ANJOS  NA  BÍBLIA

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estão cheios de histórias que citam anjos. Eles sempre se apresentam para trazer uma mensagem de Deus, para dar uma boa nova e esperança aos que sofrem. Não importa o teor da história, os anjos estão sempre lá, nos orientando, nos dando forças ou até nos testando, como é o caso do anjo mau, conhecido como Lúcifer, que depois virou Satanás.

NASCIMENTO DE ISMAEL

1.Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2. E disse Sarai a Abrão: eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3. Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

4. E ele possuiu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5. Então disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti; minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti.

6. E disse Abrão a Sarai: eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.

7. E o anjo do Senhor a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.

8. E disse: Agar, serva de Sarai, donde vens, e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora.

9. Então lhe disse o anjo do Senhor: torna-te para tua senhora, e humilha-te debaixo de suas mãos.

10. Disse-lhe mais o anjo do Senhor: multiplicarei sobremaneira a tua descendência, que não será contada, por numerosa que será.

11. Disse-lhe também o anjo do Senhor: eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição.

12. E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13. E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: tu és Deus que me vê; porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?

14. Por isso se chama aquele poço de Beer-Laai-Rói; eis que está entre Cades e Berede.

15. E Agar deu à luz um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que Agar tivera, Ismael.

16. E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu à luz Ismael. (Gênesis, 16)

DEUS  PROVA  ABRAÃO

1. E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: eis-me aqui.

2. E disse: toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.

3. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera.

4. Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe.

5: E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós.

6: E tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.

7: Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? 

8: E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.

9: E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali um altar e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha. 

10: E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar o seu filho; 

11: Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.

12: Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho. 

13: Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho.

14: E chamou Abraão o nome daquele lugar: o Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá.

15: Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus,

16: E disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste esta ação, e não me negaste o teu filho, o teu único filho,

17: Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos;

18: E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz. (Gênesis, 22,1-18)

NASCIMENTO  DE  SANSÃO

1: E os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor os entregou na mão dos filisteus por quarenta anos. 

2: E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher, sendo estéril, não tinha filhos. 

3: E o anjo do Senhor apareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora és estéril, e nunca tens concebido; porém conceberás, e terás um filho. 

4: Agora, pois, guarda-te de beber vinho, ou bebida forte, ou comer coisa imunda.

5: Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha;

porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus.

6: Então a mulher entrou, e falou a seu marido, dizendo: um homem de Deus veio a mim, cuja aparência era semelhante de um anjo de Deus, terribilíssima; e não lhe perguntei donde era, nem ele me disse o seu nome.

7: Porém disse-me: Eis que tu conceberás e terás um filho; agora pois, não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas coisa imunda; porque o menino será nazireu de Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte.

8: Então Manoá orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer.

9: E Deus ouviu a voz de Manoá; e o anjo de Deus veio outra vez à mulher, e ela estava no campo, porém não estava com ela seu marido Manoá.

10: Apressou-se, pois, a mulher, e correu, e noticiou-o a seu marido, e disse-lhe: Eis que aquele homem que veio a mim o outro dia me apareceu.

11: Então Manoá levantou-se, e seguiu a sua mulher, e foi àquele homem, e disse-lhe: És tu aquele homem que falou a esta mulher? E disse: Eu sou.

12: Então disse Manoá: Cumpram-se as tuas palavras; mas qual será o modo de viver e o serviço do menino?

13: E disse o anjo do Senhor a Manoá: De tudo quanto eu disse à mulher guardará ela.

14: De tudo quanto procede da videira não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, nem coisa imunda comerá; tudo quanto lhe tenho ordenado guardará.

15: Então Manoá disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e te preparemos um cabrito. 

16: Porém o anjo do Senhor disse a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao Senhor. Porque não sabia Manoá que era o anjo do Senhor. 

17: E disse Manoá ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome, para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos? 

18: E o anjo do Senhor lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso? 

19: Então Manoá tomou um cabrito e uma oferta de alimentos, e os ofereceu sobre uma penha ao SENHOR: e houve-se o anjo maravilhosamente, observando-o Manoá e sua mulher. 

20: E sucedeu que, subindo a chama do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chama do altar; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram em terra sobre seus rostos.

21: E nunca mais apareceu o anjo do Senhor a Manoá, nem a sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do Senhor.

22: E disse Manoá à sua mulher: certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus.

23: Porém sua mulher lhe disse: se o Senhor nos quisesse matar, não aceitaria da nossa mão o holocausto e a oferta de alimentos, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir tais coisas neste tempo.

24: Depois teve esta mulher um filho, a quem pôs o nome de Sansão; e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou.

25: E o Espírito do Senhor começou a incitá-lo de quando em quando para o campo de Maané-Dã, entre Zorá e Estaol. (Juizes, 13)

SALMO  91

1: Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. 

2: Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.

3: Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. 

4: Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.

5: Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,

6: Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.

7: Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.

8: Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.

9: Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.

10: Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. 

11: Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. 

12: Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra. 

13: Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente. 

14: Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. 

15: Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. 

16: Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação. (Salmo 91)

REI  DE  TIRO

Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.

13: Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. 

14: Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.

15: Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.

16: Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.

17: Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. 

18: Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem.

19: Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá. (Ezequiel 28,12-19)

O  SONHO  DE  JACÓ  EM  BETEL

E Isaque chamou a Jacó, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã; 

2: Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de Labão, irmão de tua mãe; 

3: E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos;

4: E te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão.

5: Assim despediu Isaque a Jacó, o qual se foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.

6: Vendo, pois, Esaú que Isaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar mulher dali para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaã; 

7: E que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe, e se fora a Padã-Arã; 

8: Vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque seu pai,

9: Foi Esaú a Ismael, e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Maalate filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote. 

10: Partiu, pois, Jacó de Berseba, e foi a Harã; 

11: e chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar. 

12: E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; 

13: e eis que o Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o Senhor Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; 

14: E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; 

15: E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado. 

16: Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.

17: E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.

18: Então levantou-se Jacó pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por seu travesseiro, e a pôs por coluna, e derramou azeite em cima dela.

19: E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz. 

20: E Jacó fez um voto, dizendo: se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; 

21: E eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor me será por Deus; 

22: E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo. (Gênesis, 28)

GEDEÃO

1: Porém os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor; e o Senhor os deu nas mãos dos midianitas por sete anos. 

2: E, prevalecendo a mão dos midianitas sobre Israel, fizeram os filhos de Israel para si, por causa dos midianitas, as covas que estão nos montes, as cavernas e as fortificações. 

3: Porque sucedia que, semeando Israel, os midianitas e os amalequitas, e também os do oriente, contra ele subiam. 

4: E punham-se contra ele em campo, e destruíam os frutos da terra, até chegarem a Gaza; e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.

5: Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, em grande multidão que não se podia contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra, para a destruir. 

6: Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor. 

7: E sucedeu que, clamando os filhos de Israel ao Senhor por causa dos midianitas, 

8: Enviou o Senhor um profeta aos filhos de Israel, que lhes disse: assim diz o Senhor Deus de Israel: do Egito eu vos fiz subir, e vos tirei da casa da servidão; 

9: E vos livrei da mão dos egípcios, e da mão de todos quantos vos oprimiam; e os expulsei de diante de vós, e a vós dei a sua terra. 

10: E vos disse: Eu sou o Senhor vosso Deus; não temais aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; mas não destes ouvidos à minha voz. 

11: Então o anjo do Senhor veio, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas. 

12: Então o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: o Senhor é contigo, homem valoroso. 

13: Mas Gideão lhe respondeu: ai, Senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém agora o Senhor nos desamparou, e nos deu nas mãos dos midianitas. 

14: Então o Senhor olhou para ele, e disse: vai nesta tua força, e livrarás a Israel das mãos dos midianitas; porventura não te enviei eu? 

15: E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai.

16: E o Senhor lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem. 

17: E ele disse: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu que falas comigo. 

18: Rogo-te que daqui não te apartes, até que eu volte e traga o meu presente, e o ponha perante ti. E disse: eu esperarei até que voltes. 

19: E entrou Gideão e preparou um cabrito e pães ázimos de um efa de farinha; a carne pôs num cesto e o caldo pôs numa panela; e trouxe-lho até debaixo do carvalho, e lho ofereceu. 

20: Porém o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os pães ázimos, e põe-nos sobre esta penha e derrama-lhe o caldo. E assim fez.

21: E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado, que estava na sua mão, e tocou a carne e os pães ázimos; então subiu o fogo da penha, e consumiu a carne e os pães ázimos; e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos.

22: Então viu Gideão que era o anjo do Senhor e disse: ah, Senhor Deus, pois vi o anjo do Senhor face a face.

23: Porém o Senhor lhe disse: paz seja contigo; não temas; não morrerás. (Juizes 6,1-23)

DANIEL  NA  COVA  DOS  LEÕES

1: E pareceu bem a Dario constituir sobre o reino cento e vinte príncipes, que estivessem sobre todo o reino; 

2: E sobre eles três presidentes, dos quais Daniel era um, aos quais estes príncipes dessem conta, para que o rei não sofresse dano. 

3: Então o mesmo Daniel sobrepujou a estes presidentes e príncipes; porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino. 

4: Então os presidentes e os príncipes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. 

5: Então estes homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a acharmos contra ele na lei do seu Deus. 

6: Então estes presidentes e príncipes foram juntos ao rei, e disseram- lhe assim: ó rei Dario, vive para sempre!

7: Todos os presidentes do reino, os capitães e príncipes, conselheiros e governadores, concordaram em promulgar um edito real e confirmar a proibição que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões.

8. Agora, pois, ó rei, confirma a proibição, e assina o edito, para que não seja mudado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar.

9: Por esta razão o rei Dario assinou o edito e a proibição. 

10: Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer. 

11: Então aqueles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e suplicando diante do seu Deus.

12: Então se apresentaram ao rei e, a respeito do edito real, disseram-lhe: Porventura não assinaste o edito, pelo qual todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, por espaço de trinta dias, e não a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei, dizendo: Esta palavra é certa, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. 

13: Então responderam ao rei, dizendo-lhe: Daniel, que é dos filhos dos cativos de Judá, não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edito que assinaste, antes três vezes por dia faz a sua oração.
14: Ouvindo então o rei essas palavras, ficou muito penalizado, e a favor de Daniel propôs dentro do seu coração livrá-lo; e até ao pôr do sol trabalhou para salvá-lo. 

15: Então aqueles homens foram juntos ao rei, e disseram-lhe: Sabe, ó rei, que é lei dos medos e dos persas que nenhum edito ou decreto, que o rei estabeleça, se pode mudar. 

16: Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e lançaram-no na cova dos leões. E, falando o rei, disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará. 

17: E foi trazida uma pedra e posta sobre a boca da cova; e o rei a selou com o seu anel e com o anel dos seus senhores, para que não se mudasse a sentença acerca de Daniel. 

18: Então o rei se dirigiu para o seu palácio, e passou a noite em jejum, e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e fugiu dele o sono. 

19: Pela manhã, ao romper do dia, levantou-se o rei, e foi com pressa à cova dos leões. 

20: E, chegando-se à cova, chamou por Daniel com voz triste; e disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?

21: Então Daniel falou ao rei: ó rei, vive para sempre! 

22: O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum.

23: Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da cova. Assim foi tirado Daniel da cova, e nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus. 

24: E ordenou o rei, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos. (Daniel, 6,1-24)

ANJOS  COM  MARIA

E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,

27: a uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.

28: E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.

29: E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta.

30: Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.
31: E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.

32: Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; 

33: E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. 

34: E disse Maria ao anjo: como se fará isto, visto que não conheço homem algum? 

35: E, respondendo o anjo, disse-lhe: descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. 

36: E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; 

37: porque para Deus nada é impossível. 

38: Disse então Maria: eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela. (Lucas, 1,26-38)

O  ANJO  COM  JOSÉ

18: Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. 

19: Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. 

20: E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;

21: E dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

22: Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;

23: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.

24: E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; 

25: e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus. (Mateus 1,18-25)

NASCIMENTO  DE  JESUS

Havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. 

9: E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. 

10: E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:

11: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 

12: E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.

13: E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:

14: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. 

15: E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. 

16: E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. 

17: E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; 

18: E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. 

19: Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. 

20: E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito. (Lucas 2,8-20)

LÁZARO  E  O  RICO

19: Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20: Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;

21: E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.

22: E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.

23: E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.

24: E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 

25: Disse, porém, Abraão: filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.

26: E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.

27: E disse ele: rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,

28: pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. 

29: Disse-lhe Abraão: têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.

30: E disse ele: não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. 

31: Porém, Abraão lhe disse: se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. (Lucas 16,19-31)

A  TENTAÇÃO  DE  JESUS

1: Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 

2: E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 

3: E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.

4: Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. 

5: Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, 

6: E disse-lhe: se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra. 

7: Disse-lhe Jesus: também está escrito: não tentarás o Senhor teu Deus. 

8: Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 

9: E disse-lhe: tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 

10: Então disse-lhe Jesus: vai-te, Satanás, porque está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. 

11: Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam. 

12: Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galiléia; 

13: E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; 

14: para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: 

15: a terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações; 

16: o povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou. 

17: Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. (Mateus 4,1-17)

MONTE  DAS  OLIVEIRAS

39: E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram.

40: E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação.

41: E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava,

42: dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. 

43: E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. 

44: E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor

tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão. 

45: E, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza.

46: E disse-lhes: por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação. (Lucas 22,39-46)

A  RESSURREIÇÃO

1: E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

2: E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela.

3: E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve.

4: E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos.

5: Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. 

6: Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia.

7: Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito. 

8: E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos. 

9: E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. 

10: Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia, e lá me verão. 

11: E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido. 

12: E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, 

13: Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram. 

14: E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. 

15: E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje. 

16: E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. 

17: E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. 

18: E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. 

19: Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 

20: Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. (Mateus, 28)

LIBERTAÇÃO  DE  PEDRO

1: E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; 

2: e matou à espada Tiago, irmão de João. 

3: E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos ázimos. 

4: E, havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao

povo depois da páscoa. 

5: Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus. 

6: E quando Herodes estava para o fazer comparecer, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão.

7: E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias. 

8: E disse-lhe o anjo: cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: lança às costas a tua capa, e segue-me. 

9: E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão. 

10: E, quando passaram a primeira e segunda guardas, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se apartou dele.

11: E Pedro, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo o que o povo dos judeus esperava. 

12: E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam. 

13: E, batendo Pedro à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu a escutar; 

14: E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta. 

15: E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo. 

16: Mas Pedro perseverava em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram. 

17: E acenando-lhes ele com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar. 

18: E, sendo já dia, houve não pouco alvoroço entre os soldados sobre o que seria feito de Pedro. 

19: E, quando Herodes o procurou e o não achou, feita inquirição aos guardas, mandou-os justiçar. E, partindo da Judéia para Cesaréia, ficou ali.

20: E ele estava irritado com os de Tiro e de Sidom; mas estes, vindo de comum acordo ter com ele, e obtendo a amizade de Blasto, que era o camarista do rei, pediam paz; porquanto o seu país se abastecia do país do rei.

21: E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática.

22: E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem.

23: E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou.

24: E a palavra de Deus crescia e se multiplicava.

25: E Barnabé e Saulo, havendo terminado aquele serviço, voltaram de Jerusalém, levando também consigo a João, que tinha por sobrenome Marcos. (Atos, 12)