Sede: a água pede de beber

Por duas vezes nos evangelhos Jesus pede de beber: o encontro com a samaritana (Jo 4, 1-30) e, instantes antes de morrer, pregado sobre a cruz (Jo 19,28). O encontro de Jesus com a samaritana é bastante conhecido e apresenta um paradoxo: Jesus, a água viva, pede de beber à samaritana. Esse não é o único paradoxo, nem a única “incoerência”. O texto mistura fonte com poço, perguntas sem respostas e respostas a perguntas não formuladas por ninguém. Ao beber na fonte cristalina do texto original 68 pode-se descobrir a riqueza de um itinerário iniciático apresentado pelo evangelista, oculto pela subjetividade de alguns tradutores.

Logo no início, ao anunciar a intenção de Jesus de ir da Judéia para a Galiléia, o texto joânico diz: “era-lhe necessário passar pela Samaria” (4,4), ou “era-lhe preciso” ou “tinha de passar”. Muitos vêem nisso uma obrigação geográfica: o caminho era por ali, não tinha jeito. Não é verdade. Na realidade, ele nem devia, nem precisava. Poderia tomar outro caminho, como a maioria dos judeus fazia. Por exemplo, seguir o vale do Jordão – onde água e sombras eram abundantes - e evitar esses heréticos, para os judeus, os samaritanos. Basta olhar um mapa da região e constatar. Jesus mesmo recomenda aos discípulos de evitar a Samaria (Mt 10,5) e em Lucas 9, 51-56, os discípulos ao atravessarem a Samaria são mal recebidos.

Mas esses estranhos samaritanos, Jesus já os distinguia: o único dos dez leprosos curados, a voltar reconhecido, era samaritano (Lc. 17,11 - 19) e na parábola do bom samaritano, ele os opõe aos levitas do templo (Lc. 10,30 - 37). No texto grego original, Jesus devia, tinha de passar (êdei) no sentido de quem tem um objetivo. Jesus tinha um projeto de ir a Galiléia, A passagem da Judéia na Samaria lembra uma profecia de Isaías: os reinos separados serão um dia reconciliados. Em Jesus acabará a separação, a divisão de Israel e Judá. O rei justo - sobre o qual repousará o Espírito de Deus - “ajuntará os banidos, ou desterrados de Israel, reunirá ou congregará os dispersos de Judá”(Is. 11,12 cf. Os. 2,2; Jo 3,18; 35,50; Ex. 37,16 - 24). Esse é o contexto do porque Ele deve passar pela Samaria. Seu ensinamento é também para os excluídos, os impuros, os heréticos e para quem tenta viver sua fé no meio de nações pagãs. Como nós, nos dias de hoje, cercados pelo neopaganismo e pelas heresias 69.

O episódio é polissêmico, rico em significados. Como nos neopagãos de hoje em dia, o ouvido dessa mulher não estava totalmente fechado. Ainda havia abertura. Ela era habitada pelo desejo. E para ela serão revelados, progressivamente, os mistérios da oração “em espírito e verdade”. Existe um itinerário iniciático muito bem construído por João. Ele leva de verdades adquiridas e relativas, contidas em nós, para a Verdade infinitamente mais elevada e vasta que nos contém.

Como numa espécie de sétimo dia da criação, Jesus descansa. Cansado do caminho, ele senta na beira do poço (4,6). Santo Agostinho diz: é Deus quem se cansou pois está nessa estrada há séculos, milênios... em busca da humanidade. Deus está em busca do homem. Onde Ele poderia parar, pousar, repousar? No poço de nosso coração, na alma de cada um de nós. Talvez cada um de nós já tenha vivido o essencial da experiência mística e espiritual: a descoberta de que não somos nós, mas Deus quem nos busca. Era Deus quem nos buscava esse tempo todo. É difícil deixar-se achar, deixar-se amar “tal como somos”. A estrada é longa até esse ponto da aceitação total.

É aproximadamente na sexta hora, meio dia. O sol abrupto não deixa sombras, nem lugar para elas. É nessa hora da sede e do desejo. Esse momento de uma lucidez deixa pouco lugar para as mentiras. Quando estamos na beira do poço, em nossa pior hora, ali Jesus nos espera. Na fonte (pegé) do nosso ser. Onde a vida surge, na saída, na sua gratuidade. O poço é o símbolo do coração humano. A vida nos leva a descer nas suas profundezas para descobrir a fonte. Estar no fundo do poço exige silêncio. Sentar na beira do poço é ficar na escuta, em estado de ressonância. O silêncio nos prepara para ouvir uma voz murmurante, vinda do fundo das águas: Dá-me de beber. O silêncio traz essa experiência.

Em hebraico, a sede é designada tzamá (tzade-mem-alef) e no texto bíblico pode até ser identificada com a alma, nefesh. A palavra é citada 60 vezes no texto bíblico, sendo 15 no Primeiro Testamento. “Jesus disse: - Eu tenho sede” (Jo 19,28). Ele é a fonte com sede de ser bebida. Como entender esse chamado de Deus? A Fonte pede para ser reconhecida, pede tempo e atenção. Dá-me do teu silêncio, da tua solidão. Essa é nossa água. Podemos ofertá-la a Deus. Poucos estão dispostos a dedicar a Deus uma parte de seu tempo de silêncio. Muitos passam horas em silêncio, diante da televisão. Diariamente. Deus pede nosso silêncio, atenção e contemplação. Ter sede e apaziguar a sede do outro no caminho é uma bem aventurança mobilizadora e questionadora da moral e do aparentemente lógico. Como nas palavras de Jesus no sermão da montanha: “Em marcha os que tem fome e sede da justiça: eles serão saciados” (Mt. 5.6).

Porque “Em marcha!” e não “Bem-aventurado” ou “Feliz”, primeira palavra do sermão da montanha, como na maioria das traduções? Porque essa tradução constitui um obstáculo a compreensão da mensagem de Jesus. O texto grego fala makarioi (“bem aventurado”) e orienta os tradutores no sentido de beatitudes adquiridas de entrada, antecipadamente, enquanto só serão realidade plena no fim, no reino de IHWH. Segundo A. Chouraqui 70, os tradutores de todas as línguas e dialetos de todos os séculos, repetiram “bem-aventurados, felizes” no sermão da montanha, num exemplo típico. Eles aplicam uma palavra supostamente conhecida, num sentido diferente do original.

“Porque Ieshua não diz a palavra makarioi, ele pronuncia a palavra hebraica ashrei, primeira palavra dos salmos 1 e 119. Mateus, imperturbavelmente fiel às traduções do judaísmo helenístico, traduz ashrei por makarioi, segundo a equivalência imposta pelo uso da LXX. Durante mais de dois séculos, os tradutores gregos da bíblia hebraica já liam automaticamente makarioi onde o texto hebraico diz ashrei. Fazendo isto, eram fiéis a suas tendências apologéticas e sincretistas: a filosofia grega, pensavam, não é a única a poder propor ao homem o ideal hedonista da felicidade. Ashrei repete-se 43 vezes na Bíblia hebraica. Esta exclamação (no plural) tem como radical ashar. Ela não traz à lembrança uma vaga felicidade de essência hedonista, mas implica uma retidão (yashar) do homem marchando na estrada sem obstáculos que leva a IHWH e, aqui, em direção ao reino de IHWH. (...) A bem-aventurança não se situa no início da frase, mas em seu fim, o reino de IHWH, mesmo se este inunda de sua luz, por antecipação, todos que têm o rosto voltado para ele”, segundo Chouraqui. O sentido fundamental de ashar é andar (Pv. 4,14), “conduzir por uma via reta” (Pv 23,19).

As palavras hebreu (ivri) e Abrão (Avram) têm a mesma raiz, a do verbo hebraico marchar, passar, passar caminhando, “avra”. Os hebreus, os ivrim, são um povo em marcha. São os caminhantes. No passado (avar), passaram do Egito para Canaã, atravessando as águas. Abrão também passou, atravessou, as águas dos rios da Mesopotâmia rumo a Canaã. O chamado divino vai contra qualquer inação: em marcha! Das terras da servidão para a vida e a liberdade. Em marcha! Em movimento! Em linguagem poética, ashur é o pé do homem 71. Ashera (Aserá) é ainda, na Bíblia, o nome da deusa cananéia da fecundação e da fertilidade 72; a Astarte dos babilônios; a Astéria dos gregos; a Brilhante, Vênus, Stella em latim; star em inglês; astro e estrela (cadente) em português e Ester em hebraico.

Como indica Leloup, é sempre uma surpresa ser chamado do fundo do Ser. Sentir-se esperado, desejado, por um Si que é mais que o nosso si-mesmo. Por um Todo Outro que si-mesmo. Pelo Desconhecido das profundezas. Em marcha! Vem! E desse primeiro despertar nasce o espanto: Porque eu? Porque “mim”? Isso é outra história, outro paradoxo. A samaritana também vai descobri-lo 73, como Maria ao interrogar o mensageiro celeste na anunciação. Mas hoje basta o convite a um pequeno voto de silêncio, como entrega gratuita a um Deus que, no fundo de nosso coração, pede de beber.

No encontro com a samaritana e, instantes antes de morrer, pregado sobre a cruz, Jesus repete e proclama sua sede. Numa alusão ao dia do Juízo, Jesus havia anunciado um paradoxo: “Vinde , benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino que foi preparado para vós desde a fundação do mundo. (...) Porque eu tive sede e me destes de beber” (Mt. 25,34.35). Os que não sabiam o que estavam fazendo, recebem a herança (Mt. 25,37.40). E os que sabiam o que faziam, na realidade não sabiam, e são condenados (Mt. 25,42 - 46). Todo esse capítulo, assim como a parábola dos talentos (Mt. 25,14 - 30), é para deixar os moralistas, no sentido nobre da palavra, bastante preocupados. Jesus ultra-passa a lei. Tanto a lei escrita no papel, à qual havia sido profundamente fiel no início de seu ministério (Mt. 5,18), e até a lei gravada no coração dos homens (Jr. 31,33). Jesus aproxima-se do profeta Jeremias: cada um corresponde uma lei, resultado de sua fidelidade a sua identidade e relacionamento único com Deus. “Se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e dos fariseus, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt. 5,20).Uma advertência perene às comunidades e às igrejas: sua prática contribui para aplacar a sede de Jesus e dos pequeninos?

Foi um animal e não um humano, quem aplacou a sede de Jesus na cruz. Segundo a tradição cristã, Jesus veio ao mundo entre os animais. Nasceu num estábulo, um lar de animais, e não numa casa de humanos. Além dos pais, os primeiros a vê-lo e acolhe-lo são os animais domésticos, o burro e o boi segundo a tradição do presépio. E esse pão celeste será colocado numa manjedoura, onde os animais comem capim e ração. Logo, os humanos apresentam-se, acompanhados de animais. Os anjos anunciam uma nova era de salvação 74 aos guardadores de ovelhas nos campos.

Tenho sede! Nem a samaritana do poço de Jacó, nem o bom samaritano das estradas perigosas ouviram o apelo de Jesus na cruz. As mulheres e os amigos, nada podiam fazer. Os soldados romanos e um animal atenderam o seu apelo. O último animal que Jesus vê e que o serve nessa hora final será esponja. Esse animal surge num momento dramático, em sua hora final. A esponja intermedia um gesto de compaixão daqueles que deviam reconhecer em Jesus, por serem soldados, a bravura, o sofrimento e sua humanidade. Esse estranho animal porífero do mundo das águas por excelência, a esponja, está intimamente associado à agonia de Jesus, num relato cheio de simbolismos. “Há ali um vaso cheio de vinagre. Então, uma esponja é fixada ao hissopo; aproximam-na de sua boca. Quando Jesus toma o vinagre, ele diz: "Está consumado". Ele inclina a cabeça e entrega o sopro” (Jo 19,29 - 30). Entrega o espírito para quem? Para o Pai, certamente. E para todos nós.

Como as talhas em Caná da Galiléia, o vaso está cheio, desta vez de vinagre 75. O que faz esse vinagre ali? Assim como há dois mil anos atrás as esponjas não eram de plástico, ali o vinagre também era outra coisa. Tratava-se de uma bebida tradicional, a posca dos soldados romanos: vinho acre misturado à água. É uma espécie de refrigerante, muito utilizado na região mediterrânea para aliviar a sede e desalterar. Durante o verão, trabalhando na colheita do feno no sul da França, bebi com freqüência esse refresco tradicional dos agricultores meridionais: uma bebida acidulada feita com um pouco de vinho acre, misturado à água. Ainda hoje no Brasil, pessoas de origem portuguesa, espanhola ou italiana, apreciam e usam como vinagre, o vinho que azedou. Esse vinagre pouco tem a ver com o ácido acético, destilado e refinado, hoje vendido em supermercados e usado na maioria das casas.

Se os soldados sentiam sede pelo esforço da caminhada, no calor primaveril de uma região semi-árida, o que dizer de um supliciado desidratado, que perdeu sangue, urina e suor? Os soldados ou os “presentes”, num ato de compaixão, compartem com Jesus sua bebida. Reconhecem sua bravura. “Todo aquele que der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser ele um discípulo, em verdade vos digo, não perderá a sua recompensa” (Mt. 10,42). O prazer mórbido vê somente nesse episódio mais um ato de crueldade contra Jesus da parte dos chefes e soldados (Lc. 33,36), enquanto o povo apenas olha. É possível, dada as adequações feitas pela redação tardias dos evangelhos. Como levar o refresco até a boca do crucificado? Quem intermedia e viabiliza esse derradeiro ato de humanidade é a esponja, atada a um caniço de hissopo. Porque o hissopo?

A palavra hissopo vem do grego hyssópos; em hebraico diz-se êzob. Esse nome também é dado a um objeto dos dias de hoje, usado por sacerdotes e ministros católicos para aspergir água benta. O hissopo é uma planta aromática do tipo de mangerona (Majorana syriaca), um arbusto de hastes retas, de cerca de 50 cm de altura, de flores vermelhas ou azuis. Ela cresce em terrenos rochosos ou ruínas (1 Rs. 5,13; Ex. 12,22; Nm. 19,6). Era utilizado para aspergir o sangue sobre o altar do sacrifício, ou ainda para aspergir a água destinada às purificações (Ex. 19,6). “Tira o meu pecado com o hissopo e estarei puro; lava-me e serei mais branco do que a neve” (Sl. 51,9). É com o hissopo, molhado no sangue da bacia do sacrifício do cordeiro, que Moisés recomenda aos seus anciãos de marcar as duas ombreiras da porta para proteger e libertar as casas dos hebreus da morte dos primogênitos (Ex. 12, 22-26). O simbolismo do gesto e do objeto são sacrais diante do Nazareno e remetem a libertação do Egito, ao sacrifício e ao mistério pascal.

Atado à cruz do hissopo da salvação, vai um animal, a esponja. Pessoas mais velhas lembram a verdadeira esponja. Alguns ainda a utilizam para o banho, apesar de custarem muito caro. Na maioria das casas, o animal original foi substituído pelas esponjas de plástico. A esponja serve os humanos permitindo o transporte simples, prático e seguro de pequenas quantidades de líquido para diversas finalidades. A esponja vem a Jesus, oferecendo-lhe seu derradeiro alimento líquido. Ela fora coletada das águas no Mar Mediterrâneo e era provavelmente uma Euspongia officinalis. Citada no texto bíblico e no Talmud, a tradição judaica recorre com freqüência aos simbolismos da esponja. Como o camelo, ela absorve água para atravessar desertos.

A massa do pão, com suas bolhas, é como uma esponja. A palavra esponja é de origem semítica. Em aramaico, a palavra ispog significa um pão ou bolo espongioso, poroso. A raiz spg, pronunciada, lembra de forma onomatopaica o sorver. Essa raiz deu origem a palavras como esponja e champignon (spg-non) 76 e aplica-se a qualquer material que embeba-se facilmente, como a lã. Nesse sentido, o spongos do grego evangélico poderia ser entendido como os pães da proposição no targum do Êxodo (29,3) que apresenta a sagração dos sacerdotes e do sumo sacerdote: “... tomarás uma bola de pão, um bolo de pão embebido de azeite...”. Ao morrer sobre a cruz Jesus destroi o Templo e o reconstroi em três dias. Instituído como sumo sacerdote, “entrou uma vez para sempre no santuário e obteve uma libertação definitiva” (Hb. 9, 12). É seu próprio sangue que unge-o da orelha ao polegar. Não se trata mais de um pão embebido em azeite apresentado no sacrifício, mas de uma esponja embebida em vinagre, de um corpo embebido em sangue 77.

Viva, a esponja seleciona suas trocas com o meio ambiente. Morta, absorve e elimina com facilidade e por capilaridade. Tudo troca com seu meio ambiente, passivamente. Morto, Jesus absorve os pecados dos homens. Passa a esponja em nossas dívidas, no passado e no passivo da humanidade. Ressuscitado, com sua capacidade analógica de embriogênese somática, apesar de dissociado pela morte, revive uma misteriosa transmutação de esponja em pão, de vinagre em azeite. Após a ressurreição ele torna-se, ele mesmo, pão impregnado de azeite, o pão da vida. Embebido da presença de Deus, o Nazareno, molha os lábios e como uma água distilada, ao final de um longo caminho de fidelidade, esvai-se no seio do Pai. Deixa-nos sua sede insaciável.

Evaristo Eduardo de Miranda

doutor em ecologia, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite

68 Novum Testamentum Graece et Latine. Sumptibus Pontifici Instituti Biblici. Roma. 1951.

69 Xavier Léon-Dufour. Leitura do Evangelho segundo João II. Loyola. S. Paulo. 1996.

70 Em marcha, comentário p. 83 in A. Chouraqui. A Bíblia. Mathyah. Imago. Rio de Janeiro. 1996.

71 André Chouraqui, A Bíblia. Imago, Rio de Janeiro, 1996.

72 Joseph Campbell, O herói de mil faces. Cultrix, São Paulo, 1995.

73 Jean-Yves Leloup. L’Évangile de Jean. Albin Michel. Paris. 1989.

74 Evaristo Eduardo de Miranda. Animais interiores. Os voadores. Loyola. 2003.

75 Jesus Cristo em Caná, numa ceia, iniciando sua missão, transmutou a água em vinho, enebriando a todos de espanto e alegria. No final, durante uma santa ceia, transformou o vinho em seu sangue. Ao longo da vida nos aperfeiçoamos, vivendo constantes transmutações, deixando de lado tudo que não está destinado à eternidade.

76 Há talvez um vínculo com espuma, também feita de bolhas, câmaras e canais.

77 Evaristo Eduardo de Miranda. Animais Interiores. Aquáticos e rastejantes. Loyola. 2004 (no prelo).