O  que  foi  o  pecado  dos  anjos?

A Igreja ensina que os anjos, como já vimos, foram criados bons (Deus não pode criar nada intrinsecamente mau). "Com efeito, o Diabo e outros demônios foram por Deus criados bons em sua natureza, mas se tornaram maus por sua própria iniciativa" (IV Concílo de Latrão, em 1215; DS 800). São Pedro fala de um pecado desses anjos. "Pois, se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento..." (2 Pe. 2,4) Este pecado, a Igreja ensina que é a opção livre dos anjos, que abusaram do seu livre arbítrio e rejeitaram radicalmente e irrevogavelmente a Deus e o seu Reino. (cf. Catecismo, § 392). Um reflexo desta rebelião contra Deus pode ser vista nas palavras que o Tentador disse a Eva no paraíso: "E vós sereis como deuses" (Gn. 3, 5). Este é o seu desejo: ser como Deus, ser adorado como Deus; não aceitou ser apenas uma belíssima criatura de Deus, quis o lugar e a glória do Criador; foi um imenso pecado de orgulho e soberba. Por isso são João afirma que ele é ´pecador desde o princípio" (1Jo. 3, 8). O pecado dos anjos é visto por alguns teólogos como de soberba (pecado típico dos espíritos). Eles foram criados em estado de graça sobrenatural, mas submetidos a uma provação para comprovar o amor a Deus, muitos se rebelaram. Segundo Suares e Scheeben, a rebelião teria acontecido quando souberam da encarnação do Filho de Deus, que teriam que adorar feito homem. Esta teria sido a recusa de muitos anjos. O anjo tem uma inteligência muito mais aguda e perfeita que a do homem, e por isso, as suas decisões são definitivas, irrevogáveis, radicais, porque são tomadas com total conhecimento de causa. Por isso não lhes resta chance de conversão, como para nós homens, que muitas vezes erramos, mas sem total conhecimento de causa. O pecado dos anjos não pode ser perdoado. O Catecismo da Igreja nos ensina que: "É o caráter irrevogável da sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado" (§ 393). Dizia são João Damasceno (650´749), doutor da Igreja, que: "Não existe arrependimento para eles depois da queda, como não existe arrependimento para os homens após a morte" (Patrol. Grega - 94,877C).

Felipe Aquino