estado  real  das  águas  no  Brasil
 

Com relação ao avanço da contaminação das águas, nossos estudos revelaram ter quintuplicado, nos últimos dez anos, a contaminação das águas de rios, lagos e lagoas.

A principal fonte de contaminação é o despejo de material tóxico proveniente das atividades agroindustriais e industriais, responsáveis por 90% do consumo das águas, devolvendo-a à natureza completamente contaminada. No caso das indústrias, o agravante está na falta de controle ambiental quanto a geração, tratamento e destinação final de resíduos gerados no processo produtivo, normalmente acumulados nas margens de cursos de água.

Nesse caso, serve como exemplo o que ocorre em Três Marias (MG) onde, nas margens do Rio São Francisco, uma unidade industrial do Grupo Votorantim mantém milhões de toneladas de rejeitos. Quando o rio enche, parte desse material se mistura nas águas de um rio quase morto.

O mesmo ocorre na região de Joinville em Santa Catarina, onde a Fundição Tupi (cujos principais acionistas são o Bradesco e Fundo Previ) e a Industria Schultz (um dos maiores produtores mundiais de compressores) mantém nas proximidades da Baía da Babitonga (uma das últimas reservas de Mata Atlântica do sul do país) milhões de toneladas de areia de fundição que libera Fenol (rejeito químico cancerígeno) e vai contaminar as águas oceânicas.

O despejo de esgotos urbanos e rurais vem em segundo lugar. Contribuem para o acréscimo de matéria orgânica na água que, devido à redução dos níveis dos rios, lagos e lagoas (em razão do aumento de desmatamentos, destruição de matas ciliares e impermeabilização dos solos), acabam se sedimentando nos leitos e margens, aprofundando os efeitos nocivos da contaminação.

A existência de lixões nas margens de cursos de água, aparece em terceiro lugar, onde as Prefeituras permitem o despejo de material infectante proveniente dos serviços de saúde, juntamente com resíduos urbanos e até industriais, faz vazar diariamente bilhões de litros de chorume, com sérios reflexos na saúde pública.

Nossos levantamentos apontam a existência de mais de 20 mil áreas contaminadas com populações expostas a riscos de saúde. O Ministério da Saúde já reconhece a existência de 15.237 que estão sendo mapeadas pela equipe de Secretaria de Vigilância em Saúde, a partir de um acordo com a Unesco.

Para definir as regiões prioritárias para erradicação de áreas contaminadas, a Defensoria da Água em conjunto com o Ministério da Saúde programam para os dias 16, 17 e 18 de março, a realização da 1ª. Conferência Nacional de Áreas Contaminadas.

Nesse campo há ausência de pesquisa científica de novas tecnologias para recuperação e remediação de áreas contaminadas, isso favorece a proliferação de indústrias do continuísmo, que vendem serviços intermináveis de monitoramento e bioremediação. Destaque negativo, nesse caso, para a empresa CSD Geoclock que aparece com esse tipo de “solução” em casos emblemáticos como Rhodia, Barão de Mauá e Mantovani no Estado de São Paulo, despontando como alternativa enganosa em outros estados do país.

No período de 2003 e 2004 nada foi feito em defesa das comunidades ribeirinhas afetadas pelo vazamento de Cataguazes - MG, Baía da Guanabara - RJ e Rio Iguaçu - PR.

Extrato do documento "O estado real das águas no Brasil"
produzido pela Defensoria da Água da CNBB