NÓS  E  A  ÁGUA

Em 2003, temos o Ano Internacional da Água. Tudo a ver com todos nós, que vivemos num planeta de Água, onde todas as formas de vida contam com uma grande proporção de Água. Vale lembrar que, na composição do nosso corpo tão humano, mais de 70% é de Água.

Sendo a Água tão essencial para a existência, como estamos tratando dessa fonte primordial de vida? Mal, com o alto índice de poluição e contaminação de nascentes, lagos, rios e oceanos, conseqüências da agressão ambiental.

Entramos no novo século considerando a Água como moeda forte e raiz possível de várias guerras, segundo autoridades do Banco Mundial.

Fiquei muito emocionada ao ler uma publicação que recebi do Instituto de Resultados em Gestão Social, de Belo Horizonte: "Gente Cuidando das Águas", segundo a definição de seus organizadores, oferece "meia dúzia de toques e uma dúzia de idéias para um jeito diferente de ver, sentir e cuidar de Água".

Gostei tanto de ver Água em letra maiúscula que adotei a idéia. Tendo como um dos pontos de partida a noção de que qualquer pessoa pode ajudar a transformar a realidade ao decidir fazer parte da solução e não do problema, os organizadores do projeto estimulam cada um de nós a "pensar universalmente e cuidar localizadamente", a partir de nossa rópria casa, buscando entrar numa rede maior de influências e de ações coordenadas, começando pela revisão dos hábitos básicos de consumo doméstico: podemos usar menos sacos plásticos e embalagens de isopor, menos comida enlatada, fornecer material para reciclar o lixo, fazer mudas a partir de sementes das boas frutas que comemos, utilizar detergentes biodegradáveis.

São também inúmeras as oportunidades de participar (ou dar o ponto de partida) de projetos de gestão cidadã de Águas. O projeto mencionado acima, ligado à Central de Voluntariado de Minas Gerais, estimula iniciativas de cuidados com Nascentes (berço da Água), mutirões de limpeza e de revitalização de rios e lagoas. Articular ações cidadãs e formar redes podem transformar pequenas iniciativas em mudanças significativas.

Podemos também abençoar a Água que bebemos ou na qual nos banhamos com palavras de amor e de gratidão.

Sentimentos que me inspiram tudo que escrevo, ao olhar o mar da janela de minha casa, procurando em minhas idéias a fluidez, o movimento e a circulação da rede gigantesca de outras idéias que caminham pelo mundo.

Abençoar a Água deixou de ser um ritual restrito aos círculos religiosos desde que se tornou tema de pesquisas fascinantes, como a do cientista Masaru Emoto, do Instituto Hado, em Tóquio. Os dois volumes do livro "Mensagens da Água" correm o mundo, com fotos impressionantes que mostram a influência das palavras e pensamentos humanos, assim como da música, sobre a composição da Água. Utilizando uma técnica de fotografar cristais em amostras de Água congelada com o auxílio de um poderoso microscópio, mostra imagens impressionantes de belos cristais com formas harmoniosas, sob a influência de palavras tais como amor e gratidão; em contraste, cristais deformados e feios quando a Água é submetida a palavras que expressam sentimentos de ódio, inveja, rancor. Da mesma forma, os cristais da Água que "ouve" uma sinfonia clássica mostram belas formas, enquanto que, sob o efeito de música "heavy metal", vemos cristais inteiramente distorcidos.

Fotos de cristais da Água de um lago antes e depois de uma prece coletiva mostram o mesmo contraste de imagens.

Essa linha de pesquisas, juntamente com a de outros cientistas (como Klaus Kronenberg, Jacques Benveniste, Lynn Trainer, Johann Grander) mostra a Água como um ser sensível capaz de transportar informação e de ter memória.

Muitos destes estudos apontam para o poder que emana da energia de palavras e pensamentos dos seres humanos para alterar a estrutura molecular da Água.

Há ainda muitos mistérios a serem desvendados, mas a perspectiva de revitalizar a Água por meio de um grande conjunto de ações coordenadas abre um caminho de esperança para reverter a situação ruim em que nos encontramos. Sendo a Água a origem da Vida, precisamos colocar Vida na Água para ter Água na Vida.

Lembrando, mais uma vez, que o conceito de paz implica em cuidar bem de nós, dos outros e do ambiente em que vivemos, vale englobar no mesmo caminho os Anos Internacionais da Cultura da Paz (2000), do Voluntariado (2001), do Ecoturismo (2002) e da Água (2003). Tudo isso costurado com amor e esperança.

Do mesmo cientista, Masaru Emoto: "No mundo das bactérias existem 10% de bactérias boas, 10% de bactérias ruins e 80% de bactérias oportunistas que podem ir em qualquer direção".

Que tal fazermos parte dos 10% das bactérias boas e influenciar todos que estejam ao nosso alcance?