DIVINO E HUMANO: A PLENITUDE

O número 12 (doze) indica a perfeição ou plenitude, especialmente em perspectiva escatológico-apocalíptica. É número divino (três) multiplicado pelo número humano (quatro): 3 x 4 = 12.

O sentido de perfeição e totalidade inspira-se na duração de um ano completo, composto de 12 meses; no dia e na noite, esta e aquele com duração de 12 horas cada. Doze são os signos do zodíaco, os campos (casas) da astrologia cabalística e os frutos da árvore cósmica.

São doze os trabalhos de Heracles (Hércules) em expiação pelo crime de haver matado esposa e filhos, os titãs da mitologia grega das origens, os navios da Odisséia de Homero e os cavaleiros da lenda celta da távola redonda.

Contexto bíblico

Doze é o número das tribos de Israel (cf. Gn. 35,22-26) e 12 os apóstolos de Jesus (Mt 10, 2-4). O 12 representa, pois, a totalidade da Igreja, desde a preparação com Israel à realização na comunidade cristã. O Apocalipse colhe bem essa intuição no referir-se aos 24 anciãos (Ap 4, 4): a totalidade dos santos do Antigo Testamento (12) mais os santos do Novo Testamento (12). Na mesma linha pode-se entender as 12 portas da Jerusalém messiânica com os nomes das 12 tribos de Israel e os 12 alicerces da muralha em que estão escritos os nomes dos 12 Apóstolos do Cordeiro (Ap 21, 13-14).

O número dos eleitos é de 144 mil, sendo 12 mil de cada tribo de Israel (Ap 7,4-8), sem esquecer a grande multidão de eleitos que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas (Ap. 7,9). O número 12, em si, já indica perfeição e, multiplicado por mil, reforça a idéia de plenitude. A respeito dessa cifra não matemática, mas teológica, já ouvi pregações muito curiosas como, por exemplo: “só nossa Igreja é a dos eleitos...”. O discurso fica ridículo quando se quer explicar matematicamente o número 144 mil e constata-se que a própria comunidade já tem bem mais gente do que o referido número. Levar o simbolismo numérico ao pé da letra é falta de fé e ignorância bíblica. Nesse sentido, certamente, a letra mata (2Cor 3, 6).

Outras preciosidades

Deus prometeu a Abraão que de seu filho Ismael haveriam de surgir 12 príncipes (Gn. 17,20), como 12 haveriam de ser os filhos de Jacó-Israel (Gn. 35,22b-26). Em sua peregrinação pelo deserto, Israel encontrou 12 fontes d’água em Elim (Ex. 15,27). Depois, uma vez concluída a Aliança entre Deus e Israel, Moisés “construiu um altar ao pé da montanha e 12 colunas, segundo as 12 tribos de Israel” (Ex. 24,4).

Chegado aos 12 anos de idade, Jesus mostra sua peculiar sintonia com o Pai (Lc. 2,41-50). Mateus 9, 20-22 fala da mulher enferma há 12 anos, curada por sua grande fé. Após a miraculosa multiplicação de pães que a todos alimentou (Mt. 14,13-21) ainda sobraram 12 cestos, alimento suficiente para todos (= 12). Aos que tudo deixam para seguir Jesus, ser-lhes-á concedido sentar em 12 tronos para julgar as 12 tribos de Israel (Mt. 19,28). A mesma idéia é veiculada por Ap 4, 4. Já a Mulher de Ap 12, 1 é coroada por 12 estrelas e a Árvore da Vida, na cidade da paz e da justiça, frutificará 12 vezes ao ano (Ap. 22,2).

padre Mariano Weizenmann, scj