Águas para a vida, sim! Ferro, não!

Mananciais que matam a sede da população de Belo Horizonte estão ameaçados. Não à volúpia mineradora a qualquer custo!

Não é de hoje a história envolvendo mineradoras e a degradação ambiental na região metropolitana de Belo Horizonte. A mineração de ferro á o agente reconhecido como o de mais “grave deterioração” da Serra do Curral, moldura natural do nosso belo horizonte, tombado como patrimônio natural da capital mineira. De tempos em tempos, somos informados sobre acidentes envolvendo as mineradoras, como o que aconteceu, recentemente, na região de Macacos com Mineradora Rio Verde. Esse acidente deixou 05 mortos, soterrados com o rompimento de uma lagoa de rejeitos. A lama e os resíduos, depositados pela mineradora, espalhados por extensa área, danificaram uma das adutoras da COPASA que abastece parte da região metropolitana, além de assorear extensas faixas dos ribeirões Taquaras e Fechos, contribuintes do Sistema Alto Rio das Velhas.

Outro acidente foi o desmoronamento de um marco do tombamento federal da Serra do Curral por deslizamento de uma encosta minerada pela MBR. É bom não esquecer, também, o extravasamento da barragem da Grota Fria, instalada na Mina de Tamandúa, de propriedade da MBR que, além dos graves e expressivos danos ambientais causados, comprometeram a captação de água pela COPASA.

Some-se o grande número de acidentes nas rodovias de acesso à capital, envolvendo particulares e os caminhões que transportam o minério.

Todos esses fatos são imperativos para reabrir na sociedade a discussão acerca do interesse social na permissão de atividade tão agressiva ao meio ambiente e à própria vida ( humana e ecológica); atividades minerárias próximas às grandes cidades, onde grandes populações vivem e trabalham diariamente, dependentes dos recursos naturais adequados. Some-se o fato de o minério de ferro ser um dos mais abundantes na natureza, inclusive com enormes reservas no Brasil. A exploração desse minério, necessário ao desenvolvimento industrial e à política de exportação, torna-se, portanto, muito menos onerosa para a população quando distante dos grandes centros urbanos e de bacias hidrográficas relevantes.