: 7,37-39: Água = Espírito Santo.

"Se alguém tem sede venha.

E beba aquele que crê em mim.

Conforme a escritura do ventre

Dele (Messias) jorrarão rios de água viva (= Espírito Santo)".

(Esta é a melhor pontuação, pois na Bíblia de Jerusalém a idéia que dá é que o cristão é o que dá o Espírito Santo, quando o Messias é que é a ponte de água viva)

Capítulo 8: 8,12: Jesus é a luz do mundo. Com sua mensagem ilumina.

Capítulo 9: éÉ um capítulo para os catecúmenos, para o batismo. É uma "fotismós": é a fonte do batismo.

Capítulo 10: é o ponto mais alto do Evangelho de Jo, pois a fé e a vida se fundem: Quem crê, tem a vida. O ponto alto está em Jo 11,25-26: viver e crer, crer e viver estão conjugados.

Capítulo 10: O Bom Pastor

Capítulo 12: reflexões do evangelista.

Capítulo 13: abertura da Paixão

Capítulo 19: Junção da água e sangue. São os sacramentos da vida cristã. Água: batismo; vinho (sangue): eucaristia.

Nos sacramentos: batismo / eucaristia: ambos fazem a Igreja.

O capítulo 19 faz paralelo com o capítulo 2.

Água e Vinho (do capítulo 2) no capítulo 19 se tornam Água e Sangue. Há um desdobramento do simbolismo.

Esta visão do 4º evangelho.

O que vimos foi o 4º evangelho numa linha sacramentológica. O evangelista faz um aceno dos Sacramentos da antiga lei.

Capítulo 20,30-31 - Finalidades do evangelho: suscitar a fé, e mediante a fé, a vida. No texto do 4º evangelho dá para agrupar por esses temas:

Vida

Água

Pão

Luz (fotismós)

Vinho

Na distribuição dos assuntos do Evangelho podemos dividir nesses grupos.

7) A Sacramentologia do 4º evangelho

7.1. Sacramento na exegese patrística

É sempre sinal. No caso, sinal que revela o plano de Deus, que se manifestará plenamente no NT. Toda história da Salvação é esse desdobrar-se. Os sinais na história bíblica são explorados pela patrística. Diziam que todo fato realizado pela palavra é mensagem. Aquilo que o verbo faz é palavra. Jesus no 4º Evangelho explica o sentido espiritual do AT.

A oração é o exprimir-se da fé ("lex orandi, lex credendi").

Há três fontes para se chegar ao sentido espiritual: 1º - Revelação; 2º - Tradição da Igreja; 3º - Pela Liturgia.

7.2. Os Sacramentos do AT em João

Entre a 1ª manifestação de Jesus por João Batista até o 1º milagre de Caná decorre em dias misteriosos.

Jo 1,19 - 1º dia

1, 19     - 2º dia

1, 35     - 3º dia

1, 43     - 4º dia

Jo 2,1   - 3 dias depois

Dá um total de 7 dias após o testemunho do Batista; por que 7 dias? Em comentário os Padres da Igreja dizem que o Criador termina a criação no sábado e o recriador recria em 7 dias também. O 4º Evangelho apresenta a nova criação em 7 dias. Jo 1,1 - Gn 1,1.

Aqui Sacramento é no sentido espiritual.

Jo 1,14 também é visão sacramental, Deus se faz Homem: Ex 33,7-11.18-23; 40,34-35 coloca-se num plano mais elevado aquilo que o AT apresenta.

Jo 2,4; 19,26 esses textos aludem a Gn 3,15 à primeira vista é depreciação, mas não é. (Maria é a nova Eva). O que era depreciação torna-se título por excelência, é a mãe.

Em Jo 2,19 alude ao templo do AT que foi reconstruído 1Rs 10,13.

Em Jo 3,14 - 15 é alusão à serpente de bronze (Nm. 21,4 - 9).

O capítulo 6 está cheio de alusões inclusive diretas ao Maná (Jo 6,48-49.59 -> Ex 16,2 - 36; Nm 11,4 - 9).

Jo 6,35; 8,24-28.58; 13,19; 18,58 = Alude ao "Eu sou" do AT = Ex 3,14.

Jo 7,37-39: "Quem tem sede venha, e beba..." Alude a Ex 17,1-7; Is 12,3.

 

Jo 8,12 e 12,46 alude a luz do mundo se referindo ao Ex. 40,36 - 38.

Jo 19,36; 1,29 alude ao Ex. 12,46 e Nm. 9,12.

Do capítulo 1 - 19 o evangelho de Jo faz alusão do AT relido num plano superior a fim de mostrar a transparência do NT. Por isso João usa o termo "semeion": 2,11.18.23; 3,2; 4,54; 10,38; 14,11 é sinal. O sinal indica alguma coisa, isto é, o visível é um aceno do invisível. A partir dessa perspectiva também podemos ver o evangelho como sinais de algo superior. Vejamos, por exemplo:

Jo 2,1 - 11: Esposo - Esposo. O esposo visível esconde o outro. Ainda 2,13 - 22 o templo de seu corpo figurado pelo templo de pedras. 4,10-14 a água do poço que Jesus pede, mas é uma água que não mata sede para sempre, só Jesus dá a água que mata a sede para sempre, a água visível esconde a invisível. Em Jo 6,26 o pão que não preserva da morte e o que preserva. 8,12; 9,37 - 41 a luz que é Jesus e a luz que é dada ao cego para levá-lo à luz da fé. 11,25 a vida mortal é restituída a Lázaro, mas quem crê em Cristo terá a vida eterna.

Através dessa releitura do Evangelho vê-se a intenção sacramentológica de passar do visível para o invisível.

8) João e correlatos

João supõe os sinóticos. O 4º Evangelho só é bem entendido tendo à vista os sinóticos. Jo escreve um aprofundamento da mensagem dos sinóticos.

Jo 1,15.19-34 referência a João Batista um pouco lacônica. Temos depois o testemunho do Batista considerando que soubéssemos outros dados do Batista.

2,1; 19,25: o nome da mãe de Jesus nunca aparece, supõe os sinóticos; fala de outras Marias, mas não a mãe de Jesus: 11,1; 20,1; 19,25.

 

Em 1,45 e 6,42 Jesus é dito filho de José sem explicação de como Jesus nasceu.

Em 3,24 "diz que João não fora posto no cárcere", mas, como diz isso se não falou nada de cárcere? Logo supõe os sinóticos. Também em 11,1-2 fala de Maria tê-lo ungido os pés com bálsamos quando quem conta são os sinóticos: Mc 14,3-9 e pelo próprio João só no capítulo 12,1-8.

O Evangelho não quer repetir os sinóticos, mas quer aprofundá-los.

Os adversários do Evangelho de João são:

Cerinto: Jo 20,31; 1,14; 10,30.

Jesus é o Cristo, o filho de Deus. Alguns não criam na encarnação por isso São João os combate. O Cristo é Jesus. Para alguns seria uma encarnação aparente. A 1Jo retoma a intenção apologética. Portanto uma das finalidades do 4º Evangelho é impugnar as idéias de Cerinto.

Outra intenção é contra uma corrente que derivava de João Batista. Estes só conheciam o Batismo de João Batista: Jo 1,8; 3,26-30; 10,41-42 é uma tendência a impugnar um pouco a João Batista: ele não é o Messias.

9) Textos seletos

A) Jo 2,1-11 Jesus faz em São João 7 semeion. O primeiro deles é o de Caná.
Jesus diz "O que há entre mim e ti"? É uma locução semita; pode ter dois significados no grego bíblico do LXX:

  • Qual o objeto de discórdia existente entre mim e ti? Supõe-se uma tensão entre dois. Com essa acepção essa expressão ocorre em juízes 11,12; 2 Cro 35,21; 1 Rs. 17,18; Mc. 1,24; Mc. 5,7.

  • Esse assunto não me diz respeito, o problema não é meu, é teu. Nesse caso não há hostilidade, mas descompromisso. 2Rs 3,13; Os 14,8-9

Em ambos os casos há uma recusa. Vamos considerar o contexto, parece que Jesus não quer tomar parte do problema posto por Maria. Outro ponto a considerar é a resposta de Jesus de que a sua hora ainda não havia chegado. A hora é a hora da paixão : Jo 13,1.

Para buscarmos a explicação vamos ao próprio João: coloquemos algumas perguntas:

1º) Maria pede um milagre?

Parece que sim, veja Jo 11,3: elas falam para que ele cure.

2º) Com que intenção pede o milagre?

Há duas respostas: ou para acudir a necessidade dos noivos ou para que se manifestasse a Glória Messiânica de Jesus.

A resposta deve vir do próprio texto. Encontramos em Jo 7,1-10 um paralelo à esse texto em Jo 7 se trata certamente do sinal Messiânico, é um pedido de manifestação da sua necessidade. Podemos transferir para Jo 2 esse pedido. A diferença entre Jo 2 de Jo 7 é que Maria tem fé e os parentes não têm. A fé de Maria não se baseava em milagres.

Então Maria pedia um sinal em vista da manifestação Messiânica de Jesus. Isso não se exclui também a preocupação de Maria com os novos, mas o principal é a manifestação de Jesus ao mundo.

3º) Por que Maria pedia uma manifestação messiânica?

Este foi o 1º sinal de Jesus e seus discípulos creram nele (Jo 2,11) talvez a pedido para a fé dos discípulos que era oscilante. Já houvera a teofania do Batismo, já houvera o testemunho do Batista, assim Maria achava que já era hora de seu filho se manifestar.

Então a resposta: Maria julgava ter chegado a hora de Jesus. Essa é uma suposição que pode ser levantada.

4º) Jesus recusou o sinal?

O fato é que de algum modo Maria sabia que ele iria fazer algo (Jo 2, 5). Fazer tudo o que ele mandar é um paralelo ao Fiat da Anunciação (Cf 1,38).

Ademais aquele apelativo "Mulher" parece que Jesus a trata depreciante. "Mulher" pode ser entendido com Gn 3,15. Também a hora de Jesus é a "hora da Paixão": Jo 7,6.8.30; 8,20; 12,23; 17,1; 13,1.

A resposta à 4ª pergunta: A resposta de Jesus é ambígua, como o discurso de Jesus Jo 5,25-29. Há duas horas, a do momento e a antecipada. Em Caná também haveria duas horas, a que ele realizou foi antecipada.

5º) Tenha-se em vista o vinho e a quantidade de vinho

Eram 6 talhas de água com cerca de 480 litros. Geralmente o Evangelho, quando fala dum milagre, este é aceno é alusão de alguma coisa.

O vinho é um símbolo essencialmente Messiânico, ele é apresentado como abundância, trigo, vinho e óleo em fartura é sinal messiânico Gn 49,11-12; Am 9,14; Os 14,8; Jr 31,12. Assim a fartura de vinho das Bodas é sinal da presença do Messias, que é simbolizado pelo (nubente) noivo da festa. Ademais no fim do prólogo é feito um paralelo a Moisés Jo 1,17. Essa grande quantidade de vinho não seria necessário para atender um fim de festa.

Também a multiplicação dos pães foi tanta que sobrou pão Jo 6,11-13 é sinal Messiânico.

Em Mc 2,22 também fala de vinho, em Mc é a novidade Messiânica, é a novamente, é a metánoia.

Também é de notar que o nome de Maria aparece 4 vezes no início do capítulo 2º, 1-5. É uma citação cristológica. Maria entra como moldura. Maria está no 1º sinal (início vida pública) e está no fim da vida pública, ela apresenta a Jesus a necessidade dos homens e apresenta Jesus aos homens.

O episódio de Caná é rico em pormenores, mas não se descreve o milagre como foi, o evangelista não entra no caso.

Paralelo

Jo 2, 1-11

Jo 6, 1-13

Jesus convidado às núpcias

Jesus e multidão

Escassez de vinho

Escassez de pão

Diálogo com Maria

Diálogo de Jesus com os discípulos

Perplexidade

Perplexidade

6 talhas

Cinco pães

Fartura de vinho

Ordem dada aos servidores

Ordem dada

Fartura de pão

B) Capítulo 3,1-21: Jesus e Nicodemos

Os milagres de Jesus impressionavam os ouvintes (Jo 2,23-25). Nicodemos era do Sinédrio. O Sinédrio tinha a última palavra. Constava de 70 membros, era um Senado. O nome Niké + demos = vitória do povo.

 

Mesmo Nicodemos ligado a alta cúpula dos judeus, vai procurar Jesus durante a noite. Ele fala ainda como judeu, com sua mentalidade; é o começo da conversão. Os sinais imprecionavam Nicodemos. A expressão "ánothen" pode ser: do alto ou de novo. O sentido do alto é confirmado em Jo 3,31, Jo 19,11. Há mal entendidos no Evangelho de Jo em Jo 3,4; 1,47-51; 8,21-30. Isso provoca a explicação de Cristo no v. 5. Esse é aquele Espírito que Jesus daria Jo 7,37-39 (veja Is 32,15 = Água e Espírito, Ez 36,25-26; 44,3) essa associação de Água e Espírito lembra Gn 1,2 onde o "ruah" de Deus pairava sobre as águas. São Paulo fala em "palingesia": Tt 3, 5.

 

Jesus usa o plural majestático, diz não "crede vós" e prega 3,11: nós - vós; 3,12: Eu - vós; 3,13 = Ele. Do v. 13 em diante é sempre a terceira pessoa.

 

3,11s: Nicodemos não entende o renascer batismal como poderá conhecer coisas mais elevadas.

 

3,13; alusão a Ascensão ocorrida, aí seria um enxerto mas essa não é a mais aceita, porque no 4º Evangelho há essas incoerências no texto: vide Jo 4,38, ora, como aproveitam se estão começando a missão? Assim o v. 13 significa essa Ascensão perene de Cristo, pois ele está sempre em contato com o Céu.

 

VV. 14-15: alusão a serpente (Nm 21,8-10) o tema da serpente portadora de Salvação foi desenvolvido como midraxe em Sb 16,6-7. A serpente é imagem do filho de Deus exaltado na Cruz. A palavra exaltado "hypsóo" significa a Paixão do Senhor Exaltado na Cruz em 3 passagens do Evangelho: Jo 3,14; 8,24; 12,32-34; sinóticos: Mt 16,21; 17,22.23; 20,18.19. A salvação é gratuita, mas não é imposta a ninguém. "A vida eterna" é uma expressão Joanéia que não significa a vida futura, mas a vida presente Jo 3,36; 5,24; 6,47; 1Jo 5,13.

 

Hoje o homem está no deserto, mas o perigo não é mais a serpente e sim o mundo que o cerca, contudo o que hoje se oferece para ele é a própria salvação, não mais o sinal.

 

Deus nos amou com amor "agapáo", Deus enviou o seu filho único e o matou por amor; Abraão é o protótipo desse amor Gn 22,1-12; Rm 8,32.

 

V. 18: Jesus veio não para condenar, mas para julgar.

 

V. 19-21: Cristo é a luz do mundo (8,12; 12,46).

 

Jesus aos poucos quer levar Nicodemos a Deus. Jesus quer levá-lo à verdade, assim como fez com a Samaritana.

 

Jo 3, vv. 3-8: O Espírito que sopra onde quer.

 

VV. 9-15: O filho, o revelador, que fala das coisas do alto. vv. 16-21: O Pai que entrega seu filho para a Salvação do mundo. A Trindade está esboçada nesses versículos.

= = >> A vida pública Jo 12,20-33 (Semana de Páscoa).

 

Este trecho se divide em 4 partes:

* 12,20-23: Os pagãos e a hora de Jesus.

* 12,24-26: O grão de trigo que morre para dar muito fruto.

* 12,27-30: A agonia de Jesus.

* 12,31-33: A cruz, pólo de atração para o mundo inteiro.

Os dois episódios primeiros tem algo de régio: A unção dos pés de Jesus com bálsamo (12,1-11); e é aclamado na entrada de Jerusalém (12,12-19). Atrai multidões e os fariseus se assustam, até os pagãos vão procurar Jesus, é um prenúncio da universalidade do Evangelho.

 

12,20-23: Os pagãos não são judeus da Diáspora, mas sim pagãos incircuncisos que aceitam o monoteísmo de Israel embora não observassem a lei (At 10,2; 13,16-26). Eram habitantes de Jerusalém ou da Galiléia daí procurarem Filipe que devia saber grego para responder a esses gregos que querem falar com Jesus, não apenas falar, mas ver prestando fé (Jo 7,35). Ver= oráo (1,14.16; 1,51). Os pagãos mediante os apóstolos chegaram a Cristo.

Perguntas:

* Conteúdo é igual a mensagem? Sim.

* Unidade do 4º Evangelho? Os capítulos parecem não estar na ordem certa, há incoerências, assim muitos dizem ter várias mãos sendo fruto do aprofundamento. É a escola que trabalha durante decênios, se redige aos poucos, sem pressa. Não é tão heterogênio com peças avulsas reunidas. Pode também haver deslocamento de folhas dos manuscritos antigos.

 

O Batismo cristão supõe a participação na Páscoa de Cristo.

A última semana de Jesus Jo 12,20-33

 

Ver

Oráo

 
 

Crer

Jo 20,8 "Viu e acreditou". O binômio se encontra também no prólogo 1,14.18.51. A procura de Filipe está na linha de se chegar a Jesus por meio dos apóstolos.

 

A glória está no verbo encarnado, mas no Cristo ela se revela numa e noutra hora.

 

Jesus acrescenta a imagem do grão de trigo, como paradoxo.

 

VV. 27-30 O Getsêmani do 4º Evangelho: Jesus está perturbado. A hora da paixão dá sentido a vida pública de Jesus. É re-criador do homem fazendo uma nova humanidade.

 

A agonia de Jesus em:

Lc

Mt / Mc

Jo

Jesus está de joelhos e sua sangue

o rosto por terra

em pé

Em Jo está de pé porque nessa hora ele redimiria a humanidade.

VV. 29-30 entender o mistério da paixão é difícil, de modo que a multidão está perplexa.

VV. 31-33: a cruz como pólo de atração. Jesus revela o sentido da palavra do Pai.

 

É momento de transição; o principal deste mundo será lançada fora; o homem a ele se entregou, por isso ele é o príncipe. É o Pai da mentira, introduz o pecado e a morte. Por isso haverá uma "krísis", é momento divisório na história, onde o príncipe será cão acorrentado que só morde quem se aproxima.

Crucificado, Jesus é exaltado.

 

O relato da paixão é longo em todos Evangelhos: em Jo vai do 18 ao 20 ou 21. Instintivamente temos a vontade de por de lado o que não foi bom, mas mesmo com a ressurreição de Cristo a paixão é muito lembrada, é a "beata passio". A paixão foi perspassada pela luz da ressurreição.

 

A cruz na época de Cristo é a forca em nossos dias. É dor "dolorida".

 => Jo 19,25-31: Mulheres ao pé da Cruz

Jo 19, 25

Mt 27, 55

Mc 15, 40

Maria Madalena

Maria Madalena

Maria Madalena

Maria mulher de Cléofas

Maria mãe de José e Tiago

Maria mãe de José e Tiago

A irmã da mãe de Jesus

A mãe de Jesus

Mãe dos filhos de Zebedeu

Salomé

Não há diferença entre Teologia e Sacramentalidade em Jo, a tipologia do AT como o NT. AT e NT é uma linha de continuidade, há um crescendo do AT para o NT com o Evangelho relemos o AT e o vemos como prenúncio do novo.

Maria Madalena, Maria mulher de Cléofas, a irmã da mãe de Cristo, Maria Santíssima. Essas 4 mulheres são referência a 4 soldados: Jo 19,23.

 

O parentesco entre Cléofas e São José: Cléofas é igual a Alfeu. Os filhos de Maria + Alfeu são José, Judas, Tiago e Simão.

 

Maria Santíssima é amparada pelos irmãos de Jesus.

Vendo Jesus sua mãe ao pé da cruz: o apelativo "goné" diz respeito a Gn 3,15. Jesus entrega sua mãe a João porque não tinha irmãos da mesma casa, mas a João, filho de Zebedeu e Salomé. João leva Maria para casa (veja em associação Jo 16,21-22).

A Mulher Mãe

Eva

Sion

Maria Santíssima

Igreja

Mãe dos vivos

Gn 3, 20

Sf 3, 14-18

Is 49, 14-2

54, 1-13

60, 4-7

62, 1-5

66, 7-11

2ª Eva

Re-capitulação

Re-circulação

Gl 4, 26-27

Ef 5, 25-26

Ap 12, 1-17

=> Jo 19,28-30 - Nesses três vv ocorre o verbo "tetélestai" = está consumado. "Ína teleióthe" = para que se consumasse. "Tetélestai" = está consumado.

 

Há aqui uma referência ao plano de Salvação de Deus que foi realizado, daí o evangelista dizer que a escritura se cumpriu: Jo 19,24.28.36-37.

Os sinóticos não referem ao fato do diálogo de Jesus com Maria e São João, apenas citam as mulheres. Os sinóticos se referem ao ocorrido depois da morte Mc 15,43-44; Mt 27,55-56; Lc 23,49. Já João fala do fato no momento, talvez os outros tenham se posto longe e só João ficou próximo. Portanto João é singular.

= = >> Jo 19,31-37: a Transfixão de Jesus

Jo 19,31-37: Os soldados hostis

Jo 19,38-42: 2 amigos

Soldados e amigos antes da morte:

19,23-24; 19,25-27

Soldados após a morte:

19,31-37; 19,38-42

Queriam retirá-lo da cruz porque os corpos não podiam ficar na cruz, pois era no sábado seguinte a Páscoa.

Calendário Judaico

Sinóticos:

* Mt 26,17-30;

* Mc 14,12-17;

* Lc 22,7-18

 

14 Nisã

* Imolação do Cordeiro
* Ceia

* Jesus Ceia

15 Nisã

Páscoa - Repouso

Jesus morre

João

13 Nisã

Jesus Ceia

Jesus morre

 

Como entender a Cronologia Joanéia? Paulo por exemplo supõe a Cronologia Joanéia: 1Cor 5,7. Na Ásia houve a controvérsia "quarto decimana": 14º dia queria celebrar a Páscoa. Os Ocidentais queriam o domingo, assim nossa Páscoa cai sempre após o 14º dia Nisã, no domingo que sucede a 1ª lua cheia do Equinócio da Primavera, que cai sempre no dia 21 de março; conta-se a 1ª lua cheia após o dia 21 de março.

 

Em João Jesus antecipou a ceia porque ele morre numa sexta feira e no dia seguinte era sábado Pascal; quando acontecia isso os judeus antecipavam parte da Ceia para o dia 13. Pois ao pôr do sol não mais se poderia matar cordeiro por causa da Páscoa, no sábado.

 

Jo 18,28; 19,14.31.

Em Jo Jesus antecipa a Ceia em 1 dia e quando eles sacrificavam o Cordeiro Cristo morria na cruz. Cristo ceia na quinta-feira e morre na sexta (Dt 21,22-23).

 

A quebra dos ossos era para apressar a morte, mas Jesus já estava morto.

 

O soldado abre o lado de Jesus.

Énoxen = feriu; "énoixen" = abriu.

 

A razão pela qual a iconografia preferiu por o ferimento do lado direito é por causa de Ez 47,1. O templo jorra do lado direito.

 

Mais provável é dizer: sangue e água e não água e sangue, talvez os copistas tenham invertido por causa do sinal dos sacramentos: Batismo é água, e Eucaristia (Paixão) é sangue. O contexto é Paixão; por isso é mais provável ser sangue e água.

 

O evangelista dá ênfase ao ferimento que escorre sangue e água para combater os docetas, que diziam ser Jesus uma aparência.
O v. 35 do capítulo 19 fala daquele que viu. Dá testemunho repare a triologia: ver

-- >> Verdadeiro Testemunho -- >> Fé (Jo 1,34; 1Jo 1,2; 4,14). Jesus é o Cordeiro de Páscoa, citando Zc 12,10-14.

 

II. Apocalipse de João

1- Que é um Apocalipse?

A palavra é substantivo comum, não é nome próprio: "apo + kálipsis" = Revelação. Tornou-se gênero literário apocalíptico. Que começa no AT após o exílio (587 - 538 aC.) caracterizado por certas notas que temos, certas espécimes na Literatura Profética.

 

Is 24-27; Ez 37,1-14; 40,1-18; Zc 9,1-14,21. Esse gênero aparece também nos Evangelhos sinóticos e em São Paulo Mc 13; Mt 24 e Lc 21 = Apocalipse Sinótico. 2Ts 2,1-12: Apocalipse Paulino.

 

Temos o gênero literário apocalíptico em At 10,9-16; 1Ts 4,13-17; 2Pd 3,10-13.

 

O apocalipse tem semelhança com a profecia mas não é profecia.

 

O povo no exílio se exaspera. Os estrangeiros oprimem o povo 587 - 538 aC. = Exílio Babilônico 538 - 331 aC. = domínio Persa; 331 - 323 aC. = Domínio Macedônio; 323 - 200 = Domínio Egípcio (Lágida); 200 - 64 = Domínio Sírio (Selêucida); 64 aC. - 70 dC. = Domínio Romano.

 

Desde 587 aC. - 70 dC. o povo eleito, Messiânico é dominado pelos estrangeiros. Nenhum profeta se faz ouvir depois de Ageu, Malaquias e Zacarias (começo do século VI aC.) após a vinda do Exílio e o Senhor não mais se manifesta. Eis que surge o gênero apocalíptico.

 

A história próxima imediata antecedente é revelada e o que se dá hoje já era esperado e diz o autor que o anjo o revelou que haverá uma ação de Deus que restaurará a ordem com o juízo final e os tempos messiânicos. Não é mais o autor daquela época que fala mas Abraão, Moisés... é pós-fato.

Dn 7,1.

Leão com asas de águia = Babilônia

Urso = Persas - Medos.

Leopardo com 4 cabeças

Monstro = Alexandre e sucessores

O autor do século II aC. retrocede e diz que Daniel no século VI aC. Havia predito o que aconteceria subsequentemente até chegar a data do autor e nos lábios de Daniel que "acertou" o que se daria de ruim, poderá também nos lábios de Daniel pôr as boas notícias de que Deus os libertaria daquela situação. É como se fosse em profecia. Diz no caso de Dn 7 que o final do homem viria.

O povo se sentia rejeitado por Deus porque não tinha profeta.

 

No tempo cristão o povo também está desanimado porque não há parusia. A vinda de um profeta era sinal da benignidade de Deus. 1Mc 4,46 (este livro é do século II aC. como o livro de Dn é também do século II aC., mas Daniel é do século VI aC). 1Mc 9,27; 14,41 enquanto não vem o profético vem o Apocalipse têm em comum, em dizer que Deus é que governa o mundo e dará a salvação a cada um, dando o bem aos bons e a perdição aos mais. A diferença é que o profeta é chamado por Deus é um carismático, fala em nome de Deus sabe que é Deus que manda dizer e nem sempre fala do futuro fala mais da presente, ele consola e ameaça, procurando despertar o povo para uma vida ética mais consentânea com a lei de Deus. O autor do Apocalipse não tem uma vocação, ele é mais interessado com o fim da história - futuro. A fim de calar o ânimo de seus leitores. O Apocalipse usa de visões, batalhas, símbolos múltiplos, incutindo dessa maneira a pujância da era Messiânica; é a instauração do Reino Messiânico aguardado desde Abraão.

Notas do estilo apocalíptico:

1) O mundo está sob o domínio do maligno. E esse domínio caracteriza o fim dos tempos, onde o maligno tentará tomar posse do que ainda resta. Esse domínio apavora.

2) Os fiéis de Deus estão abatidos, prestes a perder a esperança.

3) O Senhor Deus intervirá para derrotar o maligno e instaurar seu reino sobre a terra mostrando o seu senhorio.

4) Haverá o juízo de Deus, a exaltação dos bons e a punição dos maus. Essa mensagem é posta numa moldura altamente simbolista:

5) Simbolismo dos números (Gematria): são caros os seguintes números: 3, 4, 7, 12, 1000, 666.

6) Se comprazem em descrever cenas catastróficas: animais daninhos, água em sangue. O autor não tinha a data precisa de quando as coisas se dariam e então punha um número simbólico: 3 anos e meio; 1260 dias. Letras com valor numérico. O inimigo do povo é indicado de maneira simbólica.

7) Imagens pujantes:

· Visões enigmáticas: Dn 7-8; 10-12

· Palavras crípticas (de sentido oculto): Dn 5, 25

· Sonhos: Dn 2-7
Tudo isto está ligado a idéia de revelação.

Dn a partir do capítulo 7º é apocalíptico.

O Apocalipse quer revelar um futuro com base no passado.

8) Segredo: Dn 8,26; 12,4.9

O segredo é necessário no estilo apocalíptico (= apc). Só se revela no tempo oportuno para aliviar os aflitos. É uma literatura de esperança, após o momento difícil, conflitivo virá a paz

 

A literatura apc dificultou a aceitação dos Evangelhos, porque os apocalipses anunciavam o fim da história com a vinda do Messias e o que se dá é que a consumação ficou para outra época. Quem estava assim convicto tem dificuldade para aceitar facilmente os evangelhos.

 

Havia por outro lado a mentalidade da espera do Messias sofredor, servidor de Javé, assume os pecados dos homens - é uma noção difícil a de pagar pelos outros. Após o exílio vem a imagem do servidor de Javé, que reúne os homens pela cruz. Não é um Messias Glorioso (os apócrifos traziam o Messias Glorioso).

O capítulo 8º de Dn é uma espécie bíblica do estilo apc. (é importante ler as notas da Bíblia de Jerusalém).

A profecia versa sobre o presente. O apc fala do passado e do presente em vista do futuro. A profecia está centrada na história do profeta, não tem o simbolismo, sinais cósmicos, etc. Não utiliza essas figuras; isso é próprio do Apocalipse. O apc não tem o chamado de Deus ao passo que há para ser profeta. No apc o autor cria o cenário, é gênero literário, é ficção. Para dar autoridade ao que o autor quer escrever.

2 - O Apocalipse de São João

É o único livro de apc no NT. Para entendê-lo devemos reconstituir a situação histórica. No século I:

64: Nero decreta perseguição aos cristãos. Pois para se livrar do fogo que pôs em Roma pôs a culpa nos cristãos, fazia o circo e punha os cristãos lá, para a festa do povo. Esta perseguição causa certo pesar dos cristãos, pois esperavam a vinda do Senhor. Ao mesmo tempo os judeus ficam incólumes, só em 70 dC. é que os romanos tomam Jerusalém e tombam o templo. Os eram ateus, pois eles não queimam incenso no Panteon.

 

70 Queda do Templo de Jerusalém pelos romanos. Parecia que com a queda acabaria o mundo e Cristo viria, mas ele não vem. A 2ª Carta de Pedro dá uma espécime dessa situação "que não houve nada de bom". No fim do século I dC. vem a perseguição de Domiciano

 

81-96 É preciso adorar o imperador como senhor e deus. São João é exilado para a Ilha de Patmos, em Éfeso - Ásia; lá ele quer consolar os seus fiéis que ficaram na Ásia Menor. O livro é apc a partir do capítulo 4 (o 1 é apresentação; 2-3 é uma espécie de revisão da vida). 4-5 vê-se a corte celeste; o trono e alguém sentado no trono; no 5 o Cordeiro recebe o livro selado - secreto, é apc.As catástrofes são próprias do estilo apc por isso tais figuras em João.

 

O livro quer dizer o seguinte, a partir do capítulo 4º: A história é como um tapete Persa, a face de cima linda e a parte de baixo é feia ninguém pode ver. Os cristãos se afligem e João dá uma resposta de esperança: A história tem duas faces: a de cima que é a que Deus vê, foi feita para ser vista e contemplada.

Tudo acontecerá conforme o previsto: quem está na fase celeste cantará o Aleluia e quem está embaixo e vê o lado que foi feito não para ser visto, fica perplexo. São os homens que estão na terra, vêem a história na contigência. O apc quer dizer que é preciso olhar para a história com o olhar de Deus, com o olhar da eternidade.

A fé faz superar as visões que os sentidos dão. Não há garantia de melhoria para amanhã, mas se eu sigo o Cristo posso participar de sua vitória amanhã. (Ap 20-22).

 

Não é um livro que satisfaça de que o dia de amanhã será bom. É um livro escatológico que tende para o fim. O fim já começou mas o fim mesmo será no julgamento, na vinda 2ª do Senhor Jesus.

3. Conteúdo (Teologia) do Apocalípse de João

Começa com um prólogo e visões introdutórias: 1,1-20 o prólogo consta de uma apresentação de Jesus Cristo e o que Cristo revela por meio de João, o servo de Cristo. Vem a corte celeste. No v. 19 vem a apresentação das duas partes do livro: A) O que é; B) O que será. A 1ª parte é um exame de consciência.

I parte do livro: as coisas que são (as 7 cartas): 2,1-3,22 se estrutura em 7 cartas às comunidades da Ásia Menor. A 1ª parte do livro não é apc. As cartas são bem arquitetadas. Cada carta compreende três partes:

1) Apresentação de Cristo com algum título que signifique sua realeza, sua divindade 2,1; 2,8; 2,18...

2) Corpo da carta: é uniforme em todas elas, há termos; méritos e deméritos; elogio ou censura; exortação.

3) Promessa final: tem também sua estrutura simétrica.

Quem tem ouvidos... ao vencedor... 2,7.11.17

Ao vencedor... quem tem ouvidos 2,26-29

3,5-6

É comum isso: veja que são 7 citações 3,12-13

Sendo 3 de um tipo e mais 4 de outro 3,21-22

Tipo, um total de 7 tipos. O nº 7 é comum em seus escritos do apc. A inversão perfaz um total de 7 tipos.

Dessas cartas a mais severa é a Laodicéia: é a mais censurada. A única que não é censurada é a de Filadélfia.
Tem um quê de apc. O exame de consciência é feita em nome de Cristo. As cartas têm gênero sapiencial.

A II parte do livro é que é apc.

 

II parte: contém o que deve acontecer: 4,1-22,15.

Não é um simbolismo de desdobramento dos séculos, mas a restauração final do bem. Reproduz de maneira simbólica a história da humanidade, nada escapa ao plano de Deus.

Preâmbulo: a corte celeste: 4,1-5,14 esses dois capítulos 4-5 é umidade fechada em si.

* O inefável 4, 1-11

* O Cordeiro, Senhor da história 5, 1-14

Os anciãos são os representantes da humanidade. Os 7 Espíritos de Deus é o Espírito Santo; o Pai é o inefável, o filho é a imagem do inefável.

 

Leão

 

Touro

Pai

Águia

 

Homem

 

Os 4 animais: é símbolo do mundo

 

O Cordeiro recebe em suas mãos, mãos chagadas

 

Tudo fica nas mãos do Cordeiro, nada está fora do livro. É isso que o livro quer até aqui mostrar. Há uma luz de paz e de domínio da corte celeste, a corte sabe tudo que acontece. Isso é para mostrar que tudo está nas mãos de Deus, está sob sua tutela.

 

O corpo do apc: capítulo 6:


Os 7 selos: 6,1-8,1; As 7 trombetas: 8,2-11,18;

As 7 visões: 11,19 - 15,4; As 7 taças: 15,5-16,21.

11,19 - 12,18; 13,1-10; 13,11-18; 14,1-5 = Visões

14,6-13; 14,14-20; 15,1-4 = Visões


= = >> Os 7 selos percorre a história, como sendo a história da humanidade. Os flagelos é sinal da guerra.

 

O corpo do livro pode ser assim reproduzido:

Cada 7 indica um centenário.

Ponto principal do livro 7 taças;

7 trombetas;

7 selos

7 é a totalidade. O bem e o mal, a mulher e a serpente em antítese permanente. As visões talvez sejam reproduções provindas de outras fontes, parece um enxerto, pois interrompem as 7 taças.

 

A síntese de toda história da Igreja. Está em Apocalipse 11,19 - 12,18 o sentido é mostrar a história da humanidade que é perspassada pela história da mulher e da serpente.

III Parte: A consumação (também faz parte da II Parte do livro, ou seja, do corpo do livro). 17,1-22,15.

 

Queda da Babilônia: 17,1-19,10

Extermínio das nações pagãs: 19,11-20,15

A Jerusalém Celeste: 21,1-22,15

Epílogo: 22,16-21

Se não fosse a parte final o livro seria só Ai, Ai, Ai, mas a última parte é consoladora.

 

O livro tem seu fio condutor: a corte celeste, os ais, a consumação: a queda do mal e a vitória do Cordeiro que se une à sua esposa, a Jerusalém Celeste.

 

A história perene da história da Igreja: a luta entre a linhagem da serpente e a linhagem da mulher (conteúdo do livro).

Há um paralelismo do 6º selo (o 7º é um gancho) vem a 7ª trombeta e a 7ª taça.

Ap 6, 12-17

11, 15-18

16, 17-21

"Chegou o grande dia"

"Realeza passa para o Senhor e seu Cristo."

"Está feito"(Consumado)

As 2ª, 3ª, e 4ª trombetas e taças são paralelas entre si ( 8,8-12; 16,3-9).

2ª Trombeta = Montanha no mar. Água do mar > Sangue

3ª Trombeta = Estrela na terra. Água doce > Absinto (= amargo).

4ª Trombeta = 1/3 do sol, da lua. Sem luz.

2ª taça = Mar - Sangue

3ª Taça = Água Doce - Sangue

4ª Taça = Sol - Calor Abrasador

Há uma retomada, uma recapitulação. É a história da Igreja

4. Sistemas Clássicos de Interpretação do Apocalípse.

1) O sistema escatológico: isto é, a suposição que o apc escreve o final dos tempos, a última hora. Essa interpretação está em voga e vem já da Antigüidade. Um principal autor dessa linha é Ribeira, um jesuíta, do século XVI. Esse autor toma ao pé da letra as indicações cronológicas, que não tem valor matemático, mas cronológica, ela as toma com valor matemático.

Apendice

A idéia de Anti-Cristo não é bíblica. Designa qualquer herege que vai contra a encarnação; quem escreve é São João por causa da mentalidade quando ele escreve. Não propriamente um Anti-Cristo, mas um herege. Não é um individuo que vai aparecer ou uma comunidade, não é um perseguidor de Cristo, mas qualquer herege na mentalidade de João.

Explicação para uma população abatida. O autor mostra que a história corre com dor para o homem, mas a história está nas mãos do Cordeiro. Os homens sofrem pelo pecado e a perseguição (esse é o fio condutor do Livro). O apc quer que vejamos pelo lado de cima do tapete.

2) O sistema da história antiga

O apc trataria apenas do passado. Dessa linha citamos "Bossuet" (século XVII). Em 13,18 diz que 666 é Dioclesiano. No caso supõe que na Ásia Menor João soubesse latim e também seus leitores.

3) O sistema da história universal

O apc viria do início dos termos até à consumação. Sustentava essa tese Joaquim de Fiore: dizia que entre Abraão e Jesus foram 42 gerações e cada geração vivendo 30 anos daria um total de 1260. Seria a era do Pai.

De Jesus até o fim da era do filho = + 1260 anos depois viria a era do Espírito Santo.

França

Espanha

Itália

Inglaterra

Bizâncio

América Espanhola

Áustria

Para outro autor as 7 cartas dizem respeito a esses lugares, ora, isso é errado!

As cartas:

Éfeso se refere aos primeiros apóstolos da era cristã do 1º século.

Esmirna = está ligado com mirra = martírio, século 2º ao 4º

Pergano = pergaminho, século IV - V, aos grandes escritores da Igreja.

Tiatira = sacrifício incessante significa a alta idade média

Essa exegese é furada.

5. Autor do Apocalipse

5.1. Critérios internos

5.1.1. A Tradição foi oscilante. Por isso também foi um livro deuterocanônico. Até o século III era aceito. Apenas uma facção contestava era a da "álogoi", não tinham o logos.

 

No ano + 265 Dionísio de Alexandria nega a autoria pois pensa que o Ap suscita o milenarismo; realmente o era. E tivemos outros Padres da Igreja que foram milenaristas.

 

Dionísio resolve negar como sendo o Ap a origem do milenarismo.

 

No início do livro há a designação do autor, ao passo que no Evangelho não há o nome. Por tanto não pode ser Joaneo. Ap e o Evangelho também diferem, é de outro estilo, o vocabulário e a sintaxe. A posição de Dionísio fez escola. Finalmente a Tradição se firma a favor de João.

 

O Concílio de Hipona, em 393, encerra as controvérsias. Os orientais acabaram aceitando o Ap com o livro canônico.

5.2. Critérios Internos.

O exame do texto é favorável a João, mas não à pessoa dele e sim à escola.

1) Autor se designa como João: 1,1.4; 22,8; 1,9, o que é diferente do que ele fez no Evangelho.

O fato é que todo livro profético traz o nome do autor e talvez por isso venha o nome.

2) Autor é conhecido pelas Igrejas da Ásia Menor: Cap 2-3: os dois capítulos revelam a autoridade do autor.

3) Convergência entre o Ap e o Evangelho e também 1/ 2/ 3 Jo.

Há vocábulos comuns:

* "Lógos": Jo 1,1.14; 1Jo 1,1; Ap 19,13 vocábulo Joaneu para designar a 2ª pessoa da Santíssima Trindade.

* "Amnos Theou": João 1,29-36; Ap 5,6.8-9

* "hydor" (Água): Jo 4; 7,38; Ap 21,6; 22,17

* Tudo feito pelo verbo: Jo 1,3; Ap 3,14.

5.3. A crítica contemporânea

1) Duplicatas estranhas:

* 144.000: 7,2-8; 14,1-5 não se vê bem o nexo que há entre uma citação e a outra.

* Bem-aventurados no céu: 7,9-17; 15,2-5 por duas vezes.

* Besta com 7 cabeças e 10 chifres: 13,1-8; 17,3-8

 

No Ap há uma aversão ao poder político, na 1Pd diz para rejeitar a autoridade, Romanos também diz como a 1Pd. Isso se dá porque Nero persegue.

* O anúncio da queda de Babilônia: 14,8; 18,2-3

* Lamentações sobre a cidade em ruínas: 18,9-20;

* A Jerusalém futura: 21,1-8; 21,9-22,5.

2) Incoerências lógicas:

* 11,14-18: o 3º Ai! Onde está?

* 17,1: Anúncio do julgamento da prostituta? Não há a descrição desse fato.

* 20,12-13: Mortos julgados? (Mas ainda vão ser devolvidos).

 

20,13-14: O "hades" devolve os mortos.

Alguns elementos são apresentadas como novos quando na verdade já foram vistos amplamente.

* Besta em 17,3-4 mas 13,1-3.

* Cordeiro em 14,1 mas Ap 5

* Mar de Cristal em 15,2 mas 4,6.

* Trono de Deus em 20,11, mas Ap 4-5.

Alguns trechos parecem deslocados no Ap, parecem fora de contexto:

* Em 18,14 há uma mudança brusca da 3ª para a 2ª pessoa.

* Em 18,22-23: há a mesma mudança dada acima.

* Em 20,4 só se compreende se associado a 20,11 s.

O Ap supõe diversas mãos por isso se atribui a uma escola. Há muitas conjecturas. O livro tem certa unidade apesar dos enxertos e incoerências que podem ter havido.

5. Textos Seletos

1) Ap 13,18 propõe o nº da besta: 666. A 1ª besta é o poder político hostil ao cristãos. A 2ª besta a religião manipulada pelo poder político.

 

A interpretação mais aceitável é Cezar Nero, escrito em caracteres hebraicos. Portanto não se contaria as letras pelo alfabeto grego ou latino, mas hebraico. Em grego se escreve: kaisár nerón = 666. Há cópias que trazem 616 isso se explica porque o "n" pode ser omitido e se o for fica 616.

 

Há quem apele para os caracteres latinos, mas como pode? São João conhecia latim?

2) Ap 12,1-17: A mulher e o dragão

Faz uma síntese da história da Igreja. Põe diante de nossos olhos dois protagonistas: A mulher e o dragão. Lembra o Proto-Evangelho com as duas linhagens.

 

Conteúdo do capítulo 12 mostra que o livro é artificioso, como se mostra nesse capítulo mesmo.

 

Ap 12,1-5: a mulher, o dragão, a criança, glorificação da criança, desencadeamento da história subseqüente.

 

A seguir vem um (1) versículo isolado 12,6: a mulher é obrigada a fugir; a mulher é preservada por Deus em lugar seguro; o retiro e o perigo da mulher duram 1260 dias (... até a parusia).

 

Os vv 7-17 se encontram compendiados no v. 6. A mulher é obrigada a fugir: porque o dragão é derrotado no céu e a persegue na terra enquanto os justos celebram a derrota no céu ( vv 7-13).

Essa mulher é o povo Messiânico, é a filha de Sion, se personifica em Maria Santíssima. O príncipe deste mundo é destronado pela vitória de Cristo e isso é apresentado como se houvesse uma batalha no céu. É a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.

 

A mulher obrigada a fugir é protegida por Deus num lugar seguro. Diz o texto que Deus salva a mulher no deserto durante 3 ½ anos (v. 14). Águia, asas, são símbolos da defesa de Deus, três anos e meio é sinal do entroncamento, é a metade de 7, sendo o tempo entre o aC. e o dC. Depois o texto fala dos esforços do dragão (serpente) para vencer a mulher são inúteis na luta contra ela (vv 15-16).

 

A águia seria capaz de arrebatar a mulher, mas a terra abre o bojo para recebê-la a fim de que não seja arrebatada.

 

O v. 17 diz que o dragão, não podendo vencer a mulher, vai ao encalço dos outros filhos dela (v. 17) tentando levar consigo aqueles que ele puder arrastar.

 

Esse v. 17 é o cerne dos capítulos seguintes, o livro vai por meio de repetições.

Quem é essa mulher? Ela tem um filho, que é comparado ao Messias, mas ela tem também outros filhos. Ela é uma mãe alegórica. O Sl 87 descreve Sião como a Mãe de todos os povos. A idéia de Jerusalém - Mãe passou para os cristãos em Gl 4,26: é a Jerusalém do céu.

1ª Eva (Mãe da vida) - - - Sion - - - Jerusalém a mãe de todos os povos - - - Maria Santíssima - - - Messias - - - Jerusalém Celeste - - - Muitos filhos

A mulher é:

* Luminosa: Is 7,14; Mq 5,1-2. Traços da mãe do Messias. "Almah"

* Dolorida: esforço para ser fiel a missão de ser mãe do Messias. Lc 2,35.

* Trata-se de um texto bem mais amplo do que a pessoa de Maria. Esta é como se fosse o fecho da história apresentada

 

A criança: os primórdios da era da redenção. Fase inicial da história da Salvação.

Dragão: Gn 3,1-6 é a antiga serpente. É homicida desde o início e Pai da mentira Jo 8,44-48. O fato de varrer o céu mostra que ele é realmente poderoso e é inimigo da luz porque arrasta as estrelas (Ap 8,12). O dragão não pode nada contra o menino. A vitória do menino provoca a queda do dragão.

 

O dragão sabe que tem pouco tempo, por isso quer aproveitar bem o tempo e por isso Deus protege a mulher. No capítulo 11,1-13 há duas testemunhas; há um paralelo com o capítulo 12.

 

O deserto, como lugar seguro, é um tema caro ao Ap (11,1-2): a Igreja é defendida, tem seu tempo, a defesa de Deus, o deserto é um lugar garantido contra o dragão.

 

3 ½ anos: 42 meses = 1260 dias. Dn 7,25; 12,7.

 

Enfim, são símbolos da história da Igreja.

 

No final a mulher ficará incólume, os filhos podem ser levados por ele, então ele tenta até o fim dos tempos porque lhe resta pouco tempo. Poderá atingir os filhos, nunca a mulher.

 

Ap 11,1-13 síntese da história da Igreja.

 

Contexto do texto: vv 1-13 se insere entre a 6ª e a 7ª trombeta. A 6ª trombeta se encontra no capítulo 9º vv 13-21 e a 7ª no capítulo 11, 14-19. Temos que anular o capítulo 11 sob o contexto das trombetas. Embora os homens geram na terra a corte celeste se mantém tranqüila.

 

6ª Trombeta

1/3 dos homens

Flagelos monstruosos (Sinais de Deus na história dos homens)

Impenitência dos demais homens

 

É um flash da história da Igreja, há a intervenção divina e uns morrem e outros se mantém na impenitência.

O capítulo 11 é uma espécie de contraparte a 9,13-21. Há alguma coisa que acontecerá antes da 7ª trombeta e que fará os homens abrirem os olhos.

 

Ap 11,3 fala de duas testemunhas por causa da lei de Moisés (Dt 17,6; 19,15; Mt 18,16) essas testemunhas, quem são? Parecem ser Elias e Moisés porque é mau condizente a eles (v.4). Lembra Zacarias 4,3-14: Josué e Zorobabel; Elias e Moisés (Moisés é a lei; Elias é o profetas). O Cânon do AT: A lei e os profetas. Não ao pé da letra. Mas a palavra profética da Igreja e a doutrina (são duas testemunhas).

 

O 3º Ai é a parusia. O 1º é o apelo de Deus; o 2º a resposta dos homens.

O Ap é um livro de esperança dos cristãos do fim do século I porque Cristo não voltava. Para entendê-lo temos que nos despojar de conceitos fantasiosos. Não espere encontrar 3ª guerra mundial, fim de mundo, etc.

 

Deixar as interpretações correntes, mas ver que é linguagem Joanéia, que gostava de ver sacramento, sinais etc. Assume o simbolismo de seu ambiente para pôr a mensagem de esperança.

 

Nunca se separe o texto de seu contexto.

Ap 11,1-13 faz parte da 2ª série de sinais ou trombeta. A 6ª está no capítulo 9,13-21 e a 7ª vem no capítulo 11,14-17.

 

Esta secção se vê como parte integrante porque faz antítese à 6ª trombeta nela há grandes calamidades e os sobreviventes não se convertem. A 7ª é a consumação, é a Liturgia Celeste, os anjos cantam a vitória do Cristo. Ap 11 é uma réplica à 6ª, apresentará fatos que suscita a conversão dos homens, os homens apavorados dão glória a Deus. O que acontece para isso?

 

O capítulo 11 começa supondo um templo, que é o de Jerusalém. É Cristo que manda medir o templo. Medir é fazer que se cumpra os desígnios a respeito dos homens; medir também é tomar (tomar posse) ciência do que é seu. Vide Zc. 2,5: toma posse para preservar.

 

O que é medido é reservado, o átrio exterior não é medido, este é entregue aos pagãos. O sentido é a Igreja enquanto duas faces, uma tocável e outra intocável, é o lado exterior e interior. O Eu da Igreja é intacta, é incólume; isso enquanto corpo de Cristo, ao passo que seus membros, o pessoal da Igreja, podem ser pisoteados.

 

V.3: sob esse pano de fundo vamos ter duas testemunhas que falarão perseguidos por 3 ½ anos (é simbolismo, metade de 7) os traços da testemunha.: Oliveiras e Candelabros: o profeta Zac 4,2-3.14. A 1ª característica dessas duas testemunhas: Jesus sacerdote e Zorobabel. Outra característica é atirar fogo sobre os inimigos 2Rs 1,9.12: Elias. Tem também traços de Enoc, porque foi subido ao céu: Gn 5.

 

As testemunhas têm todas essas características: é a voz da pregação da Igreja. É uma voz poderosa como a de Elias e Moisés. Não identifiquemos com nenhuma figura do AT. Na história da Igreja continua o testemunho que é vivaz e se defende de quem quer atacá-la. O testemunho da Igreja impede o inimigo. A testemunha tem também a tutela do Senhor que lhe garante a pregação.

 

São duas testemunhas porque a palavra da verdade deve estar na boca de duas ou mais pessoas Dt 19,15.

A besta vai se arremessar contra as testemunhas. Parece que é a morte das testemunhas (em nossos dias aconteceu isso na Rússia. Foi uma coisa parcial e não definitivo). Assim parecem cadáveres.

O mundo é a grande cidade desde que haja lá a perseguição à palavra do Senhor. Durante 3 ½ dias os corpos ficam expostos e há a emudação da voz. Esses dois profetas são sujeitos à perseguição. O desaparecimento da pregação deixa os maus homens alegres.

Mas após 3 ½ dias Deus os ressuscita, é o próprio Deus que reanima sua pregação. Por causa disso um grande medo apodera-se dos maus que se regozijavam.

As testemunhas voltam à vida e sobem ao céu e a pregação é glorificada. E um grande terremoto mata 7 mil pessoas, 10ª parte da cidade cai: é sinal de novidade na história, é motivo para que os homens reconheçam a vitória de Deus, é um ábaco íntimo. O destronamento de muita gente gera a glória ao Senhor do céu.

Mostra como pode haver conversão diante da pregação da Igreja se a Igreja mostra sua face.

= = >> Ap 6,1-8,1: Os 7 selos

Este setenário dá a nota aos demais, é o mais claro, o mais importante.

Visão de conjunto do texto:

 

1º selo: cavalo branco (6,1-2)

2º selo: cavalo vermelho (6,3-4)

3º selo: cavalo negro (6,5-6)

4º selo: cavalo esverdeado (6,7-8)

5º selo: os mártires clamam (6, 9-11)

6º selo: visão antecipada da consumação (6,12-17: os ímpios; 7,1-17: os justos)

7º selo: ½ hora de silêncio - - expectativa.

7 selos: quatro combinam entre si e três diferem.

Essa lei da composição 7 dividido em duas partes é comum no Ap.

 

Os cavalos. Os mártires clamam a Deus pedindo justiça no mundo; no 6º temos a consumação da separação dos justos dos ímpios. 7º selo é o gancho onde entra o 2º setenário que mostra a história da Igreja marcada pelas invectivas do mal sobre o bem.

O 1º selo: temos um livro fechado com 7 selos e estes vão sendo abertos. O cordeiro é o portador do livro porque nada acontece fora das mãos de Deus. Deus, o cordeiro e a corte celeste assistem tudo na terra, conforme tudo determinado.

 

Quando o cordeiro abre um dos 4 seres vivos diz vem. (os seres vivos representam o mundo inanimado). O cavaleiro branco pode ser entendido assim: A) Seria o flagelo - é o imperialismo militar do Império Romano. É uma interpretação derivada porque os outros cavaleiros também trazem o flagelo. Seria a guerra que assolava as regiões orientais do Império Romano. Essa não é a melhor interpretação porque o cavalo vermelho é que é a guerra.

 

O melhor é o simbolismo otimista (Ap 19,11-16): a cor branca significa vitória. Ademais o verbo "vencer" em Jo é sempre positivo, vencer o pecado, vencer a morte: "nikáo" (16 vezes no Ap; 6 vezes em Jo; 4 vezes no restante do Novo Testamento). Então o cavaleiro do Ap que é vencedor é o que derruba a morte e o pecado. Antes que começa algo trágico sobre a terra há um sinal positivo, tudo de mal que venha depois não é decisivo, é posterior ao bem. O cavaleiro saiu para continuar a propagação do Evangelho.

 

Ademais há um contraste de cor, o branco é sempre alegre.

 

A bonança antes da desgraça é comum no Ap, para mostrar que qualquer flagelo é permitido por Deus dentro do plano sábio de Salvação.

2º Cavaleiro: pela própria cor de sangue designa a guerra que provoca a fome, a desgraça e a morte; por isso traz a espada. O egoísmo é causa dessa rivalidade.

Importa é sua ação maléfica no mundo.

3º Cavaleiro: a cor lembra a penúria, a fome a guerra do 2o destrói e o resultado é a fome. Traz a balança, pois é ela que pesa o peso leve dos alimentos, tudo é medido na balança.

 

1 denário era a paga do funcionário por um dia de trabalho Mt 20,1; com esse salário ele podia comprar 24 litros de cevada e 12 de trigo e aqui na penúria passa para 1 litro. Apesar disso quanto ao óleo e o vinho mostra que a providência divina acompanhará o flagelo.

4º selo: esse cavaleiro vem num cavalo amarelado/esverdeado: é a cor dum cadáver, dum rosto pálido de medo. Não tem distintivo, é a hora da peste.

Paralelos nos profetas: Is 51,19; Ez 5,2; Jr 14,12 espada, fome e peste.

Por ocasião do flagelo final só a 4ª parte morre: é para mostrar que a humanidade continua, não é o fim. Não quer dizer que isso vai acontecer, mas para mostrar que tudo está sob a providência divina.

Os 4 selos são a história da Igreja: é a vitória do Cristo, que já é vencedor e sai para vencer, depois vêm os três flagelos devidos ao pecado do homem, há morticínio, fome e peste.

 

Geralmente o cavalo na Sagrada Escritura é sinal da intervenção de Deus na história da humanidade. Os cavaleiros são os agentes, os executores das ordens de Deus no mundo (vide 2Mac 3,25; 10,29).

É toda história da humanidade, é pesado para o cristão, não é uma época determinada.

Segue uma triologia de selos que não tem haver com os cavalos:

O Ap coloca o outro lado da história: na terra há o Ai, Ai, Ai e no céu...

5º selo: temos no céu um altar. O mar de cristal e toda corte celeste com o cordeiro que segura o livro. A frente do altar estariam as almas dos justos mártires. Clamando a Deus por justiça. Esses mártires estão na glória e são solidários com os irmãos na terra, pedem que a desordem da terra, da qual eles foram vítimas, se extirpe e o bem seja restaurado. O Ap é uma previsão da restauração da ordem. É o anseio justo que todos devem ter.

6º selo: é a consumação da história (6,12 - 7,17): visão antecipada da glória.

Há uma antítese como não raro acontece no Ap: 6,12-17: os ímpios; 7,1-17: os justos a própria facção dos justos se subdivide: 7,1-8: os filhos de Israel; 7,9-17: os justos dos demais povos.

 

6,12-17 são imagens comuns

Aqui se vê a sorte final dos ímpios.

7,1-8: filhos de Israel. É simbólico os 144 mil.

7,9-17: são inumeráveis porque vem de todos lugares.

7º selo: 8, 1

III - 1. 2. 3 João

1. 1Jo - Notas introdutórias

Não apresenta a forma epistolar, com poucas notas pessoais. Traz traços epistolares: 1Jo 2,1; 5,13 o autor tinha em vista pessoas convertidas do paganismo: 5,21 parecem convertidos já há um certo tempo e não novatos na fé: 2,7.24; 3,11 não é algo de novo. Esses homens são atormentados por pregadores, por isso Jo escreve a carta em que insiste que Jesus é o Cristo. Cerinto dizia que Jesus era mero homem e no batismo recebe o Cristo, que o deixa na paixão. Não era Deus feito homem. Por isso Jo escreve. A 1Jo é vizinha do 4º Evangelho, tem em vista a mesma situação doutrinária do 4º Evangelho: provar que Jesus é o Cristo.

 

Alguns textos da 1Jo mostram a problemática doutrinária da comunidade quanto a confusão que Cerinto causava: 2,22; 4,2-3.14-15. "Jesus é o Cristo" é repetido ao longo da carta. É preciso que a comunidade ande à luz dessa verdade 1,5-7. Identificamos também essas heresias em 2,27.

Autor da 1Jo

Desde o século II dC. se atesta que Jo deixou 1 epístola. Essa é canônica e as outras duas deuterocanônicas. A 1Jo tem afinidade com o Evangelho, tanto na doutrina, como no aspecto estilístico.

É dada ênfase ao testemunho ocular do autor: Prólogo: 1Jo 1,1-4; os vocábulos que perspassa essa carta são também do 4º Evangelho: "alétheia"; "fós"; "lógos tes zoés"; "gignóskein".

 

A finalidade do autor é corroborar o conteúdo do 4º Evangelho, tem o mesmo destino.

 

A finalidade na carta 1Jo 5,13 é igual ao Evangelho: Jo 20,31.

 

A quem o autor se dirige? Talvez várias comunidades. Ele conheceria as comunidades, mas não teria inaugurado-as: isso se depreende pelas palavras: amados: 2,7; 3,2-21; filhos: 2,18.28; pequenos: 2,1.14.18.

 

A carta é de Jo; escreve para alertá-los contra o "Docetismo" de Cerinto e a outra corrente que pode estar subjacente é a do gnosticismo.

 

A carta discorre em 3 círculos concêntricos:

 

1- Vida em graça (na luz e não nas trevas) 1,5-2,29.

2- Vida de filhos de Deus: 3,1-4,6
3- Vida no amor de Deus: 4,7- 5,12

Epílogo: 5,13-21

 

Repete os assuntos o tempo todo.

O uso da palavra "agapáo" no Evangelho é de 40x e 25x nas epístolas. E "agapé" 7x no Evangelho e 20x nas epístolas.

"Agapáo" é o amor desinteressado: 1Jo 4,8-16 - é amor de benevolência.

Nessa carta há uma expressão que traz problema: textos salientes: 1Jo 5,16 = "Pecado para a morte".  => alguns identificam com o pecado contra o Espírito Santo. O pecado contra o filho do homem é aquele pecado que o homem vai contra a lei de deus.

Os leitores imediatos da carta não tinham dificuldade para entender, inclusive porque o termo aparece 3 vezes no v. 16. Vamos ver o pano de fundo:

1º A expressão aparece em apócrifos judeus pré-cristãos que o usa, mas também não explica. Em versão grega temos: "hamartia eis Thánaton"

2) No AT: (na tradução LXX) temos expressões equivalentes: Dt 22,26.

A palavra grega "hamartía" não é pecado moral, mas é erro, como perder um gol.

Nm 18,22 = "hamartía Thanatéforos"

Seria, na tradição, a pessoa fechada a graça de Deus; é portanto o pecado contra o Espírito Santo. É o pecado do qual está muito empedernido. Hb 6,4-8 ajuda a compreender o texto de São João. É mais o caso de quem apostata e zomba de sua comunidade.

 

- X - X - X - X -

O profeta nem sempre olha para o futuro mas na maioria dos casos para o presente.

 

O Ap é totalmente voltado para o futuro e como o Reino de Deus vai baixar no futuro. Supõe uma situação

calamitosa; um grande personagem do passado tenha revelado uma história próxima passado, assim poderá falar do futuro dizendo que virá o Reino de Deus para resgatar a justiça.

 

A profecia é mais "Pro - Theós"

 

- X - X - X - X -

3. 2/3 Jo

Supõem a 1Jo. Na Tradição houve hesitação quanto à autoria. São Jerônimo admitia, baseado em Papias e em Eusébio, a distinção entre o Apóstolo e o Presbítero.

 

O Papa Damaso (IV dC.) diz que a 1Jo é de João Apóstolo e a 2/3 Jo é de João Presbítero.

Vocábulos comuns desde o Evangelho até a 3 Jo.

 

* Amar na verdade: 1Jo 3,18; 2Jo 1; 3Jo 1.

* Caminhar na verdade ... nas trevas: Jo 12,35; 1Jo 2,11; 3Jo 3.

* Dar testemunho: Jo 21,24; 19,35; 3Jo 12

* Anticristo: 1Jo 2,18-22; 2Jo 7

 

Cartas que sabemos o conteúdo, o autor gozava de certa autoridade, devia ser alguém que pudesse agir dessa maneira, é de crer que pudesse exercer a jurisdição sobre as Igrejas vizinhas. Não se sabe bem os destinatários. O autor não escrevia tudo pois ia às comunidades e lá dizia o que faltou 2Jo 12; 3Jo 14. O pastor supremo era o apóstolo, só que ele era itinerante.

 padre Marcelo Chelles de Moraes - anotações