É 10!

Mesmo não sendo ímpar, o número 10 (dez) entrou na lista dos números perfeitos. Ele expressa o completo, a inteireza, o todo. É considerado o número da perfeição humana.

Com o 10 (a soma de dois números perfeitos: 3 + 7 = 10), expressamos a admiração e reconhecimento que temos por alguém: Ele é 10! Na maioria das escolas a avaliação é por conceito numérico. Quem obtém nota 10, consegue o máximo. Para a numerologia, ele simboliza a eternidade e a divindade, o retorno à unidade. São 10 os dedos da mão e do pé. Há gente que costuma contar nas mãos o que, aliás, era a maneira primitiva de contar.

No Antigo Testamento

Por 10 vezes, em Gn. 1, fala-se da ordem que Deus dá para que os seres venham à vida. Afirma-se que “Deus disse”: sete vezes, referindo-se à criação em geral (cf. Gn. 1,3.6.9.11.14.20.24); três vezes, dirigindo-se às pessoas humanas em especial (Gn. 1,26.28.29). Logo, 7 + 3 = 10: totalidade da criação. São 10 os mandamentos da Lei de Deus, as Dez palavras (cf. Ex. 20,1-17; 34,28b; Dt. 5,6-22). Diante dos bens da terra, de que falaram as 10 palavras do Gênesis, é preciso assumir uma postura fiel, perfeita. O Decálogo é orientação segura do fiel para com Deus Criador, consigo mesmo, com a realidade criada. Abrange a totalidade das humanas relações.

Há circunstâncias em que as pessoas não aceitam a vontade do Criador e a ordem da natureza. Caso emblemático desse desvio, a Escritura exemplifica na opressão que os egípcios impuseram a Israel. Por isso, o próprio Deus da vida intervém e sana o mal causado (cf. Ex. 7,8-12,34). A inteireza do mal da opressão é superada por uma intervenção total de Deus, mediante 10 pragas. Mas também o próprio povo de Israel, no caminho do deserto, mostrou-se “dezmente” falho em relação ao seu Deus e benfeitor. Rebelou-se 10 vezes contra ele: “Todos estes homens que viram a minha glória e os sinais que eu fiz... já me puseram à prova dez vezes” (Nm. 14,22).

O Novo Testamento

O Novo Testamento é pródigo em referências ao número 10. Mateus 8-9 apresenta 10 milagres de Jesus, isto é, 10 intervenções restabelecedoras da vida. Equivale à obra perfeita, que João retrata mediante os sete sinais. Jesus liberta de tudo quanto desintegra, aliena e oprime as pessoas. Nesses 10 milagres, segundo Mateus, e nos sete sinais, conforme o João, Jesus mostra o Reino de Deus presente e atuante.

Mateus 25,1-13 narra a parábola das dez virgens que representam a totalidade dos cristãos que vão ao encontro de Jesus, o Esposo. A dívida de 10 mil talentos (Mt. 18,24) é impagável. É dívida total! Mas Deus sabe perdoá-la. Em Lc. 17,11-19 conta-se a cura de 10 leprosos, entre os quais só um agradeceu Jesus. Dez servos recebem, cada qual, 10 talentos do senhor que parte para longe, diz a parábola de Lc. 19,11-27. O que foi totalmente fiel recebeu a recompensa de 10 cidades.

No contexto das parábolas da misericórdia (Lc. 15), tanto a mulher em casa quanto o homem no campo perdem, respectivamente, uma de 10 moedas e uma de 100 (10 x 10 = 100) ovelhas. Não descansam enquanto não voltam a completar a inteireza do dinheiro e das ovelhas. Além disso, convidam todos a fazer festa total. Na sequência, o pai fará festa para todos os seus filhos, representados naqueles dois: um que, como a ovelha, se perdera longe de casa; o outro que, como a moeda, estava perdido em casa.

padre Mariano Weizenmann, scj