CALÇAS MOLHADAS

“Venha comigo, por favor, a uma sala de aula do terceiro ano...” – fala apressada a professorinha para a diretora. “Há um menino de onze anos sentado à sua carteira e de repente apareceu uma poça entre seus pés e a parte dianteira da calças está molhada. Imagino que o coração dele vai parar, porque não posso acreditar que isso aconteceu. A senhora sabe que se os meninos descobrirem, nunca o deixarão em paz. Quando as meninas descobrirem, nunca mais irão falar com ele enquanto viver.”

Enquanto isso, o menino, sentado em sua carteira, acreditava que seu coração fosse parar. Tomado pelo desespero, abaixa a cabeça e profere uma oração: "Querido Deus, isto é uma emergência! Eu necessito de ajuda, agora!" Quando levanta os olhos, vê a professora chegando com um olhar que diz que foi descoberto. Enquanto a professora ainda caminha em sua direção, uma colega, Susie, carregando um aquário, cheio de água, se aproxima da carteira do menino, tropeça na frente da professora e despeja inexplicavelmente a água no colo do colega.

Tudo molhado o menino finge estar irritado e reza, no fundo do seu coração "Obrigado, Senhor! Obrigado, Senhor!"

A partir deste momento, em vez de ser objeto de ridículo, o menino recebe todo tipo de solidariedade e gestos de compaixão.

A professorinha desce apressadamente com ele, lhe entrega os shorts de ginástica para se vestir, enquanto secam as calças. Todas as outras crianças ajudam a limpar a carteira e a sala de aula. A compaixão é comovente.

Mas, como tantas vezes acontece na vida, as frases de gozação que deveriam ser dirigidas ao menino, agora são destinadas a outra pessoa: a maravilhosa e providencial Susie. Ela também tenta ajudar, mas todo mundo grita irritado "Você já fez demais, sua grosseira! Sai de perto!"

No fim do dia, enquanto os meninos aguardam a chegada do ônibus, o menino caminha até Susie e lhe sussurra, "Você fez aquilo de propósito, não foi?" E Susie responde suavemente "Eu também molhei minha calça, uma vez!".