Angelologia  bíblica

Entendemos, pelas Sagradas Escrituras (mais de 300 citações), que os anjos existem. Eles são outro tipo de criaturas de Deus. São seres reais, espirituais, pessoais, santos (não corrompidos), mas não isentos da tentação e do pecado.

Os anjos estão presentes no Pentateuco e em outros livros do período pré-exílico. Em I e II Samuel, os anjos são dotados de integridade e obediência a Deus (I Sm. 29,9; II Sm. 14,17 - 20; 19 - 27); em I Reis como portadores do socorro aos servos necessitados (I Rs. 19,5 - 7); em Juízes como mensageiros de ordens e mandamentos específicos (Jz. 6,11 - 23). Há, neles um potencial guerreiro (II Rs. 19,35; II Sm. 24,16; Gn. 32,1; II Rs. 6,17), o que leva ao título de “Senhor dos Exércitos” para Javé.

Eles travam diálogos familiares (Gn. 18,1 - 16), são perceptíveis pelos animais, como no episódio da mula de Balaão (Nm. 22,21 - 35), podem ser guardiões (Sl. 91,11) ou portadores do recado da morte (Jó. 53,22).

No período pós-exílico percebe-se uma maior clareza sobre o conceito dos anjos, especialmente nos livros de Zacarias e de Daniel, inclusive sobre o papel das hostes angélicas (Dn. 1,10; Ne. 9,6; Sl. 68,17).

No Novo Testamento vemos a sua importância nos anúncios a Zacarias (Lc.1,11 - 20) e a Maria (Lc.1,26 - 38). Cristo foi ministrado pelos anjos (Mt.4,11; Lc. 22,4), e teria poder de dar-lhes ordens (Mt.26:52). No livro de Atos vemos o anjo abrindo a porta da prisão para Pedro (At.5:19; 12:7-10), demonstrando que são possuidores de corpos com outra estrutura, não sujeitos aos obstáculos físicos materiais.

Eles são tratados, particularmente, na Carta aos Hebreus, com Cristo apontado como superior a eles (Hb.1:4), nas epistolas de Judas (9) e II Pedro (2). Mas é no Apocalipse onde os anjos adquirem maior clareza e relevância como adoradores e assessores de Deus no Juízo Final: “Então olhei e ouvi a voz de muitos anjos, milhares de milhares” (Ap.5,11).

Os anjos são classificados em diversas categorias:

a) Querubins (Gn. 3,24)

b) Serafins (Is. 6,2)

c) Arcanjos (I Ts. 4,16)

 e nomes: Miguel, Gabriel, Uriel, Ariel aparecem com aspecto corpóreo e especial beleza.

No Antigo Testamento, eles:

- fecharam o paraíso terrestre depois do pecado de Adão e Eva;

- protegeram Ló em Sodoma;

- salvaram Ismael e Agar no deserto;

- anunciaram a Abraão e Sara que teriam um filho;

- detiveram a mão de Abrão quando este ia sacrificar Isaque;

- anistiaram o profeta Elias.

No Novo Testamento, eles:

- avisaram a Zacarias o nascimento de João Batista;

- anunciaram a Maria o nascimento de Jesus;

- louvaram a Deus pelo nascimento de Cristo;

- revelaram a José o mistério da encarnação;

- serviram a Jesus no deserto;

- confortaram a Jesus no Getsêmane;

- removeram a pedra na ressurreição.

São qualidades dos anjos:

a) a santidade – por servirem a Deus (Ap. 14,10);

b) a reverência – por glorificarem a Deus (Sl. 29,1 - 2);

c) o serviço – por ministrarem para Deus (Hb.1:14) e

d) proteção – por cuidarem e protegerem os fiéis na terra (Sl. 34,7; I Rs. 19,5 - 7).

Mensageiros de Deus. Adoradores de Deus. Protetores dos servos de Deus. A Igreja tem ensinado que os anjos assistem os fiéis em sua morte e os assistirão no Juízo final. Acampam em torno dos que o temem. Nos consola o salmista: “Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda, porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra” (Sl. 91,10  - 12).

Escreveu um teólogo: “Os cristãos que vivem à luz da presença de Deus sempre são acompanhados por anjos invisíveis, e esses seres santos deixam após si uma benção em nossos lares”.

Não podemos silenciar ou nos omitir porque o tema é levantado pela Nova Era ou pela Teologia da Batalha Espiritual. A correção a exageros as distorções não é o silêncio ou a omissão, mas a recuperação e a prática da verdade, a partir das Escrituras, sob a iluminação do Espírito Santo.

São os anjos estudados em nossas igrejas? Estamos conscientes do seu papel em nossa vida espiritual?

Um grande tesouro de espiritualidade parece estar escondido, conquanto esteja à nossa disposição.

Nem ceticismo, nem misticismo, mas, com fé e discernimento, recuperemos o abençoado papel dos anjos na vida do povo de Deus, segundo a proposta de Deus. Com os anjos cresceremos.

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