ALÉM DA PERFEIÇÃO

Na Bíblia, o número oito (8) tem bastante a ver com o número sete (7). Embora não apareça tanto, ele também é portador de rico significado.

Ele está além da perfeição, posto ser a soma de 7 + 1 = 8. O número oito representa a ressurreição, a nova criação, a regeneração (a nova geração ou o novo nascimento). O Batismo cristão, além de outras qualidades, nos regenera e faz participantes da ressurreição do Senhor. É o que as pias batismais de muitas igrejas procuram simbolizar com seu formato octogonal, em oito lados.

Vamos ao precioso terreno da Escritura para, nele, garimpar as principais ocorrências do número oito. Fazemos isso a partir do próprio Jesus. No oitavo dia, o menino hebreu era circuncidado, isto é, recebia o nome e, oficialmente, era integrado ao povo eleito (cf. Gn. 17,12). Isso aconteceu também com Jesus Cristo: “Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, conforme o chamou o anjo, antes de ser concebido” (Lc. 2,21). Seu nome significa que “Deus está conosco” de modo salvífico, porque ele salva seu povo dos pecados (cf. Mt. 1,21).

Aliás, o significado literal do nome de Jesus é “Deus salva”.

Ao final do Evangelho de João, o número oito retorna, agora no sentido de nova criação que se concretiza na ressurreição. Jesus ressuscitado aparece aos discípulos no primeiro dia da semana (cf. Jo. 20,1-19) ou oito dias depois (cf. Jo. 20,26). Volta, aqui, o esquema do 7 + 1 = 8, sendo que o oitavo dia simboliza a nova criação, a vida nova e definitiva. O grande evento pascal, porém, atinge seu ápice com a magnífica efusão do Espírito Santo. Segundo João, o dom do Espírito coincide com a ressurreição (cf. Jo. 20,22) ou até mesmo com a morte de Jesus (cf. Jo. 19,30). Lucas, porém, faz acontecer a efusão do Espírito Santo no dia de Pentecostes que, segundo At. 2,1-4, tem lugar 50 dias após a Páscoa: 7 x 7 + 1 = 50.

O dia definitivo

Em Jesus, temos o centro da Bíblia e a chave de sua interpretação. É por isso que, a partir de Jesus, olhamos ao passado e, a partir dele, apreciamos o futuro. Quais são as principais citações do número oito no Primeiro Testamento? Já vimos que o oitavo dia era o da circuncisão. No tempo de Noé, oito pessoas foram salvas pela arca (cf. 1Pd 3, 20). O grande patriarca Abraão teve oito filhos: sete lhe nasceram “segundo a carne” (cf. Gn. 16,15; 25,1-2) e um, Isaac, “segundo a promessa” (Gn. 21,1-4).

O célebre rei Davi era o mais jovem de oito irmãos, filhos de Jessé (cf. 1Sm. 17,12). Em oito dias, os sacerdotes, no tempo do piedoso rei Exéquias, consagraram o templo ao Senhor (cf. 2Cr. 29,17).

Para o Segundo Testamento, o número oito é o do dia definitivo, do novo nascimento e da ressurreição, como já dissemos. Mt. 5,3-12 apresenta oito bem-aventuranças proclamadas por Jesus.

Por fim, de acordo com 2Pd. 1,5-7 são oito as virtudes cristãs, começando com a fé e chegando ao máximo pelo amor. A propósito, concorda perfeitamente com 1Cor. 13,13.

padre Mariano Weizenmann, scj